Não queiras, amigo, passar pelas coisas que já
passei.
Ainda
fico assustado com as lembranças do passado, com os
cabelos
enfeitados, e os lábios de carmim pintados, sorrindo
só para mim.
Do olhar brilhante, não esqueço um só instante.
A voz macia, hoje tenho certeza, era bruxaria.
Vinha da alma e como o vento, somente sentia.
Não queiras saber, amigo, a força de um carinho, que
mudou o meu destino, da "água para o vinho".
Já consultei bruxas, benzedeiras e cartomantes,
mas é feitiço forte, que habita nos amantes.
Não tem cura !
Nem mesmo vacina existe, e ninguém está imune.
Fica-se alegre e triste, sorrindo do que foi bom, chorando
pelo que nem existe.
Hoje, sigo os passos da minha sombra, gargalho com
as gaivotas, que
me trazem recados das sereias, lá do fundo do mar !
Pode ser loucura, mas ainda sinto a ternura do seu jeito de andar.
Das suas vestes, tão lindas, nunca mais vi nada igual !
Perambulo pelo mundo, à procura do que passou,
mas nada encontro, alem da "Sua Majestade", uma tal
de saudade !
Não queiras passar por isto, amigo..
Sinval Santos da Silveira











