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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Poema: AS FOLHAS DO PLÁTANO



Admirável !
Corações entrelaçados, lembrando armas
de guerreiros, em lanças afiadas.
Folhas verdejantes, sem espinhos, com
intenso carinho, tapetando o chão por onde
caminho.
Despencam  mortas, ganham nova vida,
bailando ao sabor do vento,  falando
coisas que não entendo.
Douradas, foram abandonadas pelo calor
do sol. 
Mas, rendição, jamais !
Ninguém se atreve varre-las.
Estão em festa, abraçando a ressurreição e
a beleza do amor,  testemunhando a alegria. 
Vagam, agora, pelas sombras frias  do 
outono. 
Esquecidas nos estreitos labirintos da vida, 
sem o canto das cigarras, encarceram, para 
sempre,  os corações apaixonados, nas lindas 
folhas do plátano.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Poema: A FONTE SECOU


Maravilhosamente, perfeita !
Esculpida, artisticamente, fez de mim um
enfeitiçado escravo.
Eu sentia ciúme até do batom carmim,  que 
parecia beija-la por mim, ao deixar seu 
rastro de fogo ardente, naquela boca que 
julgava ser minha.
Daqueles lábios, só palavras de amor
jorravam,  como um doce aroma de flor.
Todo aquele encanto, hoje é um amargo
pranto, trazendo sofrimento ao meu 
apaixonado coração.
O lindo batom carmim, que eu tanto
 admirava, transformou-se em barreiras sem fim, em 
abismo de cinismo, num império de mentiras.
Do amor,  nada restou.
Hoje, pago o preço do desprezo, da saudade 
e da dor.
No áspero chão da vida,  até  meu rastro me
abandonou.
Tento, agora, consolar minh´alma.
Não há  mais lágrimas, a fonte secou.



domingo, 20 de setembro de 2015

Poema: OLHOS DA ALMA



Nada quero em minha tela, além da
imaginação.
Pinto tudo o que quero sem, ao menos, 
saber pintar.
Quando falo de amor, meu coração lá
está, pulsando sem parar.
Coloco o rosto dela, na beleza que desejo
nesta tela,  tão secreta que nem o mais 
severo dos críticos, consegue criticar.
O perfume e as  emoções, somente eu sei 
pintar. 
Ninguém precisa enxergar o que  vejo, a
cor da tinta, ou a moldura feita de ternura.
Rabisco verdades, mentiras e abismos,
falando de  amor e  de flor sem espinho. 
Tem, até, beija-flor  branquinho !
Mas o lindo  rosto dela, faz parte dos meus
segredos profundos.
Só minh´alma, e  ninguém mais 
neste mundo, pode desta  beleza desfrutar !




segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Poema: MENSAGEM AO RETIRANTE



Deixaste as lágrimas em outros locais,  
procurando  novos quintais.
Enfrentaste os  mares profundos, com destino
a novos mundos, na busca da paz.
Muitos foram os que ficaram pelo caminho, sem
 conhecer um novo ninho.
Por aqui, encontrarás muito mais.
Meu portão não tem tranca, nem tramela.
Pensando bem, nem portão tem !
Meu quintal tem o formato de um quadrilongo, 
indo do ocidente ao oriente, e do norte ao 
sul,  podendo abrigar muita gente.
No céu da esperança, avistarás  uma estrela
 brilhante, que  
guiará os teus passos !
E no  meu coração, se entende as diferenças, existentes
 na face
 da Terra, sem  falar em guerra mas, apenas, em amor.
Caminhe em linha reta, vire à direita e, depois,
volte ao teu caminho.
Haverás de me encontrar, pelos sinais  que, agora, te dou...
Sei que saberás decifrar esta mensagem, pois
meu foi, também, o Mestre que te ensinou.
Seja bem vindo, Retirante, ao sul de onde estou  !

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Poema: O SEGREDO DA RAINHA



Estou confusa...
Tu me dispensas tanta atenção, me
admiras com tanto amor, que chego a
mudar de cor.
Leva-me às festas, beija-me  e me chamas 
de " rainha" !
Aspiras o perfume que exalo, me  elogias, 
e eu  nada falo. 
Fico  muito feliz !
Ao sentir as tuas mãos, com especial leveza, acredito
 ser mesmo uma " alteza " !
Mas, com o passar dos dias, chega a tristeza.
Não sei porque me abandonas, esquecida
como se eu não fosse o teu amor, uma rosa 
flor.
Troca-me por outra mais viçosa, também
 cheirosa, por vezes de outra cor.
Pedaços meus, ficam  entre as folhas de 
algum livro teu, lembrando  momentos de 
felicidade e com toda lealdade, nada falo ao
teu novo amor.
Mata-me a sede, leva-me ao pedestal,  que
eu prometo exalar o mesmo sedutor perfume, 
sem uma gota, sequer, de ciúme.

Autor: SINVAL SANTOS DA SILVEIRA.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Poema: ESTE BRINDE É PARA TI



Sim, para ti, que ainda aspiras o perfume 
do jardim e que, audacioso, ouves o gorjear  
dos passarinhos, e o esvoaçar das borboletas !
Para ti, que não conheces o ódio, nem 
a vingança, que choras diante do mais
fraco, navegando  nas  lágrimas da saudade.
Que não fazes versos sobre maldade, 
sorrindo frente à bondade, e chorando
de emoção.
Sim, para ti, poeta louco, que ainda acreditas
na inocência da traição, colocando a culpa
na fraqueza do coração.
Brindo, em tua homenagem, especial criatura
que, com brandura, olhas o mundo  com tanta
ternura...  fazendo enriquecer o conteúdo
que habita esta taça da vida, embriagando-me  de  
tanto amor !
Ah, sim, este brinde é para ti, poeta...
Beba, comigo, esta taça transbordante
de alegria,
e leia, em suas entranhas, a mensagem
 que o Universo te encaminha:
"  Ninguém  magoará  um poeta, porque ele é o reino do amor ! " 
autor:   Sinval Santos da Silveira

sábado, 22 de agosto de 2015

Conto poético: O SACI DE DUAS PERNAS




" Era uma vez,  um Saci... "
Espanta  animais da floresta, desmancha 
ninhos de passarinhos, colhe frutas verdes, só 
por  maldade aos bichinhos !
Provoca estouro da boiada, irritando o boiadeiro.
Faz trança no rabo do cavalo, provocando o cavaleiro.
É um Saci malvado, todos dizem, assustando o povoado !
Virou chefe das raposas... larápios organizados.
O  Leão Negro entra em ação, e examina o ladrão.
Está travestido de "Saci Pererê", com um barreto
vermelho à cabeça, pitando charuto
 importado e se dizendo um líder.
Enganou a quase todos.
Faltou o "quase", felizmente !
Ele e os seus quadrilheiros,  roubaram
tudo o que viram  pela frente, até 
a comida dos filhotinhos, e os remédios dos velhinhos.
Depois de examinado, o "suspeito" foi  julgado
por toda a bicharada. 
Este "Saci" deve ser estrangeiro, vindo 
de um país fronteiro... tem as duas pernas, joga 
futebol e bebe muita cachaça, disse o corpo de jurados !
Não é o Saci que conhecemos, de uma perna só,
fumando  cachimbo feito de
 bambu, elegante, amigo e brincalhão !
É um impostor.
Um ladrão.
Que sem vergonha !
Mas saibas, falso Saci de duas pernas, ainda
 que a tua  cela  não tenha tranca ou tramela, te espera
o carcereiro, com um sorriso macabro e alvissareiro !
( Sinval Santos da Silveira ).


sábado, 15 de agosto de 2015

Poema: ANTES QUE AS FLORES FALEM


Fale de amor, antes que elas falem.
São  extratos das paixões, das despedidas
e das boas vindas.
São regadas com lágrimas de felicidade, ou
selos de dor.
Diriam elas:
" Se me permitires, serei os teus lábios 
 e olhares, serei até os teus sentidos
  e, invisível, estarei em tua alma.
Acompanharei os teus passos, por esta vida
afora, e me despirei dos espinhos, só  para 
tornar perfumado e macio o teu caminho.
Não me  abandones !
Mesmo depois de morta, ponha as minhas
 vestes entre as páginas dos teus livros prediletos.
Quero perfumar os teus pensamentos, abraçar
os sentimentos, olhar nos teus olhos e, quando
estiveres emocionada, beberei as tuas lágrimas.
Não permitirei que se percam pelo chão.
Abraçarei a todas, com muita emoção 
 e guardarei, cada gota,  em meu coração !" 
Fale de amor, antes que  as flores  falem.

( Sinval Santos da Silveira )

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Conto poético: POR QUEM CHORAM AS COXILHAS






Na madrugada fria de inverno, zumbe no
beiral  daquela choupana, o  grito de um
 vento  gélido.
 Parece cantar, resmungar ou, talvez, chamar
  por alguém. 
Sonolento, o  velho homem acorda.
 A densa neblina mal lhe permite enxergar o
 cavaleiro da noite, conduzindo a  boiada, que
passa à frente da sua pousada.
 Observa o pala  cinza escuro, cobrindo parte da
  montaria, que troteia na macia terra de areia.
 Os cães, enfurecidos, ladram  freneticamente,
parecendo não respirar.
 Que cenário lindo !
 E o velho gaúcho, chora de saudade do seu
 glorioso passado de peão.
 Corre em direção ao seu rancho,  repleto
de  ricas recordações.
  Procura, ansioso,  a sela, os
 arreios, o pala negro, o chapéu "panamá de abas largas", e
 a garrucha, pronta para berrar.
Tudo está  adormecido,  gaúcho teimoso !
 A sua boiada, há muito tempo passou, o cavaleiro
 da noite, também, e os cães, para sempre, se calaram...
 O orvalho rola pelas coxilhas, parecendo
 lágrimas à procura daqueles olhos secos, que não
 aprenderam a chorar.
 Finalmente, ouviu a vos do
 vento, que lhe disse claramente:
 " Peça  perdão ao Chefe desse Povo aí do Céu, quebra
 a aba do teu chapéu, e volta
  para as tuas coxilhas choronas, gaúcho
 valente e rabugento"!   

Sinval Silveira

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Homenagem aos Pais


Amanhece  a vida.
Chega  a minha consciência.
Torceste para ser longo, o meu dia de existência.
Tudo era novidade.
Não sabia, claramente, se estava diante de um homem,
ou na presença de Deus.
As horas vão passando, e aprendo a reconhecer.
Fico surpreso !
Não és, apenas, um homem.

Também,  não és Deus.
És o meu pai. O meu sagrado pai !
Aquele que mostrou os meus caminhos, desviou-me
dos espinhos, procurou fazer-me feliz.
Ensinou-me tudo, acerca da vida, e a todos amar.

Hoje sei  distinguir o bem do mal, o certo do errado...
e continuo sendo amado, ainda que não estejas mais
aqui.
Tuas profundas pegadas, teu sorriso e o teu afago,
fazem parte do meu ser.

Todo o teu amor, transferiste para mim.
As lembranças que carrego, desde os tempos de
criança, são frutos do teu viver._ 

O suor da tua face, mistura-se  às lágrimas  que dos meus
olhos rolam, com a cor da felicidade, e o sabor da saudade.
Desculpa-me por minha existência  haver exigido tanto de ti...
Agora, aceita meu beijo, no rosto ou  na alma, neste teu dia,

tão merecidamente festivo.
Bendito seja Deus, que me permitiu ser o teu filho, querido pai !
 Sinval Silveira

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Conto poético: UM PORTEIRO DE SORTE



Cinelândia, Rio de Janeiro, idos de 1980.
Porteiro de uma casa noturna, Daniel 
conhecia todo o elenco de uma importante  companhia 
de  "teatro de revista".
Um verdadeiro espetáculo, que se repetia todas as 
noites, e em cartaz durante mais de um ano.
Dançarinos, músicos e atores de alto nível.
Mulheres lindas, como o espetáculo exigia !
Zélia, fazia parte do elenco, e sua beleza enlouqueceu 
Daniel.
Homem correto, trabalhador, dedicado ao seu modesto 
emprego, e morador da comunidade da Rocinha...
Trocavam olhares,  na entrada e na saída do Teatro.
 Ambos pareciam não ter coragem de tomar a iniciativa 
de um namoro.
Certa noite, ao fechar a cortina, para apresentação do
último ato, a encantadora Zélia  apresentou-se ao 
público, e  fez um breve relato sobre a sua  admiração 
pelo porteiro Daniel, pedindo-lhe em namoro.
O  felizardo estava sentado  à uma das mesas.
Ao ouvir o pedido da sua musa, desmaiou !
Só acordou com a intensa  manifestação do público 
que, de pé, aplaudiu o casal por uns três minutos.
Daniel foi contratado pela  mesma empresa,em que 
Zélia trabalhava, como contador de histórias de favela.
Passou a ser a atração principal, para orgulho  daquela  
atriz, com quem casou !



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Conto poético:O ROGADOR DE PRAGAS




Esta Ilha encantadora, herdou uma cultura mística,
 muito variada.
Uma  população expressiva de macumbeiros,
benzedeiras, cartomantes e tudo mais.
A  imaginação dos "profissionais" não tinha limites.
Sapo com boca costurada, areia de cemitério,
eram alguns dos ingredientes para a realização
dos "trabalhos".
Mas, perversidade igual ao " rogador de pragas",
não se encontrava.
Nasceu dos sentimentos de inveja, ódio e vingança ...
O seu ambiente de trabalho era tétrico, mal iluminado, 
figuras demoníacas,  velas negras...
O rogador usava balandrau e chapéu negros, além 
de incensar o cubículo, provocando
um cheiro forte, insuportável.
Pronunciava palavras em dialetos incompreensíveis.
Um teatro macabro.
Ouvia as mágoas relatadas por alguém, e 
rogava pragas, desejando as mais variadas infelicidades, 
desde um incêndio, até a perda do emprego ou doenças 
graves.
O curioso é que isto acalmava o "cliente", pois
acreditava estar vingado, com o mal encomendado.
Quando a vítima ficava sabendo que seu nome
circulava na "boca do sapo", tratava logo de procurar
 uma "bruxa do bem", a benzedeira, para desfazer aquele "trabalho".
E, assim, esta população  viveu, durante centenas 
de anos, sob um manto místico e, quem sabe, até poético...

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Conto poético: CAÇADORES DE RAPOSAS




" Era uma vez "...
uma linda floresta, habitada por mansos e 
bondosos animais !
Toda aquela população trabalhava, dia e noite,
e sonhava ser feliz.
Havia uma perfeita organização social, onde todos
  contribuíam com uma parcela dos frutos
produzidos, em prol da coletividade, depositando
tudo numa grande caverna, bem segura.
Era uma enorme riqueza !
Mas, quem deveria ficar com as chaves daquele
precioso tesouro ?
Claro, só poderia ser um habitante que merecesse a
 confiança da maioria daquela população !
Mas havia, também,  raposas espertas, muito
espertas... mentirosas e ambiciosas.
Roubavam, até mesmo, a comida dos 
filhotinhos e o remédio dos animais velhinhos.
Pura maldade !
Pois não é que os animais,  enganados,
entregaram as chaves daquele  tesouro,
àquelas  raposas famintas e desonestas ? 
Sabem o que aconteceu ?
Levaram toda aquela riqueza para as suas 
tocas  particulares...  
Mas que ladrões !
Então, um leão negro, revoltado, mandou
alguns para a prisão. 
Foi aplaudido de pé, pela multidão !
Mas era tanto ladrão... tanto ladrão, que
faltou vaga na prisão !
E a caçada continua, pelas garras dos
gaviões,  até limpar toda a floresta...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Conto poético: O PASSAGEIRO DO VAGÃO 40



É um dia assinalado, consagrado a todos 
os  Santos.
Também, véspera de outro dia especial,
dedicado aos que já partiram...
Flores e velas, perfumam e iluminam, com 
respeito e saudade !
Os sinos, no campanário, não economizam
garganta,  gritando sem parar.
O vagão 40  partiu faz tempo, com destino
 ignorado, mas sabendo onde chegar.
Pensativo, viaja um solitário passageiro.
Todos os Santos o protegem.
Observa e ouve tudo  por onde passa.
Mas o tempo, também,  passa.
Os anos correm noite e dia, sem parar, como
o trem sobre os trilhos.
Ele sabe disto, e se abastece das lembranças,
vivendo da esperança de um dia poder voltar.
Pela janela, observa a vida lá fora.
Parece viajar em círculo...
Algumas cenas se repetem, outras  não.
Neste vagão 40, não embarca mais ninguém.
Só o desembarque é permitido, ficando cada vez mais vazio.
E as estações vão se  aproximando, com menos pessoas
 a esperar,  até que não se escute mais
o ruído dos trilhos, nem o trem apitar...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Conto poético: EU E O MAR



Ao entardecer, caminhei pelas areias
 da praia desta minha Ilha natal.
Dediquei-me a falar de amor, pensar em amor,
e nada mais... 
Um velho pescador, sentado em um pedaço
 de estiva, trazido pela maré da madrugada, chamou
a minha atenção. 
Senhor Maneca, meu amigo !
Estava  lá, tudo o que eu precisava
 para uma boa "prosa".
Chapéu  de palha à cabeça, escondendo o
penteado que já  partiu, faz tempo, mas
persistindo um  par de olhos azuis, legados
 pelos seus antepassados, vindos de Portugal.
Cumprimentos feitos, disse-me:
" Estou à beira deste mar há 89 anos, e muito
ligado a tudo isto.
Na madrugada, sem consultar o relógio, sei as horas
 somente pelo ruído das ondas, quebrando
na praia.
O grunhido das gaivotas noturnas, me informa
de onde o vento está soprando.
A voz grave do costão, me diz se a maré está 
enchendo ou  vazando.
Abrindo a janela do meu quarto, avisto o
 horizonte, onde estão as raízes da minha família.
Todos os dias viajo para lá, passeio entre
 a multidão, mas ninguém me reconhece.
Sinto-me invisível, parecendo um fantasma.
Este mar me conhece, e eu conheço este mar.
Falo a sua língua, sei de  todas as suas manhas. 
Sabe amigo, se eu  fosse alfabetizado, iria escrever
 muitas coisas lindas, que aconteceram
comigo e o mar !
E tenho um segredo que levarei para o túmulo,
pois não posso revelar à ninguém. "
Partiu para sempre. Não revelou o segredo que
mencionou, deixando-me muito pensativo e 
curioso.












 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Poema: INQUIETUDE



Emoções fortes e  indomáveis.
Perdas e sentimentos feridos.
E as lágrimas aproveitam para jorrar.
São, por vezes, muito amargas, descendo
pela face, parecendo cascata, sussurrando sem parar.
Nem os olhos conseguem  evitar.
São prantos, causando espanto a quem tenta
estancar.
Represadas no coração, e temperadas na alma, reclamam
 injusta dor, traduzindo uma história de amor.
Seu gemido parece ecoar no infinito, nublando
a  beleza do luar, inibindo o brilho do céu azul.
Entristece o gorjear dos passarinhos, roubando
o perfume da flor.
De tanto sofrimento, até a última lágrima secou !
Seu olhar, sem vida, parece não querer ressuscitar. 
A alma está ferida, mas com imensa saudade
daquele sublime amor.
E se nega a morrer, alimentada pela inquietude
do coração, nas encruzilhadas da vida, à espera
 de uma nova emoção !
 
Sinval   Silveira