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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Poema: SONHANDO AO LUAR



Dois mundos.
Um deles, o infinito.
Pensamentos em conflitos, entrelaçando
corações.
Longe dos olhares, um caloroso amor se
entrega a tudo !
Viagens  delirantes, não são o bastante
para o destino aportar.
E o céu, fica  logo ali...
O alpendre se transforma em passarela,
mostrando o charme dela.
Na alcova, somente o amor pode se
hospedar.
As estrelas aplaudem e dançam até o
dia  raiar, em obediência à fantasia.
A lua cheia, faceira,  prateia o lindo  corpo
da mulher amada ! 
No alvorecer, antes do sol nascer,  abre
as cortinas da vida, e convida o aroma
das  flores,  para o seu amor despertar.
Não precisa de mais nada.
A madrugada, o gorjear  da  passarada,
a  mulher amada, e um sonho ao luar

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Poema: A EXPLICAÇÃO DO POETA


        

Perguntei a um poeta, por que tantos versos
escreve ?
Por que não vê a vida como  tantas outras 
pessoas ?
Fitou-me nos olhos, e respondeu:
" Versejo para não chorar de alegria, ou de
tristeza.
Estão minhas  lágrimas nas palavras esculpidas,
tomando corpo nas entre linhas,  abraçadas à dor,
ou à euforia.
Sou, apenas, alguém que  passou por aqui, sem
haver encontrado  o que procurou.
Nem rastro deixou.
Ao fugir da vida e da morte, encontrei quem não
pretendia encontrar.
As sombras, no caminho, me assustaram, falaram
de mistérios e de coisas, que não compreendo.
Hoje, entendo, eram  réplicas sem cor, grito sem
eco, gemido sem dor. 
E eu, não sou ninguém.
Nem o corpo, nem a sombra.
Sou um ser que parou entre a vida e a morte.
É difícil de entender ?
Procure nas entre linhas dos meus versos.
Por isto, tanto versejo "

sábado, 28 de março de 2015

Poema: A RESPOSTA



Entre prantos de alegria,  li e reli mil vezes
o teu  doce poema, " A  PERGUNTA".
O mar me beijou, as estrelas escreveram
lindos versos de amor, e a cachoeira de água
fresquinha, desceu a montanha e veio saciar
a minha sede.
O  luar prateou os meus caminhos, e aspirei
o aroma das flores colhidas em teu quintal.
Que linda a camisa  que usaste em minha
homenagem !
Aproveitei todas as tuas oferendas e sorri,
como pediste.
Fiquei emocionada !
Senti-me num conto de fadas, eu a princesa, 
e tu  o meu príncipe encantado !
Claro que estive aí.
São, apenas, sonhos  vividos por  corações
apaixonados, repletos de saudade, mesmo
estando abraçados  no aconchegante ninho
do amor !
Nunca sai daí, jamais te abandonei.
São almas  entrelaçadas,  abraçadas ao mais
forte sentimento de amar !
Sou tua fantasia, tua ilusão e tudo mais que
quiseres  imaginar.
Alimenta-me, resido nas profundezas do teu
coração.
É só me chamar !

terça-feira, 24 de março de 2015

Poema: A PERGUNTA


Estavas para chegar !
Meu coração, aflito, não sabia o que fazer
para te agradar.
Convidei o mar para te beijar, as estrelas
para versejar, e o luar para te iluminar.
Organizei uma orquestra só de passarinhos,
que abandonaram os seus ninhos, para te
receber com  todo o amor.
Na cachoeira da montanha, fui buscar água
limpinha, para tua sede saciar.
Nos campos da minha Terra, colhi  uma
braçada de flores branquinhas e cheirosas,
para a mesa enfeitar.
Frutos silvestres, nas bandejas  estavam
presentes, para ver teu sorriso brotar !
Arrumei a tua casinha,  lavei os pratos e a
cozinha, estendi uma toalha bem limpinha,
e não esqueci do teu lugar preferido, frente
ao jardim  florido.
Adocei, com mel, os bebedouros dos
beija flores, para na varanda esvoaçar.
Vesti a mais bonita camisa, para te  envolver
num doce abraço, linda mulher !
Tudo isto, coube no meu coração.
Por que não vieste ?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Poema: Punhais de Rosas





As mais lindas que os meus olhos já viram !
Macias e cheirosas, rosas amarelas, por
minh´alma as preferidas, presenteadas por
ela.
Pétalas soltas sobre a mesa, oferecidas a
mim, como se um príncipe encantado, lá
estivesse sentado !
A emoção  deu vazão ao pranto, diante de
tão nobre gesto de amor.
Mas, em cada pétala, um afiado punhal
dilacerou meu  coração.
Degustou  meu sofrimento, saciou a  sede 
em  minhas lágrimas, aumentou a minha dor.
As rosas, de origem traiçoeira e  maldosa,
eram  facas venenosas, para matar um grande
amor.
Meu coração já perdoou...
As inocentes flores trazem, hoje, em cada
pétala, uma lágrima cristalina, lamentando
noite  e dia,  aquela traição.
O tempo que passou, iluminará os caminhos
do tempo que virá.
As rosas amarelas, serão sempre bem vindas.
Mas os punhais, nunca mais !

segunda-feira, 16 de março de 2015

Poema: Pensando em ti



Como nunca, hoje acordei  pensando em ti.
Uma imensa saudade me invadiu !
Apeguei-me a todos os poemas que a ti dediquei,
para acalmar  os meus sentimentos.
Reli-os com dificuldade, pois  o pranto, sem piedade,
só me permitiu chorar.
Minh'alma, sequestrada e dominada, sufocou meu
coração.
O  tempo que passou, não foi capaz de aplacar a
fúria do meu padecer.
Distanciei-me, fui para bem longe, tentei abandonar
aqueles pensamentos, mas até o teu cheiro me
acompanhou. Está em todas as flores.
Como um louco, ouvi  a tua voz por mim a chamar.
Pura alucinação !
Senti-me  expulso  da vida, e rejeitado pela morte.
Conseguiste invadir e escravizar os meus desejos.
Hoje, colho saudade e  sofrimento, frutos de um
amor tão simples como o vento, e tão triste  quanto 
a maldade.
Mas, se algum dia  a saudade  te  abraçar, saibas que
estarei sempre vivendo aquele sublime amor, pensando
em ti ...




terça-feira, 10 de março de 2015

Conto poético: FAIXA DE PEDESTRE



Virou moda, sei disto, a faixa de pedestre.
Transformou-se em passarela !
Desfilando devagar, e jogando seu  charme,
lá vai ela, paralisando o transito.
As buzinas tocam, sem  cessar,  e ela sorri !
No interior dos automóveis, as brigas dos casais
parecem não ter fim. Ciúme agudo ...
A moça é bonita. Muito bonita !
Repete a façanha várias vezes, num vai e vem,
e se delicia com as provocações.
Assobios, piadas, risadas, olhares maldosos e
plateia sempre renovada.
Pura sedução !
Ah, esta faixa de pedestre, tem trazido novidades !
Quem ensinou os cães de rua atravessa-la ?
Pois testemunhei os vira-latas caminhando longos
trechos, à procura de uma faixa de pedestre.
Olham para um lado, para o outro, e somente
se arriscam quando os  automóveis param.
Um verdadeiro espetáculo de inteiração, entre
o homem e o cão.
Todos se admiram, e lá vai o bichinho, claro,
sem provocação mas feliz, pela consideração.
Observo, também, pessoas simples,
agradecendo ao motorista, como se fosse um
favor, a preferência ao pedestre.
Há os arrogantes que, de " nariz em pé", por
vezes, fazem  com que o motorista dê marcha
ré, mostrando a " força do seu direito ".
Virou passarela, palco e balcão de negócios, onde
mulher bonita se destaca na multidão, e cachorro 
de rua, ganha atenção.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Poema: RUTH






Nada mais foi preciso, para chamar a minha
atenção.
Um rosto moreno, sustentando  um olhar
sereno, testemunha as raízes milenares do
meu Brasil.
Uma Tupi Guarani, transbordante de ternura !
Mulher linda e  humilde,  cabelos  negros,
adornados em trança única, de voz  baixa e
macia, domina o cenário.
Gestos tão delicados, jamais comparados a
tudo que nesta vida já vi.
Deitada à maca paraguaia, deixa-se  pelo vento
balançar.
Seu corpo acompanha a dança das  verdes
folhas deste lugar.
Sua conversa, em guarani, nada me permite
entender, além da bela musicalidade do
linguajar.
Seu filho, pequenino, acariciado sem parar,
causa-me inveja ou  um sentimento maior,
que se queira imaginar...
Seu sorriso, inocente e franco, leva os meus
olhos ao  pranto, numa profunda emoção.
Brotam-me sorrisos loucos e, aos poucos, vejo
a felicidade chegar. 
Mas partiu, com o fim do  verão, para um distante lugar, 
prometendo voltar...




    

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Conto poético: TREVAS ILUMINANTES

 
Centro da minha Cidade.
Um homem respira... apenas respira.
Maltrapilho, mendiga.
Não conhece a cor da primavera, nem o prazer
de ver quem gorjeia  tão lindo !
Somente agradece a compaixão alheia.
Nada percebe ao seu redor, penso eu.
O destino lhe foi muito cruel.
Pés descalços, rosto hospedeiro do sinistro.
Mãos desprezadas  e encarquilhadas pelo tempo,
que se nega parar.
Ao chão, uma tabuleta indica o tamanho da
infelicidade.
As esmolas são jogasdas, e o sinal da cruz se
desenha.
Quase um ritual, talvez o cumprimento de uma
promessa feita aos céus.
Fico assustado com tanta desgraça.
Coloquei-me ao seu lado, e ouvi o seu
depoimento, por mim provocado.
Disse-me:
" Nasci assim, nas trevas, sem saber o que é
luz.
O teu mundo é diferente do meu.
Enxergo o que desejo ver, e não vejo as
maldades que estão ao meu redor.
Tenho grandes amigos, neste meu mundo de
sombras.
Conheço o sol,  pelo calor, e a água, pelo frescor
que causa em minha pele. O mar, pelo barulho das
ondas... deve ser lindo !
Os meus olhos estão em minh´alma, e em
meus ouvidos. Por vezes, nas pontas dos
dedos.
Mas posso andar, falar, escutar, sentir o sabor e o
cheiro das coisas...
Não acha que seria exigir muito da natureza,
ainda poder enxergar ? "
Senti-me pequeno, diante daquele homem.
Um verdadeiro filósofo... um ser iluminado
pelas trevas !
Como sou ingrato...
    

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

POEMA: A FORÇA DO POETA


 
Enquanto  seus versos ele declamava,
seu pranto ela derramava.
Das suas  lágrimas nem  se importava,
enquanto seus versos declamava.
Seus olhos, atentos, apenas choraram as
palavras que  da alma do poeta fugiram.
Voaram aos jardins, perfumaram as flores,
e ensinaram aos passarinhos o doce gorjear.
Mostraram os caminhos das pedras  às
águas da cachoeira, com destino ao mar.
Poliram o brilho das estrelas, resplandeceram
o luar.
Abriram  as portas do coração, para o amor
entrar.
Enquanto seus versos ele declamava, o vento
aprendeu  assobiar, e o apaixonado a chorar.
Ah, poeta, ensina-me a voar, quero trazer a minha
amada a este lugar, para ouvir os teus versos
declamar !