Quero falar de ti, com todo o respeito.
Foste corpo, hoje és fragmento, nem
sei do que.
Desforme, vieste nas asas do vento,
parar neste lugar.
Não sei o que procuras.
Talvez, voltar a ser uma flor, um pedaço
de chão, ou chamar a atenção de um
poeta, cheio de emoção...
Todos te rejeitam.
Mas eu te respeito, poeira da minha Terra.
Desconfio que sejas partícula do meu
grande amor, que partiu, há muitos anos,
prometendo voltar.
Em ti, sinto o perfume, o jeito carinhoso
e delicado daquela mulher.
E me olhas com ternura, parecendo
falar de amor. Ela também...
Então, escuto o que dizes, pedindo para
ficar.
Preparo os teus aposentos em minha
taça de cristal, protegida pelo altar da
saudade e rezo, pois acabas de
cumprir a tua promessa de voltar !
Sinval Silveira
Sinval Silveira















