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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Poema: ALÉM DAS ESTRELAS AZUIS




Misterioso amor, entala na garganta o 
desejo de soltar, bem alto, o grito da 
confissão.
De abrir as portas da proibição, dar vazão
aos sentimentos reprimidos, voando livre
como vento  sobre os mares da minha Terra.
Tudo é proibido...
Até o teu nome, tão lindo,  não pode ser 
dito.
Meu coração, em silêncio, amarga o 
sofrimento da promessa de um segredo 
a dois.
Entre o Céu e a Terra  juro, não encontro
lugar  seguro, para te amar com liberdade.
Então, vou além das estrelas azuis,  em 
busca  da intimidade e da luz serena dos
olhos teus, para me banhar de amor !
Lá, poderei  estes versos  ultimar e a ti
dedicar, sem  trair o segredo que,  aos
teus  pés, prometi.
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Poema: O TEMPO PROMETEU



Foi  tão  cruel o abandono, que só a 
indiferença  sobreviveu.
Um profundo  sulco, em meu peito  se 
abriu.
Não existe poeta ou doutor, que possa curar
esta dor.
O afeto que  era meu,  foi ceifado, morreu.
Minha voz emudeceu, e  o coração chorou.
Li, naqueles  lábios, que tantas vezes  beijei, 
um sarcástico sorriso de desprezo.
Conversei com os meus sentimentos, caminhei
do nascente ao poente, meditei...
Vi  luzes de  cores diferentes, parecendo alucinação.
Hoje, posso compreender.
Eram  imagens  do universo, querendo  me proteger !
De  forças  desconhecidas, me fortaleci.
Vi  um cerco de estranhas figuras, como 
sombras  em movimento.
Nada falaram, nem prometeram.
Minha dor,  passou. 
Meu sofrimento, também.
Restou, apenas, o esquecimento, que o 
tempo  já prometeu.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Poema: DO ALTO DA ESCADA



Exibida, subiu os degraus da vida e, com graça,
se mostrou.
No alto da escada,  no pedestal da paixão, ouviu 
a minha declaração:
" Quero absorver as tuas dores e sofrimentos.
Tuas angústias, aliviar.
Despojada dos pesadelos,  poderás voltar a sonhar.
Transfira, para mim,  as cicatrizes que a
 vida deixou em  tua alma.
Não consigo te ver  entristecida...
Sonharás os sonhos do prazer, e os  teus olhos 
voltarão a brilhar.
Teus pesadelos,  suportarei.
Viverei da tua felicidade, pois minha vida
depende da  alegria, irradiada pelo brilho dos
olhos teus que, também, são meus !"
Ouviu o meu clamor.
Subiu os últimos degraus, e  adormeceu nos braços
 meus, sonhando  com um mundo  feito 
só de amor !

Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Poema: HORIZONTE PERDIDO



Quando  falares com Deus, pergunta 
o quanto te amei  e rezei por tua 
felicidade.
Ele  dirá que, de joelhos, pedi ao Céu 
pela suavidade dos teus  caminhos,  
e proteção ao amor que me ligou a ti.
Dirá das lágrimas que derramei, ao 
ver a vida te bater.
Das noites que passei sem dormir, 
chorando,  pensando em  ti...
Falará do meu sofrimento,  e do milagre 
que me concedeu, e que mantenho em
segredo...
Mas, se  fores assediada pelo "mau", ele
te dirá  dos  crimes que cometi, para te
proteger.
Hoje, absorto em  meus pensamentos, 
aprecio o céu conversando  com o  mar,
duvidando da existência do  horizonte.
Também, estive lá. 
Fugiu de mim, mudou-se para outro lugar...
É igual a ti,  somente uma ilusão...







quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Poema: RAÍZES EM BROTAÇÃO




Eram sentimentos sepultados nas
profundezas do esquecimento.
Como raízes, sem  luz  e sem vida,
testemunhas  da  história,  que nem o
tempo se atreve apagar.
Latentes,  trazem lampejos de lembranças,
querendo transformar em esperança, o 
renascimento da felicidade  cor do céu.
Seus olhos brilham, bate forte o coração,
sob  a alvura e o perfume da cerejeira 
em flor.  
Declara,  com profunda ternura, todo o 
seu amor !
Rolam as lágrimas pela face, emergindo 
do esquecimento, enlaçadas pela emoção.
São segredos,  coisas proibidas pelo 
silêncio da  vida,  vozes sufocadas e
comprometidas.
Rebelde, aproximo-me do precipício, 
para  vencer  o perigo e o medo.
Tento resgatar a felicidade perdida...
Em euforia, ouço gritos de alegria,  vejo 
raízes em brotação !
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Conto poético:: A SEREIA MION



Caminho por esta praia, quase deserta.
A água morna  lava os meus pés, e me 
transporta para  momentos felizes que vivi !
Só não estão presentes as pétalas 
de rosas amarelas, e  um 
certo rosto que conheci...
Aguardo, nas escarpas perigosas do costão,
a chegada da mais linda mulher  da minha 
vida,  a sereia Mion !
Morena, quase selvagem, que pelos meus 
versos se apaixonou.
Senta-se ao meu lado, conta histórias do
fundo do mar, enquanto acaricio os seus lindos
 cabelos negros, e beijo as belas sobrancelhas.
Sua beleza só é comparável à leveza do seu
 corpo, flutuando nas  ondas azuis do mar.
Perguntou-me por  que  as pessoas que vivem 
na terra, não acreditam na existência  de 
sereias ?
Não são peixes, são mulheres !
Respondi-lhe que por egoísmo,  falta 
de  amor 
ou  por inveja da sua  beleza !
Mas que os poetas creem, sim.
Falou-me de um pescador que não merece o 
seu amor.
Copiosamente, chorou...
Hoje, ela  habita  as profundezas 
do meu coração,  cuidando dos 
meus poemas e 
desta  doce  imaginação !
 
Sinval Santos da Silveira










quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poema: INOCÊNCIA POÉTICA


Deixa-me sonhar !
Não quero mais  estar  abraçado à  realidade.
Viverei o  inefável, tão simples e amável, que 
me levará nos  braços  do vento, às profundezas 
do pensamento,  com destino à imaginação.
Não sufoca os meus gritos, são gemidos da 
alma,  dores partindo, indo embora !
Busco, na  beleza da fantasia,  a voz do infinito, 
o silêncio  do trovão.
Ouço  passos caminhando nas nuvens.
São as minhas pandorgas que, na  infância, deixei 
empinadas no céu, pedindo  socorro à criança que
 ainda existe em mim.
São estrelas, barrelotes e papagaios, construídos
 com  o amor da  inocência.
Não me abandonaram, ainda estão no ar
alimentando  os meus sonhos.
Verdadeiros anjos da guarda !
Em noites prateadas,  bailam por toda a
madrugada,  chorando de saudade, chamando por mim.
Meus sonhos alados, testemunhas do pecado,
de quem  esqueceu  as inocentes fantasias , lá 
no céu !
Vou resgata-las, uma a uma, ainda que
 desbotadas e rasgadas pelo vento.
Em cada qual, uma linda história  que nem 
mesmo o tempo conseguiu  apagar.



Sinval Santos da Silveira




quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Poema: OS PRIMATAS


Densa  folhagem !
O perfume das flores se confunde com 
o  aroma doce  das frutas.
São  silvestres e cultivadas, vivendo em 
perfeita harmonia.
Os pássaros  servem-se do farto banquete, 
em alegre cantoria !
Repentinamente, sons diferentes...
Assobios  e gargalhadas,  no meio da  
mata, completam  o  lindo espetáculo.
São  primatas, exibidos e inteligentes,
querendo comigo se comunicar.
Não entendo o seu linguajar, mas tento
compreender a sua mímica, graciosa e 
comovente.
Um olhar inocente, repleto de ternura, 
parecendo pedir licença para  compartilhar
daquela fartura.
Peço perdão, mas não  entendo tanta
educação, e minha consciência fala por
mim:
" És tão puro,  alegre e não fazes mal a   ninguém !
E eu, o que sou ?
Sinto vergonha de olhar nos teus olhos 
inocentes. Posso te machucar.
Não imaginas o que fiz com o teu meio
ambiente...
Sirva-te à vontade, prezado ser do meu 
reino !
Tudo, aqui,  sempre foi teu !
O intruso, sou eu.  "
 
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Poema: Panapaná


A chuva fina, quase em vapor, cobre  com
um manto fresco, as fartas flores do meu  
torrão natal.
Um tímido sol,  debruça  seus raios sobre as
pétalas cheirosas e coloridas, parecendo 
filhas do arco-íris, pinceladas do  apaixonado artista.
O perfume, doce e agradável,  se espalha
 na colina, atraindo seres encantadores  !
Borboletas, frágeis e delicadas, coloridas e 
graciosas,  parecendo pétalas soltas ao 
 vento, aplaudem o mágico momento.
Esvoaçam os beija-flores, num frenesi  de 
bebedeira do  néctar. 
Em êxtase, Flora  beija Zéfiro, recebendo
calorosos  aplausos  de uma incontável  
plateia de panapaná ! 
Pássaros gorjeiam, como nunca, querendo
sua amada conquistar.
Novos ninhos parecem brotar em todo lugar.
Logo, os ovos criarão  asas e cobrirão o céu
da minha Terra !
É hora de cantar e amar !
Nascer,  viver  e voar em direção ao infinito,
sem pressa de voltar.
É hora da primavera chegar !

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Poema: UMA DOCE ILUSÃO



  
Encantou-me  aquele olhar sereno, e nem 
percebi que era veneno.
Ensinou-me a sonhar e  meus pesadelos suportar.
São gemidos  persistentes, olhos marcados
pela dor.
Promessas  esquecidas, ferindo de morte
um lindo  amor.
Foi embora a ternura,  deixando   uma
farpeada  de amargura, um  pranto  triste
sem fim e sem cura.
Forças exauridas, consumindo a vida que
ao amor,  com tanto carinho dediquei.
Hoje, revi aqueles  doces poemas que a 
mim dedicou.
Falavam de flores e felicidade, mas só
a  maldade restou.
Achei prudente tentar  a tudo esquecer.
Virei a página da vida,  juntei as pétalas 
coloridas, e construí uma nova flor. 
Misturei os doces e suaves perfumes,
expulsei os espinhos e o cheiro acre  
da decepção.
Restou o caminho de volta,  sem
revolta,  saboreando a ilusão de uma 
nova  paixão !
 
Sinval  Santos da Silveira




quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conto poético: SILÊNCIO


Presto atenção na ausência do ruído...
Somente o silêncio  está presente,  me
fazendo ouvir a tua voz.
Então, respondo  alto, procurando o teu 
rosto na densa neblina, que invade a 
minha vida.
À beira  mar, vejo as gaivotas pousadas
na areia. 
Estão tristes, sem gorjear... perderam a 
vontade de voar.
As ondas emudeceram e o  vento está
ausente, calando a voz grave do costão.
O teatro da imaginação fechou as 
cortinas, e as  sereias desapareceram.
Até a minha amiga, Mion, tão bonita, não
mais me visita.
Está presa no calabouço  do palácio, por
ordem de um louco e ciumento  amor.
É  preciso  liberta-la !
Há que  barulhar o mar, a gaivota gorjear 
e  voar...
Quero outro rosto  enxergar,  cantar e ser
feliz !
A tristeza está chegando ao fim !
O silêncio, finalmente, tudo isto me diz !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Poema: CORREDORES DA VIDA


Conheci os meandros e segredos do 
amor.
Circulei nos corações,  encontrei  a 
beleza exuberante, capaz de 
enlouquecer  os amantes.
Da escravidão da paixão, meus passos 
desviei.
Arrojadas e sensatas, também encontrei.
Somente uma delas  me viu  com os olhos 
da alma. 
Nenhuma palavra falou, e o pranto a tudo presenciou.
Suas lágrimas, escorrendo  em cascata, 
nasceram na fonte  do amor.
Daquele caminho, meu coração não desviou.
Hoje é escravo da saudade, apenado
 pela maldade que não causou.
Reconheço, em cada esquina, aquele doce 
olhar que deixei  partir, sem ao menos  insistir para ficar.
Quanto mais o tempo passa, mais aumenta 
a minha dor, nas loucas gargalhadas do lamento.
As esquinas, que imaginava tão bem conhecer, são
 fronteiras do destino,  abismos do meu ser.
São corredores da vida, encruzilhadas  a cada amanhecer...
Sinval Santos da Silveira



         

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poema: A ARTISTA DOS CÉUS




Era um pequeno quarto.
Minúsculo,  pode  ser chamado.
Gigante, somente a alma de mulher que
lá habitou.
Uma Artista ?
Não. 
Uma grande Artista !
Pintora, poetisa e  amante.
Pintou o Céu  e  de nada esqueceu, nem
mesmo da minha saudade...
Da lua, trouxe o brilho  prateado, pintou a 
parede da cor do pecado, e me  presenteou
com  uma estrela. 
Está lá,  ao lado esquerdo do luar.
Virou segredo de amor a dois e, ainda, molha
os meus olhos de  lágrimas ! 
Emocionada, recitava poemas antes e depois 
do silêncio  da madrugada.
O mundo  era  aquele  ninho  de amor !
Hoje,  é uma  fonte de recordações. 
Procuro uma palavra mais forte do que 
saudade, mas só  encontro  maldade, pois a 
pintura se apagou.
E os  versos que  para mim  eram  declamados,
são, agora,  perfumes do passado que o vento,
sem piedade, para outros braços levou.
As letras foram embora,  mas  ficou na memória
a linda rosa amarela,  que  aquela  Artista no Céu pintou !