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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Poema: SUA MAJESTADE


Não queiras, amigo,  passar pelas coisas que já
passei.
Ainda fico assustado com as lembranças do passado, com  os
 cabelos enfeitados,  e os lábios de carmim  pintados, sorrindo
 só para mim.
Do  olhar brilhante, não esqueço um só instante.
A voz macia, hoje tenho certeza, era bruxaria. 
Vinha da alma e como o vento, somente  sentia.
Não queiras saber, amigo, a força  de um carinho, que
 mudou o meu destino, da "água para o vinho".
Já  consultei bruxas,  benzedeiras e cartomantes,
mas é  feitiço forte, que habita nos  amantes. 
Não tem cura ! 
Nem mesmo vacina existe, e ninguém  está imune.
Fica-se alegre e triste, sorrindo do que foi bom, chorando 
 pelo que  nem existe.
Hoje, sigo os passos da minha sombra,  gargalho com
 as gaivotas, que
 me trazem  recados das sereias, lá do fundo  do mar !
Pode ser  loucura, mas ainda sinto a ternura  do seu jeito de andar.
Das suas vestes, tão lindas, nunca mais vi nada igual !
Perambulo pelo mundo, à procura do que passou,
mas nada encontro, alem da "Sua Majestade", uma tal
 de saudade !
Não queiras passar por isto, amigo..
 
Sinval Santos da Silveira






sexta-feira, 6 de maio de 2016

Poema: O PIRATA SEM PERNA DE PAU


Por muito tempo, ouvi o mar.
Compreendia as suas angústias e alegrias.
Falava de bruxas, sereias e piratas.
Eram vozes que chegavam de longe, muito
além do horizonte...
Depositava  sal no costão, como  oferenda
por  minha atenção.
O  vento entoava canções, e  eu adormecia 
 e sonhava !
Nem mesmo o  grunhido da gaivota  
enciumada, me acordava.
Em  meus sonhos, sempre aparecia um
pirata, sem perna de pau ou tapa  olho.
Ameaçador, queria levar o meu amor.
O mar me protegia, fazendo barulho nas 
rochas  do costão, para espantar o vilão. 
Cada estrondo parecia um tiro de canhão.
E eu, ciumento como a gaivota, chorava.
Mas foi ela quem se deixou levar, para nunca 
mais voltar, entregando o tesouro que  me
pertencia.
Até isto, o  mar  me  contou...
Ainda  hoje, adormeço naquelas rochas,  
ouvindo uma linda  sereia, de cabelos longos 
e  negros, a cantar, só para mim !


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Conto poético: A BRUXA DO COSTÃO



É, apenas, uma pedra, apelidada  de 
"guarita".
Todos os pescadores a conhecem.
Muitas histórias, talvez lendas, giram ao 
seu  redor.
A noite estava calma, assim como manso,
estava o mar.
As águas  espelhavam uma linda 
estrada prateada, parecendo 
subir nas encostas da montanha.
Senti-me  parte daquele belo espetáculo.
Estava só, com  os meus pensamentos 
repletos de imaginação.
Para espantar o medo, cantava ou assobiava.
Muitas histórias de assombração ouvi, desde
menino, sobre a  " guarita ".
Piratas assassinos, sereias e bruxas, moravam
lá, garantiam os velhos pescadores.
E eu estava "lá", na madrugada.
Lembrei-me da história mais contada
 nas "vendinhas" do lugar.
Narravam:
" Escutei um murmúrio,  vindo daquela pedra.
Poderia ser um animal da mata, ou o barulho 
do mar. 
Mesmo assustado, fui  olhar.
Uma linda e sedutora mulher, distante pouco
 mais de vinte metros,  chamava por mim.
À medida que dela me aproximava, mais perto
do mar ela ficava.
Andava  sobre a água, na estrada prateada,
fazendo sinal para acompanha-la.
Fui até à beira das pedras mas, por medo,
recuei.
Salvei a minha vida e ela  sumiu  no meio 
de frenéticas  gargalhadas.
Muitos pescadores desapareceram  naquele
 pesqueiro,  sem causa aparente... ".
Até hoje,  contam esta  história da "bruxa do costão".
Mas eu só ouvi  grunhidos de gaivotas, atrás 
das rochas, parecendo gargalhadas.
O medo faz coisas...


Sinval Santos da Silveira









quarta-feira, 20 de abril de 2016

Conto poético: O CORTIÇO



Era um velho casarão.
Paredes pela metade, sem portas, e
telhado sem forro.
Divisão de espaço, apenas  para 
demarcação.
Sem privacidade, sem higiene, sem 
tudo...
Sobreviver, naquelas condições, era um 
covarde desafio.
Muitas famílias, todas miseravelmente 
pobres, lá  viveram e  em harmonia, talvez 
unidas pelo sofrimento, quem sabe pelo   
respeito ou medo.
Era um  " cortiço ", pouco melhor que uma estrebaria.
Voltei  aquele lugar  para conferir, mas já não existe.
Uma suntuosa " residência de dois  andares ",
me surpreendeu.
Um luxuoso automóvel, com crianças bem
cuidadas... que contraste !
Lembrei-me, então, dos amigos que 
viveram naquele pardieiro, e  por onde 
poderiam andar... fazendo o que ?
Indaguei  de um velho homem, que 
também conheceu aquela  " vergonha ",
sobre o destino de alguns moradores.
Para  minha surpresa, disse-me que
todos sentem muito orgulho de haverem
sido moradores daquela velha casa, e 
se  tratam como  irmãos e que houve
muita prosperidade entre eles.
Disse-me, mais:
"  A  falta de tudo,  trouxe fartura de amor. 
Virou uma só família,  muito forte ! "
Fiquei feliz com a notícia !
 
Sinval Santos da Silveira







quinta-feira, 14 de abril de 2016

Poema: O HOMEM QUE PINTOU O CÉU


Esta madrugada, vou pintar o Céu,  para
presentear a minha amada !
Um cacho de rosas amarelas,  para iluminar
a face dela,  quando o sol for  embora.
A prata do luar, pelo  brilho do ouro, vou
trocar !
As cores do arco-íris serão, somente, as 
dos  olhos dela.
A  luz do horizonte, onde o sonho dos 
amantes se esconde, terá a cor da alma  
da minha amada.
Quero o mar diferente, da cor do fogo para
assustar os lobisomens, que espreitam a
casa dela.
As estrelas serão verdes, da cor da mata, 
habitadas por  passarinhos gorjeando, a  
embalar o sono dela.
O vento terá cor, e sempre será suave,  para 
não  desalinhar os cabelos do meu amor.
E a boca da noite, terá  o desenho dos 
lindos lábios dela...
Ah, poeta, somente tu poderás mudar o que
Deus criou, com a força do teu amor !







   

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Conto poético: AS CONFISSÕES DE UM RUFIÃO


Fiz parte de um grupo de poetas que,
costumeiramente, visitava  asilos  de 
idosos.
Poesias,  histórias e cantorias, eram a
tônica das visitas.
Um espetáculo de sentimentos !
Contava-se um episódio e, da plateia,
ouvia-se outro, mais  emocionante, narrado
por pessoa com mais de 100 anos de  vida.
Pode-se imaginar o volume do repertório...
Numa tarde gelada de agosto, céu cinzento,
vento soprando do quadrante sul, fui tocado,
às costas, por um velho homem, pedindo-me para
 ouvir a sua confissão, pois não  teria coragem 
de faze-la a um sacerdote.
Curioso, aceitei.
Disse-me:
" Estou neste asilo há mais de vinte anos.
Não tenho ninguém por mim, além da sociedade, é claro.
Sabes o que pratiquei em toda a minha vida ?
Rufianismo ...
Não presto. Não valho nada.
Vivi às custas da miséria moral.
Aqui, mesmo, neste asilo, estão internadas
quatro mulheres idosas, que fizeram parte
do "plantel" que explorei por muitos anos.
Fingem não me conhecer,  por vergonha.
Sou um canalha, pois aliciei, multas delas, 
por dinheiro,  desmanchei casamentos e 
destruí lares.
Escondo-me de Deus, por constrangimento.
Não mereço ser perdoado." 
Disse-me, tudo isto, com as ranhuras  que a 
vida deixou em sua face, transbordando de lágrimas !
Até hoje, procuro palavras para consola-lo,
e não as encontro, talvez por não merece-las.













sexta-feira, 1 de abril de 2016

Conto poético: AINDA HÁ TEMPO


Escutei  a voz da minh´alma, a perguntar 
por ti.
Entre soluços e prantos, desfigurada pela 
saudade, e numa súplica ao meu coração, 
desabafou :
"  Perdeste a visão do universo.
O teu amor próprio te feriu  de morte,
turvando o cristalino dos teus olhos.
Saibas que os sentimentos não 
precisam de olhos para enxergar. 
São o teu sexto sentido. 
Estes, não conseguirás matar, estão
protegidos por tua alma, tua essência...
Quero te devolver a vida e a felicidade,
através do amor que deixaste partir.
Sempre haverá tempo para  os que 
amam...
Esqueça o que passou.
As mágoas só existem para ti, e o 
coração aguarda o perdão." 
Perdi a alegria e a confiança, mas 
ainda alimento a esperança, de um 
novo amor encontrar !
Caminho pelas estradas sem fim, cruzo 
as esquinas da vida, as fronteiras
derradeiras, escutando  vozes que me 
levam para longe deste lugar.
A minh´alma e ao meu coração, peço 
perdão.
Aqui, não posso ficar... ainda há tempo 
para amar, noutro lugar.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Poema: SOB O OLHAR DA RIBALTA


Deixo que role por minha face, esta 
lágrima tão amiga.
Procura a alegria, que se perdeu no  
mundo das decepções.
Por onde passa, geme a  dor do
abandono, liberta o grito da saudade,
depositando  recados e pedindo perdão, 
sem  haver pecado.  
Retorna, sem  partir, na esperança de 
encontrar quem foi embora.
Molhando o caminho por onde passa, 
enxerga as  cenas do passado,  ouve 
vaias,  aplausos,  risos frenéticos e  
olhares desconfiados.
Persistente, lava a minh´alma e é recebida 
com carinho...
Faz as suas confissões, reclama das 
paixões e das traições.
Fala de saudade, não se conforma com
a maldade, que  feriu meu coração.
Atenta, retorna  aos meus sentimentos, 
sob  o olhar intenso da ribalta, aplaudida
por minha  gratidão !













sábado, 19 de março de 2016

Poema: A FECUNDAÇÃO DA ALMA



Um corpo parecendo sem  vida, vazio...
Nada falava, nem o olhar refletia.
Movimentos travados, mal se mexia.
A infelicidade, nele residia.
O amor ausente, era o carcereiro
  sem piedade, o estímulo da maldade.
Silenciosamente, como uma sombra
angelical, nas entranhas da sua alma,
uma semente  se plantou.
Fecundou  o amor !
Criou vida o corpo sofrido, voltando o 
brilho aquele olhar sem luz.
Sorriu  o  rosto sisudo, e a alma,
finalmente, se abriu.
Fecundada, sem a prenhez do corpo
 estufado, trouxe de volta a  vida que 
quase se foi.
Renovado,  retorna a alegria de quem a 
morte  enganou.
Foi embora o carcereiro da maldade, 
colocando em liberdade, a felicidade
que a fecundação da alma  sentenciou  !
 
 
Sinval Santos da Silveira
















sábado, 12 de março de 2016

Conto poético: O DONO DO SEGUNDO UNIVERSO



Um homem de aparência  simples, olhar
contemplativo no horizonte do oceano, 
despertou  meu interesse.
Sentado, confortavelmente, exigiu-me toda a 
atenção para o desenrolar de uma boa conversa.
Antes, cumprindo um longo ritual,  deu
 uma gostosa pitada num cigarro de palha.
Nem sei o seu nome. 
Deve ter um nome...
Todos temos um nome.
Falava muito bem, para um ser vivente 
naquele lugar tão ermo.
Assustou-me, quando disse:
" Moro aqui, só,  há muitos anos.
Alimento-me do que produzo numa pequena 
lavoura, e do que pesco naquele imenso mar.
Ninguém é mais feliz do que eu.
Há quem diga que sou um ermitão.
Não sei, não. Tenho as minhas dúvidas.
Possuo tudo o que alguém deseja.
Terras, que nem conheço, e mares em que, 
jamais, naveguei.
Ilhas com mansões, lindas mulheres que falam
 comigo sempre que quero. 
Visitam-me todas as noites.
Chegam nos meus aviões, pousando no aeroporto
 que fica logo ali, atrás da minha casinha.
Trazem convidados mencionados por mm, 
meus amigos do  peito, e que moram nos
 meus domínios. 
São os que não me reconhecem como louco...
Todas as noites o meu salão de festas fica lotado.
Divertem-se, riem do primeiro  Universo
 e tem compaixão das pessoas que vivem por lá.
Aqui, é só felicidade  !
Todas as pessoas  que me conhecem, 
classificam-me como louco, ou como poeta.
E o senhor, o que acha ? "
Dei-lhe um abraço muito fraterno. respondendo
que ele  é um homem  especial, um 
autêntico dono
  do  "segundo  Universo", um lindo poeta  !

Sinval Santos da Silveira





quinta-feira, 3 de março de 2016

Poema: A AMANTE DOS DEUSES


Soterrada pelo lixo,  desfigurada sem  piedade,
e vítima da maldade, em dormência permanecia.
Já frequentou a nobreza, foi admirada por sua beleza, e 
desejada pela pobreza.
Por mãos piedosas, retornou ao aconchego 
da terra...
Deu vida aos seus rebentos, flores brancas
soltas ao vento, acolheu abelhas aos milhares.
Ramagens atrevidas, cobrem as árvores 
coloridas, tomando conta do lugar.
Agora, cachos de uvas rosadas, dominam os jardins dos meus sonhos !
Alimentam os passarinhos, e saciam desejos 
dos  vizinhos.
Servem de palco ao canto das  cigarras,
aguçando a imaginação dos poetas !
É visitada pelos Deuses, atraídos por sua doçura.
HERMES, não perde tempo, vai ao Monte Olimpo
e espalha a novidade...
Ouvem-se gritos, gargalhadas e  assobios, num
frenesi de intensa alegria,  brindando o ressurgimento da vida.
BACO se embriaga. estufa a pança, brinca e 
dança na madrugada, querendo AFRODITE conquistar.
CRONOS, radiante, sente orgulho  do  pomar !
Faceira, a  feliz parreira  brinda os seus
amantes, Deuses tão  importantes !
Sinval Santos da Silveira








quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Conto poético: MAIS UM GOLE DE CACHAÇA


Hoje, ao cair da tarde, conversei com um 
velho homem.
Gosto muito de conversar com pessoas
experientes .
Aparentava uma profunda  tristeza...
Seus olhos estavam  fundos  e congestionados.
Talvez  tivesse chorado por muito tempo.
Senti, em seu hálito, um cheiro forte de 
álcool, cachaça da braba !
Não quis questiona-lo, para não magoa-lo.
Espontaneamente, disse-me:
" Estou  sofrendo, amigo.
É uma dor tão doída,  que não há medico, ou 
remédio, que possa curar-me...
A dor do amor mata, sabias ?
Eu não pretendia ama-la por muito tempo
 mas, sim, eternamente.
Não me entendeu, ou não me amava o suficiente
 para compreender o meu jeito de ser.
O amor pode ser um remédio para todos os males, ou 
um veneno de morte.
Eu a cobria de  carinhos.
Tempos depois, queria voltar.
Preferi manter a minha dignidade...
Meu corpo permanece vivo, mas minh´alma
está morta, de tanta tristeza."
Concluiu o seu desabafo, dizendo-me que já
se  passaram 27 anos, e a dor cada vez maior." 
Dito isto, bebeu mais um gole de cachaça, com 
um olhar perdido
 no passado, e as lágrimas no presente.
Eu consegui entende-lo, também, com 
muita  tristeza...









quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Poema: AS ÚLTIMAS AMARRAS



Preciso da ajuda dos céus, para livrar-me 
deste sofrimento.
Enfraquecido, como um  ébrio cambaleante,  
fujo para bem distante, onde os meus olhos  
não podem alcançar.
Tenho  medo deste lugar.
As montanhas me vigiam, e a minha 
consciência,  parecendo o eco, sempre quer voltar.
As cachoeiras, em meu nome,  murmuram  histórias que não  contei.
O bambuzal  gargalha na mata, para me assustar.
Chegou a hora de  partir...
Destas  algemas, quero me livrar.
São amarras danosas, que maltratam a alma,
fazendo-me chorar.
Invisíveis,  doem feito farpas cravadas
 à traição, lá no fundo do meu coração.
Foram promessas não cumpridas, lágrimas
fingidas, traições nas encruzilhadas da vida.
Custei a enxergar...
Fica o pranto de uma profunda dor, e se vai 
um  grande amor !


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Poema: ALMA CREMADA



Minha sereia deitava na areia, para
comigo  namorar.
Chegava  na madrugada, conversava
com a passarada, trazendo notícias do 
fundo do mar.
Tudo era só encanto.
Mas, li em seus olhos a chama do amor 
se apagar.
Sua beleza  chamou a atenção de um 
pirata pescador, que a levou para bem 
longe deste lugar.
Do trapiche, ainda vejo na flor da água, 
o rastro que o seu barco deixou.
Foi embora,  habitar outros mares, quem 
sabe no norte, quem sabe no sul...
Abandonou o meu ninho, deixando um 
triste passarinho, sem alegria para cantar.
Nem mesmo a força da lembrança,
conseguiu manter a esperança de um 
dia ela voltar.
Hoje, na mesma praia de areia branquinha, um
 bilhete, numa  garrafa vazia,  flutuava
nas ondas do mar.
Ansioso, li a  mensagem que escreveu com
 euforia, mandando minha alma cremar !
Cumpri o seu desejo.
Agora, vou semear as cinzas no alvorecer
de uma nova vida, na esperança de  outro
amor  encontrar !