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quinta-feira, 3 de março de 2016

Poema: A AMANTE DOS DEUSES


Soterrada pelo lixo,  desfigurada sem  piedade,
e vítima da maldade, em dormência permanecia.
Já frequentou a nobreza, foi admirada por sua beleza, e 
desejada pela pobreza.
Por mãos piedosas, retornou ao aconchego 
da terra...
Deu vida aos seus rebentos, flores brancas
soltas ao vento, acolheu abelhas aos milhares.
Ramagens atrevidas, cobrem as árvores 
coloridas, tomando conta do lugar.
Agora, cachos de uvas rosadas, dominam os jardins dos meus sonhos !
Alimentam os passarinhos, e saciam desejos 
dos  vizinhos.
Servem de palco ao canto das  cigarras,
aguçando a imaginação dos poetas !
É visitada pelos Deuses, atraídos por sua doçura.
HERMES, não perde tempo, vai ao Monte Olimpo
e espalha a novidade...
Ouvem-se gritos, gargalhadas e  assobios, num
frenesi de intensa alegria,  brindando o ressurgimento da vida.
BACO se embriaga. estufa a pança, brinca e 
dança na madrugada, querendo AFRODITE conquistar.
CRONOS, radiante, sente orgulho  do  pomar !
Faceira, a  feliz parreira  brinda os seus
amantes, Deuses tão  importantes !
Sinval Santos da Silveira








quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Conto poético: MAIS UM GOLE DE CACHAÇA


Hoje, ao cair da tarde, conversei com um 
velho homem.
Gosto muito de conversar com pessoas
experientes .
Aparentava uma profunda  tristeza...
Seus olhos estavam  fundos  e congestionados.
Talvez  tivesse chorado por muito tempo.
Senti, em seu hálito, um cheiro forte de 
álcool, cachaça da braba !
Não quis questiona-lo, para não magoa-lo.
Espontaneamente, disse-me:
" Estou  sofrendo, amigo.
É uma dor tão doída,  que não há medico, ou 
remédio, que possa curar-me...
A dor do amor mata, sabias ?
Eu não pretendia ama-la por muito tempo
 mas, sim, eternamente.
Não me entendeu, ou não me amava o suficiente
 para compreender o meu jeito de ser.
O amor pode ser um remédio para todos os males, ou 
um veneno de morte.
Eu a cobria de  carinhos.
Tempos depois, queria voltar.
Preferi manter a minha dignidade...
Meu corpo permanece vivo, mas minh´alma
está morta, de tanta tristeza."
Concluiu o seu desabafo, dizendo-me que já
se  passaram 27 anos, e a dor cada vez maior." 
Dito isto, bebeu mais um gole de cachaça, com 
um olhar perdido
 no passado, e as lágrimas no presente.
Eu consegui entende-lo, também, com 
muita  tristeza...









quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Poema: AS ÚLTIMAS AMARRAS



Preciso da ajuda dos céus, para livrar-me 
deste sofrimento.
Enfraquecido, como um  ébrio cambaleante,  
fujo para bem distante, onde os meus olhos  
não podem alcançar.
Tenho  medo deste lugar.
As montanhas me vigiam, e a minha 
consciência,  parecendo o eco, sempre quer voltar.
As cachoeiras, em meu nome,  murmuram  histórias que não  contei.
O bambuzal  gargalha na mata, para me assustar.
Chegou a hora de  partir...
Destas  algemas, quero me livrar.
São amarras danosas, que maltratam a alma,
fazendo-me chorar.
Invisíveis,  doem feito farpas cravadas
 à traição, lá no fundo do meu coração.
Foram promessas não cumpridas, lágrimas
fingidas, traições nas encruzilhadas da vida.
Custei a enxergar...
Fica o pranto de uma profunda dor, e se vai 
um  grande amor !


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Poema: ALMA CREMADA



Minha sereia deitava na areia, para
comigo  namorar.
Chegava  na madrugada, conversava
com a passarada, trazendo notícias do 
fundo do mar.
Tudo era só encanto.
Mas, li em seus olhos a chama do amor 
se apagar.
Sua beleza  chamou a atenção de um 
pirata pescador, que a levou para bem 
longe deste lugar.
Do trapiche, ainda vejo na flor da água, 
o rastro que o seu barco deixou.
Foi embora,  habitar outros mares, quem 
sabe no norte, quem sabe no sul...
Abandonou o meu ninho, deixando um 
triste passarinho, sem alegria para cantar.
Nem mesmo a força da lembrança,
conseguiu manter a esperança de um 
dia ela voltar.
Hoje, na mesma praia de areia branquinha, um
 bilhete, numa  garrafa vazia,  flutuava
nas ondas do mar.
Ansioso, li a  mensagem que escreveu com
 euforia, mandando minha alma cremar !
Cumpri o seu desejo.
Agora, vou semear as cinzas no alvorecer
de uma nova vida, na esperança de  outro
amor  encontrar !
    

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Poema: REVERÊNCIA ÀS LÁGRIMAS



Nascidas no fundo da alma, emergem 
querendo falar.
Incontidas, rolam em minha face, trazendo
emocionadas  noticias de lá.
Em cada gota, ecoa no peito um grito de 
saudade.
Não ouso mudar o curso da sua corrente.
Recadeiras  do infortúnio, solidárias a
 minha tristeza, acariciam 
meu rosto, amenizando o desgosto.  
Chegam em silêncio, mas  deixam
 rastros pelo caminho.
Sei muito bem o que dizem...
No espelho, um rosto desfigurado pela 
cruel decepção, faz-me refletir sobre a 
tempestade que me envolve.
Antes de tudo, preciso de um remanso
para me abrigar, de um novo sorriso para
trazer de volta o brilho do meu olhar.
Do calor de um abraço amigo, também,  
careço.
Estou só, com minhas profundas chagas, mas 
reverencio as lágrimas, pelos  recados
que me dão, em nome da alma e do coração.

     Sinval  Santos da Silveira

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Poema: UM ANJO EM TRANSFORMAÇÃO



 Sem falar uma só palavra, joga fora suas roupas
 de anjo, e se mostra, de corpo inteiro, ao seu
 verdadeiro amor.
 Choram de emoção...
 Em gestos lentos, retira de uma mala sobre o
 leito,  suas  vestes de  uso cotidiano.
 Desfila, graciosamente, como a leveza de uma
 pluma, levada pela brisa da manhã...
 Na plateia, somente um par de olhos apaixonados,
 a observa,  atentamente.
 São  obsessivas mudanças,  quase um transe de
 esperança,  querendo outra vida alcançar.
 Experimenta, em desespero, a porta arrombar, para fugir

  daquele lugar.
 Não consegue !
 Vestida de negro,  cabelos dominados, boca pintada
 da cor do pecado,  só lhe restou o repouso nos braços
 do seu grande amor.
 Murmuram sons, somente compreensíveis  por quem
 vive uma grande paixão.
 Afinal, nada precisam dizer.
 Os sentimentos são as cortinas do palco da vida !
 No chão,  por testemunha ao  espetáculo, a mala
 esvaziada pelo gesto de ternura, aguarda, calada, a
 volta do lindo vestuário de sedução, para a próxima
 sessão.


Sinval Santos da Silveira

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Poema: ENTRE O MEDO E A PAIXÃO




Amei aquela alma, como ninguém.
Sagrada criatura, repleta de ternura,
simplesmente, me fez feliz !
Esqueci a vida, e  nada mais me assustou.
Perdi o medo de ter medo de ser feliz. 
Saltei abismos profundos, dei adeus ao 
mundo, para estar nos braços  dela.
Entre a sorte e a morte, venceu a vida,
aplaudida pela esperança, como um 
sorriso de criança, a debulhar pétalas de  
rosas.
Mas, com o decorrer do tempo, tudo mudou.
Meus olhos estão voltados para o firmamento,
à procura de novos  pensamentos, que me salvem daquela  paixão.
Sofro  a  dor da saudade, a insegurança 
trazida pela imaginação, por haver perdido 
quem tanto acreditei  ter  nascido, somente 
para  me  amar.
O engano me trouxe o amargo pranto mas,
também, a sábia lição de não transformar 
um amor, em alucinação...















quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Poema: A EXUMAÇÃO E O FEITIÇO



Há suspeita de veneno, a morte daquela 
paixão.
Dizem que foi  inveja,  olho grande ou 
azarão.
Cercada de poesia,  flores  e passarinhos 
a cantar, desapareceu o encanto, nascendo 
o pranto em seu lugar.
Da constelação dos amantes,  foi a estrela
mais brilhante, embevecendo um lindo amor !
Parecia uma felicidade sem fim...
Hoje,  procuro  no rastro da verdade, tropeçando
na esteira  da  saudade, o motivo da separação. 
Somente com a exumação da  alma, aflorou a
razão.
Não  achei o que  diziam, mas encontrei 
fragmentos  de  mentiras, pedaços de traição, que 
levaram à  morte aquela grande paixão.
Vi a vida  se esvair entre os dedos...
Sopra, agora, o vento da bonança, trazendo uma 
forte esperança, daquele amor renascer.
Até a  cartomante,  duvidou a todo instante, da 
ressurreição daquele amor.
Estava certo o feiticeiro,  jogando a galinha preta 
ao nevoeiro, exigindo que ela voltasse... e voltou !



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Poema: ESBULHO


Nas entrelinhas dos teus versos, meu
nome, faceiro,  aparecia.
Interpretava, orgulhoso,  todo o texto 
amoroso, dirigido aos meus sentimentos.
Da doce ilusão, nem uma letra  restou.
Não me vejo mais incluído, no vendaval
daquela paixão...
Foram desfeitas as  rimas e as ilusões.
Sem haver pecado, embora fui mandado,
e ao sofrimento condenado.
Somente sou encontrado nas 
frases do passado.
Sou interrogado, como se fosse  culpado  
de atos  que  nem sei.
Expulso da poesia, sem haver cometido
heresia,  sinto-me uma letra morta.
Não desejo mais desfilar nos teus poemas,
ainda que restrito à  exclamação,  ou ao 
ponto de interrogação.
Quero libertar meu sofrido coração,  dar
asas à imaginação, e caminhar sem culpa 
ou pecado, levando na  memória a mágoa 
de  haver sido,  dos teus versos,  esbulhado.
 
Autor:   Sinval Santos da Silveira



    

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Poema: RAPINEIRA



Seguindo os passos cambaleantes,
não perdendo  um só instante, surge 
o  momento fatal.
Sobrevoa  na espreita,  escondendo  a 
sombra do mal.
Sem piedade, desprende dos ossos
a carne, que  a morte lhe ofereceu.
Por sobrevivência, o perdão mereceu !
Soltando o seu grito de guerra, meu 
coração estremeceu.
Atento,  observo...
Não sou vítima, nem autor !
Tenho  medo do açoite,  do vento forte
da noite, que me trazem de volta as 
amargas lembranças.
Como um eco, sempre retorno  para 
ouvir, quem sabe sentir, o alarido do grito,
o pavor de quem não consegue da morte 
fugir.
Do que restou, somente as plumas fugiram,
levadas  pelo vento, como um alento,  na
direção do nada.
Da natureza premiada, sobrevive, nas alturas, 
a vida que a rapineira levou.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Poema: MINHA CEIA DE NATAL


Será com pães do dia anterior, bananas e, 
talvez, laranjas, uma caneca de café, quem 
sabe, um pouco de leite.
Tudo isto é mais que suficiente, para um 
humilde nascimento  relembrar...
Sinto vergonha de encher a pança, sabendo
que tem criança, ao meu lado, de fome a
chorar.
Beberei somente água fresca  da bica e,
a cada ingestão, farei uma oração de 
agradecimento, em memória ao nascimento
daquele Ser  tão especial.
Não  exibirei mirras,  tâmaras, nem jarras  de 
vinhos, muito menos reis  e  presentes.
Pedirei perdão ao  Pai, por  não haver seguido todos
 os conselhos  do seu Filho.
Caso encontre pelo caminho algum pobre com
fome, será meu convidado especial.
Assim, será minha Ceia de Natal !
 
 
Sinval  Santos da Silveira





domingo, 6 de dezembro de 2015

Poema: LEMBRAS DE MIM ?


Já faz tanto tempo...
Certamente, não te recordas.
Sou aquele que  te ama e a quem juravas,
eternamente, me  amar.
Que velou pelo teu sono, não permitindo a
maldade, de ti, se aproximar.
Rezei por tua felicidade !
Pedi a Deus proteção aos teus passos,
luz nos teus caminhos e noites sem trevas.
Fiz promessas, empenhei minha palavra 
junto  ao Santo de minha devoção.
Escolhi o canto dos passarinhos, o perfume
das flores, e o luar  mais prateado do sertão,
para  aos teus pés depositar.
Da chuva e do frio, te protegi com o meu 
corpo !
Nas encruzilhadas da vida, aconselhei a 
melhor direção a seguir, removendo pedras 
do caminho, sentindo as tuas dores  e 
solidário nas  angústias.
Carreguei os fardos mais pesados, nas 
estradas do passado,  que o destino, sem 
piedade, em teu
 colo depositou.
Agora, mesmo esquecido, continuo a te 
amar, sem que te  lembres de mim e, 
creia-me, sou feliz assim...

Sinval Santos da Silveira


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Conto poético: AMOR EM COMOÇÃO




Madrugada.
Fria madrugada !
Os pássaros noturnos sobrevoam as águas
bravias dos costões, não dando trégua aos
cardumes, que brilham à superfície, sob à luz
intermitente dos relâmpagos no horizonte.
O predador maior, de chapéu de palha à cabeça,
olhar fixo no movimento da maré, tem
 a sua atenção quebrada pela  angústia de um grito
de mulher.
Chora, à beira da loucura, sem perder a ternura,
num redemoinho de sofrimento. 
Comovente !
Distante, observo e me assusto...
Os gritos se misturam, agora,  aos trovões
 da tempestade, trazendo a dor, o medo  e a saudade.
Imagino a intensidade daquele amor, e quem
poderia  merecer tamanho clamor...
Ah, vida !
Por que não me ofereces um amor assim, 
repleto de mistérios, desejos, redemoinhos
 de alegrias  e gargalhadas  de felicidade ?
Meus braços estariam eternamente abertos,
transformando o frio da  madrugada, num
ardente  amor !

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Conto poético: CAFÉ COM AMOR



Conversei, hoje,  com um velho amigo.
Vi  tanta felicidade em seus olhos, que
resolvi aprisionar, nestas poucas letras, 
as  emoções que me passou, ao me dizer
com um largo sorriso:
" Estou convencido de que a felicidade  
pode estar em qualquer lugar.
Uma caneca de café, adoçada com um 
meigo olhar, se transforma num lauto 
jantar.
Um gesto de carinho, é  tão  lindo quanto 
canto do passarinho, na  primavera  a
festejar !
Aquela alma de mulher envolveu meus 
sentimentos, sem uma palavra sequer.
Não me recordo do que havia na mesa
além do beijo e do carinhoso abraço,  
como  provas do  seu amor ! 
Nem sei se toalha havia, pois seu lindo rosto,
o tempo todo, me  seguia " !
Ah, velho  amigo, deixa que, por ti, escrevo 
eu, e não enxugas essas lágrimas, são 
testemunhas  do  que aconteceu.
Bem sei o nome dela, mas a ninguém  contarei.
São segredos da vida, realidade por enquanto
proibida, que guardarei em meu coração !

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Conto poético: ENTRE UM DRINK E OUTRO






Ela me olhava.  
Eu, tímido, enrubescia e de vergonha tremia, com medo 
do seu olhar.
Tão linda e nem sei porque me olhava.
Por piedade, quem sabe.
Sentia felicidade em poder desfrutar da sua distinção.
Ela bebia, eu não !
Entre um drink e outro, beber, eu fingia.
Mas, seu olhar eu não perdia.
Finalmente, levantou a sua taça, numa 
oferenda delicada para brindar.
Nobremente, pediu-me licença para sentar-se
a minha mesa. 
Desdobrei-me, para ser um cavalheiro.
Naquele momento, foi ela quem enrubesceu, talvez
 por surpresa do merecido tratamento.
As taças, faceiras, brindaram. 
Estavam cheias, parecendo falar na linguagem do " tim... tim...".
A dela, com uma mistura de  revolta e saudade...
A minha, repleta  de amor.
Ao tilintar, afogou meu  jeito simples de ser.
Tão bonita, mas  em sua taça da vida, faltava 
ternura e transbordava rancor.
Estas profundas rugas que, hoje, sombreiam 
meu semblante, são canais da saudade, por onde 
escoam minhas lágrimas, nascidas naquela taça, que
comigo brindou esta amarga vida, entre um drink e outro ! 

Autor:  Sinval Santos da Silveira

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Poema: PERFUME COLORIDO


Saiu  do meio das flores, para me abraçar.
Acariciou-me a face.
Olhou-me  com aqueles olhos miúdos, 
querendo falar alguma coisa...
Exalava  perfume, parecendo oferecer-me 
as pétalas que acabara de beijar.
Tudo, silenciosamente perfumado, como se
fosse  um jardim  voando ao meu redor.
Fazia reverências, conquistando com 
graça a minha humilde atenção !
Beijou-me os lábios, e embrenhou-se no  
pé de jasmim.
Traduzo, então, a sua carinhosa  mensagem:
"Somos do mesmo reino, com  formas diferentes. 
Aceita o meu abraço, meu  perfume e minha
admiração.
Este é o meu jeito de amar.
Tu, versejando lindos versos e, eu, fecundando
as flores para o teu amor conquistar ! "
Linda e sedutora borboleta, de asas abertas  és 
o  perfume dos meus  sonhos coloridos !

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Poema: AS MIGALHAS POR TESTEMUNHA


Li, em seus olhos, o que restou daquele
intenso amor. Nada !
Olhei o passado,  lembrei as  juras sem 
pecados, as lágrimas  de  ternura, na alegria 
de amar.
Senti-me desprezado, pelo mundo 
abandonado, sem um chão para deitar
este corpo cansado.
Nada mais  poderia lhe oferecer, além de 
um  puro amor.
Muito pouco, achou !
Esqueceu o vento perfumado, o acalento
do abraço, a emoção dos recitais poéticos,
a ela dedicados.
Fui trocado por um  sorriso encantado, que
só Deus sabe, vindo de quem.
Vejo as mágoas a rolar, no olhar confuso
de  quem  tudo deduziu, à  luz de um ciúme doentio.
À sombra dos ressentimentos, não se lê os
pensamentos, nem a força do bem querer.
Pelo chão, as migalhas do que restou, testemunham
 uma profunda dor !