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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Homenagem aos Pais


Amanhece  a vida.
Chega  a minha consciência.
Torceste para ser longo, o meu dia de existência.
Tudo era novidade.
Não sabia, claramente, se estava diante de um homem,
ou na presença de Deus.
As horas vão passando, e aprendo a reconhecer.
Fico surpreso !
Não és, apenas, um homem.

Também,  não és Deus.
És o meu pai. O meu sagrado pai !
Aquele que mostrou os meus caminhos, desviou-me
dos espinhos, procurou fazer-me feliz.
Ensinou-me tudo, acerca da vida, e a todos amar.

Hoje sei  distinguir o bem do mal, o certo do errado...
e continuo sendo amado, ainda que não estejas mais
aqui.
Tuas profundas pegadas, teu sorriso e o teu afago,
fazem parte do meu ser.

Todo o teu amor, transferiste para mim.
As lembranças que carrego, desde os tempos de
criança, são frutos do teu viver._ 

O suor da tua face, mistura-se  às lágrimas  que dos meus
olhos rolam, com a cor da felicidade, e o sabor da saudade.
Desculpa-me por minha existência  haver exigido tanto de ti...
Agora, aceita meu beijo, no rosto ou  na alma, neste teu dia,

tão merecidamente festivo.
Bendito seja Deus, que me permitiu ser o teu filho, querido pai !
 Sinval Silveira

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Conto poético: UM PORTEIRO DE SORTE



Cinelândia, Rio de Janeiro, idos de 1980.
Porteiro de uma casa noturna, Daniel 
conhecia todo o elenco de uma importante  companhia 
de  "teatro de revista".
Um verdadeiro espetáculo, que se repetia todas as 
noites, e em cartaz durante mais de um ano.
Dançarinos, músicos e atores de alto nível.
Mulheres lindas, como o espetáculo exigia !
Zélia, fazia parte do elenco, e sua beleza enlouqueceu 
Daniel.
Homem correto, trabalhador, dedicado ao seu modesto 
emprego, e morador da comunidade da Rocinha...
Trocavam olhares,  na entrada e na saída do Teatro.
 Ambos pareciam não ter coragem de tomar a iniciativa 
de um namoro.
Certa noite, ao fechar a cortina, para apresentação do
último ato, a encantadora Zélia  apresentou-se ao 
público, e  fez um breve relato sobre a sua  admiração 
pelo porteiro Daniel, pedindo-lhe em namoro.
O  felizardo estava sentado  à uma das mesas.
Ao ouvir o pedido da sua musa, desmaiou !
Só acordou com a intensa  manifestação do público 
que, de pé, aplaudiu o casal por uns três minutos.
Daniel foi contratado pela  mesma empresa,em que 
Zélia trabalhava, como contador de histórias de favela.
Passou a ser a atração principal, para orgulho  daquela  
atriz, com quem casou !



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Conto poético:O ROGADOR DE PRAGAS




Esta Ilha encantadora, herdou uma cultura mística,
 muito variada.
Uma  população expressiva de macumbeiros,
benzedeiras, cartomantes e tudo mais.
A  imaginação dos "profissionais" não tinha limites.
Sapo com boca costurada, areia de cemitério,
eram alguns dos ingredientes para a realização
dos "trabalhos".
Mas, perversidade igual ao " rogador de pragas",
não se encontrava.
Nasceu dos sentimentos de inveja, ódio e vingança ...
O seu ambiente de trabalho era tétrico, mal iluminado, 
figuras demoníacas,  velas negras...
O rogador usava balandrau e chapéu negros, além 
de incensar o cubículo, provocando
um cheiro forte, insuportável.
Pronunciava palavras em dialetos incompreensíveis.
Um teatro macabro.
Ouvia as mágoas relatadas por alguém, e 
rogava pragas, desejando as mais variadas infelicidades, 
desde um incêndio, até a perda do emprego ou doenças 
graves.
O curioso é que isto acalmava o "cliente", pois
acreditava estar vingado, com o mal encomendado.
Quando a vítima ficava sabendo que seu nome
circulava na "boca do sapo", tratava logo de procurar
 uma "bruxa do bem", a benzedeira, para desfazer aquele "trabalho".
E, assim, esta população  viveu, durante centenas 
de anos, sob um manto místico e, quem sabe, até poético...

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Conto poético: CAÇADORES DE RAPOSAS




" Era uma vez "...
uma linda floresta, habitada por mansos e 
bondosos animais !
Toda aquela população trabalhava, dia e noite,
e sonhava ser feliz.
Havia uma perfeita organização social, onde todos
  contribuíam com uma parcela dos frutos
produzidos, em prol da coletividade, depositando
tudo numa grande caverna, bem segura.
Era uma enorme riqueza !
Mas, quem deveria ficar com as chaves daquele
precioso tesouro ?
Claro, só poderia ser um habitante que merecesse a
 confiança da maioria daquela população !
Mas havia, também,  raposas espertas, muito
espertas... mentirosas e ambiciosas.
Roubavam, até mesmo, a comida dos 
filhotinhos e o remédio dos animais velhinhos.
Pura maldade !
Pois não é que os animais,  enganados,
entregaram as chaves daquele  tesouro,
àquelas  raposas famintas e desonestas ? 
Sabem o que aconteceu ?
Levaram toda aquela riqueza para as suas 
tocas  particulares...  
Mas que ladrões !
Então, um leão negro, revoltado, mandou
alguns para a prisão. 
Foi aplaudido de pé, pela multidão !
Mas era tanto ladrão... tanto ladrão, que
faltou vaga na prisão !
E a caçada continua, pelas garras dos
gaviões,  até limpar toda a floresta...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Conto poético: O PASSAGEIRO DO VAGÃO 40



É um dia assinalado, consagrado a todos 
os  Santos.
Também, véspera de outro dia especial,
dedicado aos que já partiram...
Flores e velas, perfumam e iluminam, com 
respeito e saudade !
Os sinos, no campanário, não economizam
garganta,  gritando sem parar.
O vagão 40  partiu faz tempo, com destino
 ignorado, mas sabendo onde chegar.
Pensativo, viaja um solitário passageiro.
Todos os Santos o protegem.
Observa e ouve tudo  por onde passa.
Mas o tempo, também,  passa.
Os anos correm noite e dia, sem parar, como
o trem sobre os trilhos.
Ele sabe disto, e se abastece das lembranças,
vivendo da esperança de um dia poder voltar.
Pela janela, observa a vida lá fora.
Parece viajar em círculo...
Algumas cenas se repetem, outras  não.
Neste vagão 40, não embarca mais ninguém.
Só o desembarque é permitido, ficando cada vez mais vazio.
E as estações vão se  aproximando, com menos pessoas
 a esperar,  até que não se escute mais
o ruído dos trilhos, nem o trem apitar...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Conto poético: EU E O MAR



Ao entardecer, caminhei pelas areias
 da praia desta minha Ilha natal.
Dediquei-me a falar de amor, pensar em amor,
e nada mais... 
Um velho pescador, sentado em um pedaço
 de estiva, trazido pela maré da madrugada, chamou
a minha atenção. 
Senhor Maneca, meu amigo !
Estava  lá, tudo o que eu precisava
 para uma boa "prosa".
Chapéu  de palha à cabeça, escondendo o
penteado que já  partiu, faz tempo, mas
persistindo um  par de olhos azuis, legados
 pelos seus antepassados, vindos de Portugal.
Cumprimentos feitos, disse-me:
" Estou à beira deste mar há 89 anos, e muito
ligado a tudo isto.
Na madrugada, sem consultar o relógio, sei as horas
 somente pelo ruído das ondas, quebrando
na praia.
O grunhido das gaivotas noturnas, me informa
de onde o vento está soprando.
A voz grave do costão, me diz se a maré está 
enchendo ou  vazando.
Abrindo a janela do meu quarto, avisto o
 horizonte, onde estão as raízes da minha família.
Todos os dias viajo para lá, passeio entre
 a multidão, mas ninguém me reconhece.
Sinto-me invisível, parecendo um fantasma.
Este mar me conhece, e eu conheço este mar.
Falo a sua língua, sei de  todas as suas manhas. 
Sabe amigo, se eu  fosse alfabetizado, iria escrever
 muitas coisas lindas, que aconteceram
comigo e o mar !
E tenho um segredo que levarei para o túmulo,
pois não posso revelar à ninguém. "
Partiu para sempre. Não revelou o segredo que
mencionou, deixando-me muito pensativo e 
curioso.












 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Poema: INQUIETUDE



Emoções fortes e  indomáveis.
Perdas e sentimentos feridos.
E as lágrimas aproveitam para jorrar.
São, por vezes, muito amargas, descendo
pela face, parecendo cascata, sussurrando sem parar.
Nem os olhos conseguem  evitar.
São prantos, causando espanto a quem tenta
estancar.
Represadas no coração, e temperadas na alma, reclamam
 injusta dor, traduzindo uma história de amor.
Seu gemido parece ecoar no infinito, nublando
a  beleza do luar, inibindo o brilho do céu azul.
Entristece o gorjear dos passarinhos, roubando
o perfume da flor.
De tanto sofrimento, até a última lágrima secou !
Seu olhar, sem vida, parece não querer ressuscitar. 
A alma está ferida, mas com imensa saudade
daquele sublime amor.
E se nega a morrer, alimentada pela inquietude
do coração, nas encruzilhadas da vida, à espera
 de uma nova emoção !
 
Sinval   Silveira

domingo, 14 de junho de 2015

Poema: CALABOUÇO



Revolta, gritos e loucas gargalhadas. 
Grilhões, ruídos de correntes, parecendo
o inferno.
Paredes espessas e sombrias.
Não há porta, tampouco janela.
Água  e alimento, também não.
Foi construído para matar.
Prisioneiros sem visitas, condenados sem 
chorar.
Nem as lágrimas são vistas, nem  ouvido
se dá.
Murmúrios e gemidos, reclamando do 
castigo.
É proibido falar de amor.
Lá dentro, inimigos ferozes causam medo.
Eu sinto medo.
Ah,  vícios  humanos, não merecem outro 
lugar !
Acorrentados, sem perdão, expulsos do meu
coração.
Aqui fora, somente  virtudes e o brilho intenso 
do sol, regendo uma  orquestra
 sinfônica de passarinhos.
À noite, chega a visita
 faceira da  lua cheia, prateando
 a minha Terra,  pintando lindas
estradas nas lagoas, nos rios e no mar.
Ao amor, a vida brindará !
No calabouço, o mal sucumbira....
 
 
 
Autor:  Sinval  Silveira

sábado, 6 de junho de 2015

Poema: PENSAMENTOS CONFUSOS


Ando por estes caminhos.
São estradas e trilhas, sem fim...
Nas margens, não há ninguém, vozes,
ou espinhos.
Pétalas de rosas, também.
Creio que nem margem existe. 
Pura imaginação.
Mas, procuro por alguém, talvez no final
do caminho, se houver fim...
Por enquanto, só procuro. 
Meu fiel cajado, não se afasta de mim,
apoiando este corpo já cansado.
A esperança me alimenta, dá-me forças de 
prosseguir.
Não desisto de encontrar quem jamais vi,
além dos meus sonhos.
Somente eu, sem aplausos, sou protagonista, plateia e artista.
sou caminho, estrada e trilha da minha vida !
E na bagagem, nada, além de pensamentos
confusos...


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Poema: Poeira




 Quero falar  de ti, com todo o respeito.

Foste corpo, hoje és fragmento, nem

sei do que.
Desforme,  vieste  nas asas do vento, 
parar neste lugar.
Não sei o que procuras.
Talvez, voltar a ser uma flor,  um pedaço
de chão, ou chamar a atenção de um 
poeta, cheio de emoção...
Todos te rejeitam.
Mas eu te respeito, poeira da minha Terra.
Desconfio que  sejas partícula do meu 
grande amor,  que partiu, há muitos anos,
prometendo voltar.
Em ti, sinto o perfume, o jeito carinhoso 
e delicado daquela mulher.
E me olhas com ternura, parecendo
falar de amor. Ela também...
Então, escuto o que dizes, pedindo para 
ficar.
Preparo os teus aposentos em minha   
taça de cristal, protegida pelo altar da 
saudade e rezo, pois acabas de 
cumprir a tua promessa de voltar !

 Sinval Silveira

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Poema: SUSSURROS



É bom te olhar, assim, dormindo...
Esboças um suave sorriso, talvez, subjugando
a dor que te vai na alma.
Não sei se estás sonhando.
Teus olhos parados, parecem fechar a entrada  
do mundo.
Estou confuso.
Somente tu sabes o que se passa aí dentro.
Fico, então, a imaginar...
Zelo pelo teu sono, mas quero falar de amor, 
bem  baixinho, para não te acordar.
Rebusco,  em minh´alma apaixonada, tudo
o que sente o meu coração.
Viajo no tempo, nos meus sentimentos e, no 
final, agradeço ao Senhor a graça de te encontrar.
E  te observo, até o dia clarear !
Tenho medo de adormecer, e sonhar  que te perdi.
Em sussurros, aflita, chamas por mim.
Não sairei daqui, enquanto este pesadelo
não chegar ao fim.
De mãos dadas, passearemos nos astros,
ainda que sejam ásperos, os  passos a 
caminhar !
De flores, cobriremos os caminhos, não
falaremos de espinhos, e prestaremos mais
atenção no gorjear dos passarinhos 
    

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Poema: OS TROVÕES DA MINHA TERRA





Verdades, mistérios, crenças e lendas, revelam
 aparências de um povo feliz. Montanhas, densas
 matas e cascatas, são palcos da natureza, verdades 
e belezas deste lugar. Tudo se movimenta...
 Os fortes ventos refrescam a terra, encrespam
 o mar, assustando o pescador.
 E eu, apenas, aprecio. Despede-se o dia e chega
 a noite, com estrelas e luar, sugerindo o amor.
 Voam, sem pousar, os alegres pássaros
 marinhos, sinalizando, ao barqueiro, aportar.
 É hora do trovão falar alto, querendo a trovoada
 impressionar.
 E o costão expulsa as ondas do mar, parecendo
 um guardião.
 Estremece a Ilha, mas nada assusta
 a menina faceira, que consulta a feiticeira, para
 o seu namorado conquistar. Faz macumba e simpatia, coloca
 o santo padroeiro no galinheiro, até o seu
 amor chegar.
 Ao raiar do dia, tudo volta
 ao normal, nesta "Ilha da Magia" !

domingo, 17 de maio de 2015

Poema: O EREMITA DO AMOR


Olhou-me nos olhos, paralisada.
Disse haver sido vítima da precipitação.
Não queria, não podia, não devia, não e 
não... muito menos, me ofender.
Que me amava, com profunda emoção,
jurando, tudo isto, do fundo do coração !
Ajoelhada aos meus pés, banhada em 
lágrimas, pediu-me perdão...
Disse-lhe, então:
Não sou, apenas, um homem, mas um 
poeta.
Qual a razão desta aflição ?
Um poeta é desprovido de ressentimentos,
vive em paz com sua alma, em harmonia 
com os seus versos e pensamentos.  
Aproveita cada momento  para falar de 
amor.
Não há  lugar, nem mesmo nos porões
das lembranças, para armazenar mágoas.
Vive do perfume das flores, e do canto dos passarinhos...
Observa as noites enluaradas, o silêncio
da madrugada, quebrado pelo cantar do 
galo faceiro.
Não tem ouvidos, nem olhos,  para as 
maldades da vida.
Fica feliz com o brilho do olhar alheio, e 
se embriaga com o perfume  do jasmim.
À beira mar, sentado na areia, se encanta 
com a dança das gaivotas, e o canto  da
sereia !
Presta atenção em tudo isto, e veja como 
nada tenho a perdoar...
Sou um eremita do amor !
 
Autor:  Sinval Santos da Silveira

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Poema: ESTRADA ESTREITA


Meus passos são limitados.
Não há espaço. 
Meu caminhar é devagar, nem mesmo
sei onde chegar.
Tento, mas não consigo  retornar.
O ponto de partida, já não está mais lá.
A bagagem, parece cada vez mais  
pesada.
Nas curvas desta estrada, sou assaltado
por tormentosas lembranças, marcadas
pela desesperança de te reencontrar.
À beira do caminho, em abundância, teu
perfume pede carona, e embarca em
minh´alma, sem licença para entrar.
Não consigo negar...
Teu cheiro invade as minhas entranhas,
fazendo-me sorrir e chorar !
E me dominas...
Sento à beira do caminho e, contigo, 
converso sem vontade de calar.
E me abraças, falando de amor...
E me amas, sem falar...
Somente o teu olhar navega nas lágrimas,
até meus olhos encontrar.
São  doces prantos, são encantos, são 
estradas estreitas, encantadas, cabendo
só almas apaixonadas !
Na bagagem, só o teu e o meu amor, 
seguem viagem !
 
autor:  Sinval   Santos da Silveira

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Poema : Homenagem as Mães


 
" Ofereço-te as minhas entranhas.
O meu sagrado corpo, servirá de berço ao teu
nascimento, estimado filho.
O meu amor, será tão forte  quanto o florescer
da primavera.
Jamais haverás de me esquecer...
Bendito seja Deus, que permitiu a tua fecundação,
amado filho meu.
Teus olhos, teu coração, e os teus sentimentos,
serão pedaços meus, a ver, amar,  e sentir, por este
mundo do Senhor ".
São palavras, minha querida mãe, que ouvi mesmo
antes de nascer, ainda protegido em teu ventre.
Lamento, que nenhum ser humano haja sido capaz
de resumir, numa única palavra, todo o amor que
sinto por ti.
Tudo é muito pouco, muito singelo, diante da  grandiosidade
da vida que me deste, do seio que me ofertaste, da
proteção dos perigos, a que estive exposto.
Não posso esquecer a divina felicidade que me propiciaste,
no afago do caloroso beijo de amor.
Uma verdadeira bênção de Deus...
Do corte daquele cordão, que separou meu frágil corpo,
do teu corpo forte, ainda me lembro do ranger  da impiedosa
e inconsequente tesoura, separando-me da tua proteção
biológica.
Perdoa-me pelo gemido de dor, que te fiz passar.
Assim, querida mãe,  neste teu sagrado dia, quero te
ofertar o meu carinho, com um doce beijo, que te darei na
face, ou na alma, para simbolizar o quanto te amo !
 

domingo, 3 de maio de 2015

Poema: RELHO DE ROSAS




Era só amor !
Beijar, como um louco, era muito pouco.
Olhavam-se com ternura, não cabendo
no coração tanta  emoção.
O sorriso dos amantes, ofuscava o luar 
nas encostas do sertão !
Os rios pareciam fios de prata, amarrando
a densa mata, nas entranhas do lugar.
A cascata se calava, para ouvir a voz do 
seresteiro, o dedilhar do violeiro, e o 
sussurro emocionado daqueles corações
apaixonados !
Era a essência da felicidade, brindada
pelo perfume da açucena que, vestida de 
noiva, testemunhou a mais linda cena de 
amor !
Com um relho, feito só de rosas amarelas,
espantou do corpo dela, os zumbis da 
tentação.
Na montanha verdejante, ainda hoje os 
viajantes, apreciam as árvores coloridas, as 
águas  faceiras, comentando a noite inteira,
aquela linda história de amor !
Não há mais zumbi nem assombração, o 
relho  de rosas, como por encanto ou 
simpatia, transformou em doce pranto, o 
amor  nascido nas encostas do sertão !

terça-feira, 28 de abril de 2015

Poema: O ÚLTIMO TRAGO



Cantava, tristemente cantava !
Chorava, declamando lindos versos de amor,
improvisados  na viola. 
Emocionado,  segurava o copo de aguardente,
até a última gota se despedir.
Mesmo sem dedilhar, sua viola vibrava sem
parar !
Já conhecia todos os versos do seu cantador.
Quando embriagado, dormia  no braço da 
viola, repercutindo os acordes do seu coração.
Soluçando ao travesseiro, balbuciava coisas
que nem mesmo ele entendia.
Brigava com sua alma, quando de ébrio lhe
chamava.
De  olhos vermelhos, hálito inflamável, mãos
trêmulas e já recolhidas à inanição, parecia
um zumbi, ou uma assombração.
seguiu seus derradeiros  passos, até sumir 
na multidão, à procura  do amor que sonhou,
consolado pelo último trago que tomou...
Sua fiel companheira, não se calou diante do silêncio do cancioneiro.
Hoje, mesmo sem ser percebida, perambula pelas esquinas da vida, à procura de um novo
tocador !



terça-feira, 21 de abril de 2015

Poema: LÁGRIMAS DE AMOR



Seus olhos morenos, miúdos e serenos,
me olhavam com ternura, sem nada falar.
Apenas um sorriso, suave e discreto, dos
seus  lábios desprendeu.
Suas lágrimas, mensageiras da alma, 
libertadora dos sentimentos, finalmente
falaram.
Nunca mais ficariam caladas, e rolaram 
por sua linda face, procurando por mim.
Molharam o meu rosto, e entraram em
meus olhos, saciaram minha sede, e senti
o seu  gosto de amor !
Ao longe, as cordas de uma  viola, tangendo
na madrugada, fizeram chorar o cancioneiro 
 apaixonado.
Lembranças invadiram minhas entranhas,
batendo forte o meu coração.
Nesta fusão de sentimentos, entre lágrimas
e beijos, sob a testemunha única de um 
céu sem estrelas, mas iluminado por um 
doce olhar, tomei aquela mulher em meus 
braços para, eternamente, amar !

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Poema: EQUIVOCADA PARTIDA



Confusa, parecia aquela convivência.
Cansado, fui embora tentando livrar-me
de imaginário sofrimento.
Nadei na forte correnteza das minhas
lágrimas, expulsando do peito a tristeza.
Parti sem olhar para trás, na certeza de
que, logo ali, estaria o que procurava  o
meu coração.
Rebusquei, em cada esquina da vida, a
verdade da imaginação.
Apreciei  lindas imagens, construí olhares,
ouvi vozes trazidas pelo vento !
Segui  o caminho das estrelas, banhei-me
à luz do luar, e escutei o sedutor canto da
sereia.
Adormeci  na areia, embalado pelas ondas
do mar !
Cheguei ao final da trilha...
Nada havia, além do que deixei na partida.
Tentei abrir os seus braços e pedir perdão.
Não consegui.
Jamais se fecharam e não me deixou falar,
cobrindo-me de beijos !

sábado, 11 de abril de 2015

Poema: ALCOVA



Minha fuga, aporta aqui.
Fujo de mim,
Tudo me parece estranho, no silêncio
deste quarto.
É a minha caverna.
O sono me abandona, e o ruído dos seus
passos,  indo embora, deixa-me exausto.
Tenho certeza, estou só e, quem sabe,
para sempre.
Expulso meus pensamentos desta alcova
mas, desobedientes, me torturam.
Ainda ouço aquele sorriso, vejo o brilho dos 
seus olhos, e os cabelos soltos ao vento.
Sinto as lágrimas do lamento,  encharcando 
o  mento, oprimindo meu  coração.
Tento realinhar as minhas emoções, mas
o perfume da saudade é insistente...
Solitário, medito.
Aqui, neste lugar, não há estrelas, nem luar.
Somente lembranças, esperanças, e o desejo
de não voltar.
Nem mesmo o vento pode entrar.
Não há sol, e nem sei se é noite ou dia.
Os  ponteiros do relógio adormeceram...
Penso  no que passou, e vejo as 
vitórias misturadas às  derrotas.
Nem sei mais distinguir uma da outra.
De braços abertos, em profundo silêncio, 
resta-me Ele, somente Ele, que não se 
cansa de enxugar o meu pranto.