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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Conto poético. LABAREDAS DE UMA PAIXÃO




Tudo era monótono, nesta antiga vila de pescadores.
Ninguém trabalhava fora do povoado, mesmo porque
a pesca era abundante, e a salga de carne de peixe,
funcionava freneticamente.
Os filhos das famílias se casavam entre si.
Qualquer notícia, por mais insignificante que fosse,
tinha repercussão em todo o vilarejo.
As pessoas eram bonitas por natureza, graças aos
saudáveis hábitos alimentares, a vida ao ar livre, e a
ausência de vícios degradantes.
Numa fria manhã de agosto, vento forte, mar revolto, o
pescador, Camilo Juventino, avistou no meio das ondas
um homem se debatendo.
Jogou-se ao mar e o ajudou chegar até a praia.
Cristiano , o seu nome.
Contou que  estava pescando nas proximidades, e foi
apanhado por um temporal muito forte.  
Sua embarcação "emborcou", mas conseguiu nadar até a
costa.
Camilo o levou para casa, cedeu-lhe roupas secas, uma
restauradora refeição, e quatro dias de repouso.
Sua  mulher, Ritinha, certamente era a mais linda já
nascida naquele povoado.
Numa troca de olhares com o náufrago, nasceu uma
repentina paixão, tão forte, tão indomável, que somente
Deus poderia explicar. Coisa impossível...
Cristiano furtou uma pequena embarcação à vela, que
se encontrava guardada num rancho de pesca à beira do
mar, e na manhã do  quinto dia, aproveitando a ausência
de Camilo, que estava pescando desde a madrugada,
fugiu com Ritinha, em direção ao alto mar.
Embora esta história tenha acontecido na década de 60,
nunca mais se teve noticia destes dois personagens.
Até hoje, já decorrido mais de meio século, Camilo 
vai à beira do costão, todos os dias,  e olha o mar, na
esperança de ver o seu  grande amor retornar..., pois
nunca mais preencheu o seu coração, com outra mulher.

Conto poético: FLORES QUE SEMEAMOS




Semeamos flores com tanto carinho, nos canteiros,
nos jardins, nas praças e até nos caminhos.
Nasceram surpresas em cada cantinho.
Flores brancas, amarelas, azuis, vermelhas, e até
algumas sem cores...
A branca  trouxe  a paz, que tanto procuramos.
Nasceram margaridas,  jasmim, damas da noite, e até
orquídeas apareceram.
As azuis lembram as hortênsias, que enfeitaram os nossos  
caminhos, até as estrelas.  Recordas ?
As vermelhas, ah, as vermelhas ... sempre presentes nas
paixões ardentes,  lembrando as labaredas dos sentimentos,
por vezes, contundentes.
Chegam a ser confundidas com o fogo, querendo a
vida renovar.
As amarelas, recomendam as riquezas da  alma e do amor...
ensinando-nos  que são valores  de troca, jamais de venda...
despertando emoções, empolgando corações.
Mas foi naquelas sem cores, que encontramos a liberdade
das emoções, a carta de alforria dos corações.
Pintamos, na imaginação apaixonada, cada pétala, cada
flor, com a cor ditada pelo nosso profundo amor !
Prevalecendo a simbologia da liberdade de amar, de
preservar  neste, ou em outros céus, a estrela guia do
verdadeiro amor !

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Conto poético: IMAGINAÇÃO




De tão perfeita, creio ser minha imaginação.
Só pode ser uma projeção dos meus desejos,
tão exigentes.
Até meus pensamentos são divididos, meus
anseios atendidos, nada fica esquecido...
Num divino sorriso, desaparece a tristeza,
cedendo lugar à  alegria.
Nada resiste aquele  meigo olhar, repleto de
ternura, combinando com a formosura, do
seu  lindo corpo de mulher.
Quando passa a minha frente,  parece flutuar
sob a discreta luz do luar, envolvida num manto
transparente e perfumado, insinuando  estar na
hora do pecado, me implorando para ficar.
Já dominado, ajoelho-me aos seus pés, tentando
acalmar  o meu acelerado coração, que bate
descompassado, de tanta emoção.
Agora, abraçado aquele sagrado corpo de mulher,
não sei mais aonde me encontro.
Penso estar  num  jardim florido e perfumado, ouço
o canto dos passarinhos, e  ela,  em seu leito deitada,
esperando ser amada, até o dia clarear.
Enlouquecido de desejo, abraço o travesseiro, na
esperança de um dia ela voltar...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Conto poético: REFLORESCER

Tudo havia sido dizimado, do belo jardim florido.
Nada havia sido poupado.
A maldade humana, com ferocidade  se fez
presente,  nem mesmo  Deus tinha em sua mente.
Mas, nas profundezas do coração, se escondia o
princípio de tudo:
A semente, fecunda  e viçosa !
Na boa terra da compreensão, amor não lhe faltou.
Regada com a imensa saudade, brotou.
E a reunião se fez.
Loucos e desesperados gritos, ecoaram no universo,
Tempestade de emocionadas lágrimas, beijos, juras
de amor, carinhosos abraços, e profunda ternura, nada
faltou.
Aplausos vieram do céu, felicitando o reflorescer de um 
lindo amor !
No firmamento, as constelações se uniram, espalhando
luz nas trevas do horror.
As duas almas voltaram a ser felizes.
No jardim, anjos, disfarçados de beija-flores, esvoaçavam
sem parar, lembrando a todos que  o amor
voltou, para ficar !

Conto poético: ÍNDIA DIACUÍ

Alto Xingu-Roncador, coração do Brasil selvagem.
Região temida.
Maior do que o ronco do rio, era o medo implantado
na gigantesca região, inabitada pelo homem branco,
também chamado de "civilizado".
Lendas e boatos corriam soltos, como os vendavais,
indomáveis,  pelas florestas.
Tudo era assustador.
O desconhecido habitava os seus mistérios.
Até as águas contavam histórias fantásticas ...
Alguns homens, hoje tidos como heróis, nas décadas 
de 40 e 50, arriscaram as suas vidas, para tentar manter
contatos com os " povos selvagens", daquela inóspita
região.
Eram  funcionários públicos do Serviço de Proteção ao
Índio - SPI.
Ayres Câmara Cunha, Sertanista, foi deslocado do seu
posto de serviço, para o  Alto Xingu-Roncador.
Naquela região, habitavam os índios Kalapalos.
Logo no seu primeiro contato, foi fulminado, não por
agressão dos guerreiros, mas por algo mais forte.
Apaixonou-se, loucamente, por uma Deusa Índia, bela
como as flores da selva.
Suave como o remanso das águas.
Dizem que, naquela região, a lua se fazia cheia trinta
dias ao mês, para  proteger das trevas o belo corpo da
Índia Diacuí.
O Sertanista se comunicava com a sua  amada, apenas,
pela ternura do  olhar, já que não se entendiam pelo
idioma.
O Brasil estremeceu diante de tanta paixão.
Diacuí, ingenuamente, afastou-se das suas raízes, 
largou o seu povo,  que a amava profundamente,
e, acreditando no "canto da sereia ", foi viver com
o seu grande amor, na "selva de pedras".
Assimilou as vergonhas do homem branco, seus
usos e costumes...
Voltando em visita a sua tribo, já não se apresentava
sem vestes, caminhava de sapatos , ostentando
relógio de pulso, etc.
Poucos anos após, foi abandonada por Ayres,  e pela
vida ...
Apenas uma filha restou, como testemunha desta história.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Conto poético: SOFRIMENTO DE POETA

Na enfermaria daquele hospital,  nada menos que nove
homens.
Enfermidades semelhantes, facilitavam o tratamento.
 O medo, o desconforto, a dor, a saudade e o ambiente
assustador, se encarregavam de arrancar gemidos de
pavor.
A face contraída, traduzia o tamanho da ferida.
Críticas e reclamações, também.
Apenas um deles permanecia  indiferente.
Claro que isto despertou a curiosidade dos demais.
Questionado, deu-lhes uma verdadeira  aula,
dizendo-lhes que:
"a  minha  dor não é maior, nem menor,  do que o
sofrimento dos  que aqui se encontram.
Sei que é suportável.
Além dos remédios, uso outros mecanismos de
defesa, e que me fazem muito bem.
Penso na vida que já vivi, nas coisas boas que
desfrutei, nas pessoas que amei, nas flores lindas
e cheirosas que conheci...
Cada episódio destes, me faz feliz. É como um
filme que assisto de olhos fechados.
Não me concentro nas coisas desagradáveis, pois
não suportaria. Doem muito. Tenho observado nas
reações dos que aqui se encontram.
Experimentem ...".
Os médicos souberam desta historia, porque aquela
ala de tratamento que, até então, era  agitada, passou
a ter um comportamento calmo, diferenciado.
Perguntaram ao cidadão se  era, realmente, um  
psicólogo, como informou a enfermeira chefe, ao que  
respondeu, serenamente:
"sou, apenas, um poeta ".

domingo, 8 de abril de 2012

Conto poético: ESCADA SEM DEGRAUS




Foi um bravo guerreiro urbano.
Todas as dificuldades que possam ser imaginadas,
este homem as enfrentou, com muita dignidade.
Nas madrugadas,  o via passar à frente da minha
casa, revirando os sacos de lixo, antes que  fossem
recolhidos pelos caminhões da limpeza pública.
Procurava por materiais recicláveis.
Mal respondia ao meu cumprimento.
Sempre apressado.
Fiquei compadecido. Pretendia  lhe doar algumas
roupas usadas, pois tinha, mais ou menos, a minha
estatura física e, certamente, poderiam  fazer-lhe muito
bem.
Num rápido contato, gentilmente me agradeceu e
prometeu retornar, durante o dia, para apanhar  as
oferendas pois, naquele horário, estava muito ocupado
com a "vistoria dos sacos de lixo".
Dois ou três dias após, foi a minha casa para receber
as roupas, que lhe havia prometido.
Residia numa favela, nas proximidades do meu bairro.
Disse-me  ser analfabeto, sem nenhuma profissão
definida.  Que chegara do interior do Estado, para
tentar uma vida melhor na cidade.
Até aí, uma história como tantas outras que já ouvi.
O diferencial  é que tem uma filha estudando numa
universidade pública,  na sexta fase do curso de  
odontologia, numa capital  vizinha a este Estado.
E o seu filho está concluindo  o ensino fundamental, e
deverá prestar vestibular, no próximo ano.
Sua conversa transita nestes  termos, com tamanha
familiaridade, que me comoveu.
Disse-me  ainda:  Não consigo ajudá-los mais do que já
faço. Sou como uma escada sem degraus. Não sirvo
para nada.
Deu-me um nó da garganta, ao ver sua angústia e as
lágrimas rolando a sua face.
Evidente, que lhe disse muitas coisas verdadeiras, como
o grande exemplo de humildade e  honestidade, que estava
legando a sua família.
Mostrei-lhe  caminhos para  conseguir apoio público, etc
Mal sabia que,  ele próprio,  era os degraus da escada  da
vida , de que tanto necessitava aquele casal de filhos, hoje
formados... e reverenciando o grande exemplo, e a memória
de um "catador de lixo ".

sábado, 7 de abril de 2012

Conto poético: À PROCURA DE UM SÍMBOLO





Hoje, ao acordar, senti uma vontade danada
de encontrar algo, que expressasse a felicidade
que vai no meu coração.
Olhei para o céu, para o mar e para a terra.
Imaginava  um símbolo  gigantesco.
Sendo do mar, um oceano inteiro. Do céu, uma
constelação. Da terra, uma vastidão de campos
verdejantes, da cor dos olhos dela.
Caminhei por três horas seguidas, até chegar no
alto da montanha.
De lá, tive o privilégio de tudo avistar. O mundo
aos meus pés...
Era só  optar.
Deitei-me na relva do chapadão, para espantar o
cansaço do meu corpo.
Adormeci e sonhei coisas maravilhosas.
Na  minha inconsciência, percebi a inconveniência
desses gigantes nomear.
Sou parte do universo, nada  além do privilégio, de
aqui estar.
Na  felicidade, não se tem simbologia,  basta um gesto 
de amor, para preencher a alma vazia...
O céu, o mar e a terra, não seriam capazes de
representar  a felicidade, que  sente minh' alma, não
estivesse,  aquela mulher, presente  em meu coração...

Conto poético: O RETORNO DO AMOR

O período vespertino, já havia se encerrado.
O lado leste das montanhas, estava dominado pelas
sombras.
Alguns raios de sol, teimosos, ainda permaneciam
nos picos  do oeste, se negando a noite abraçar.
A passarada  voava apressada, querendo aos  seus
refúgios chegar.
Meu coração, solitário, já pensava num cantinho
para descansar.
Mas, assustado, viu o sol  brigar com as trevas,
iluminando toda a relva, trazendo de volta a luz a este
lugar.
Os pássaros retornaram aos céus, as encostas  se
iluminaram,  descerrando as cortinas da vida, clareando 
a minha terra querida.
Meu coração transbordou de alegria.
Meus olhos ficaram marejados, ao ver, na linha do horizonte,
o sol novamente nascer.
Não acreditava no que via, a noite se transformando em dia.
O abandono, no seu  doloroso horror, trocado pelo mais
ardente e carinhoso amor...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Poema: CORAÇÕES FERIDOS

Sentimentos atingidos. Almas mutiladas.
Corpos que cambaleiam à sombra, abandonados
pela luz do bom senso.
Somente as doces lembranças, já ofuscadas pelo
tempo, ainda os mantém de pé.
Zumbís do desprezo.
Gemidos da angústia.
Sofrimento triunfante  sobre as frágeis almas, que a
cegueira do ódio destruiu.
Corações perversos, olhares adversos, auto
destruição.
Culpa de ninguém. Talvez da imaginação...
Quem sabe de uma dura realidade, que até Deus
desconhecia. Uma  cruel  heresia !
Nada existe para perdoar. Somente a lamentar...
Agora, os acordes do vento, lá fora, gelam minh'alma,
me fazem padecer.
Tudo foi embora, menos a saudade de um tempo
feliz,  que comigo, somente comigo, ficou.
Contemplativo, observo as montanhas, o céu e o mar.. .
São imensos, mas vivem em harmonia.
Meu coração, pequenino, exige tão pouco desta
vida, não consegue viver em paz...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Conto Poético: ALMA DE PESCADOR

Conheço muito bem este  ser.
Está no  "DNA ", sua vontade de pescar.
No remo e no motor, tudo que faz é com muito amor.
O barulho da onda, acariciando a praia, ou se debatendo
no costão, é a sua música favorita.
O cheiro da maresia, entra-lhe pelas narinas, acalma o seu
coração.
Da pele tostada, pelo sol causticante,  nem  reclama.
Sua única vaidade, é a coragem do mar enfrentar, do  perigo
desconhecer, pois é pescador, nunca teve medo de morrer.
À beira, ou em alto mar, mistura sua alma com o azul do céu,
É forte, é valente.
Só teme a Deus.
Mulher, para casar com pescador, tem que ser, de preferência,
filha de pescador.
Pois, para ir ao mar, não tem hora.
Como, também, não tem horário para voltar.
De domingo a  sábado, está  disponível ao trabalho.
Só depende da presença do peixe.
Seu patrão é o mar. Sua mercadoria, é o pescado.
Não é qualquer  casamento que pode, este homem,  segurar...
Mas, quase sempre, é ótimo pai e marido.
Sua paixão, certamente, é o  mar, mas seu amor, é a sua família...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Poema: LEITO SAGRADO

Aqui é o céu.
Acolhe a felicidade, expulsa a saudade, só
tem lugar para o amor.
Na penumbra, escuto tua voz,  nem sei se
estás falando, ou  sussurrando coisas que
não entendo. 
Mas escuto teu sorriso, sinto teu corpo
quente e molhado, por vezes desesperado,
por mim a chamar.
Obediente,  atendo  tuas vontades,repito
coisas sem sentido, falo do meu amor.
Ouço o teu coração  palpitar, parecendo
com o meu conversar.
E tu, feliz, sorri...
Falamos a língua dos que amam, poucos
entendem este idioma, não se aprende na
escola, pois não há professor.
Depende, apenas, do amor.
Somente Deus ouve as nossas súplicas,
e os  gritos de louvor...
Bendita sejas, mulher, que tens o poder de
trazer o céu, para este  lugar.
Expulsas, daqui, a maldade,  plantas a
felicidade,  transformando  o nosso leito, num
verdadeiro  recanto  de amor !

terça-feira, 3 de abril de 2012

Poema: BELEZA MULHER

A natureza, por inteiro, aos teus pés.
Descrição, impossível.
Heresia, inevitável.
Eu tentei. Os poetas desistiram.
Milagre não se  desvenda, nem se explica.
Admira-se.
É o ápice  da exuberância.
O extrato do que é belo, o perfume do agradável.
A essência do jardim.
A mais linda das flores, com voz e alma.
Mulher, minha sedução por completo.
Irresistível chamamento da natureza.
Ponto central da existência, equilíbrio
da vida.
Inesgotável  fonte da bondade e do amor.
Teu sorriso, teu olhar...
Rendem-se minhas carências, fragilizam-se
minhas resistências, desabrocha esta  incontida
paixão.
Mulher, simplesmente, beleza mulher !

Conto poético: A LIÇÃO DE UM MERO



Na década de 50, a grande atração desta Ilha maravilhosa,
era a pesca submarina, ou pesca de mergulho.
A  existência de pequenas ilhas, próximas a Ilha de Santa
Catarina, era um belo convite para os aficionados à esta
modalidade de pescaria.
Havia uma fartura enorme de grandes peixes, prontos para
o "abate".
Presenciei um mero arpoado, com quase 400 kg. Outros
com um pouco menos. Era lindo de se presenciar, tamanha
façanha do homem. A coragem e  o destemor,
imprressionavam a todos que viam a cena.
Ocorriam, também, frequentes acidentes. Mergulhadores
perderam a vida arpoados por seus companheiros de pesca.
É um esporte de alto risco.
O campeão de toda esta história, era um homem chamado
Laudares. Destemido, descia às profundezas  dos costões,
perseguindo as suas  presas. Inacreditável a quantidade de
peixes que trazia para a praia.  Sua lancha chegava pesada...
Contava uma historia que, certo dia, no final da tarde, avistou
um mero gigantesco na Ilha dos Moleques, mas que o perdeu
em razão do peixe haver entrado numa profunda  "toca ".
Mas que iria se preparar melhor, e buscá-lo na próxima semana.
Dito e feito. Desceu às águas profundas, não matou o peixe, e
foi embora em  silêncio. Todos curiosos. Aconteceu alguma
coisa, certamente.
Laudares reuniu, em sua casa, os seus companheiros de
mergulho, relatando que avistou o mero gigante, marcado
para morrer. Perseguindo-o nas profundezas da toca, fazendo
uso da lanterna, já que era muito escura.
Ficou trancado nas pedras com o seu equipamento.
Debateu-se e não conseguia se soltar. Quando pensou que tudo
já estava perdido, o mero gigante, com uma força descomunal,
o empurrou para fora, destrancando-o e salvando, assim, a sua
vida.
Disse aos amigos que nunca mais  iria mergulhar para matar,
mas mergulharia para filmar os peixes no fundo do mar, que é muito
bonito. '
E outro mundo, e que pretendia compartilhar as cenas com
seu filho.
Solidários  e sensibilizados, os seus amigos seguiram o seu
exemplo, em respeito, também, à natureza.

Conto poético: A ESTRELA DO PESCADOR



Bonifácio, era um jovem pescador, solitário.
Dotado de um nobre coração, e  arrimo de família.
Vivia mais no mar do que na terra, pois da sua
dedicação, dependia o sustento da sua mãe, e dos
quatro irmãos.
Seu pai faleceu ainda muito jovem, em acidente  no
mar.
Este tipo de situação, era muito comum na costa
Catarinense.
Nas noites estreladas, não tirava os olhos de uma
linda estrela, localizada ao lado esquerdo da  lua,
logo abaixo.
Ela piscava, parecendo com ele conversar.
Confessava-lhe  as  angústias, e os  momentos
de alegria...
Ficava triste quando as nuvens cobriam a sua visão,
não deixando a sua estrelinha avistar.
Era a sua confidente. Até sobre namorinhos, com ela
conversava.
Mas Bonifácio, homem feito, casou.
Também, sua estrela avisou.
Na noite festiva,  a estrela brilhou  e  cintilou  como
nunca, e  nem mesmo a chuva e as espessas nuvens,
conseguiram o seu brilho ofuscar.
Foi a grande atração da festa.
Sua primeira filha  foi batizada com o nome de
Estrela.
Sua canoa de pesca, tem o nome de "Estrela Guia".
E o nome de sua mulher, Estela, carinhosamente
apelidada por Bonifácio de "quase perfeita ".
Hoje Bonifácio tem uma  próspera empresa de pesca,
e os seus barcos, batizados com nomes de estrelas.
Estrela Guia, Estrela do Mar, Estrela do Céu e Estrela
da Lua, sua favorita e madrinha, que  é o barco
número "1".
"Quase Perfeita",  é uma mulher feliz, com o seu casal
de filhos, e Bonifácio, o grande homem da sua vida.
Creio que a  estrelinha continua lá, mas dizem  que, por 
ciúme do pescador, na terra veio morar...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Queridos amigos leitores e seguidores!!!



Estamos comemorando um ano de existência feliz.
Em abril de 2011 nasceu o Coração Tagarela,
desde então tem sido uma alegria só.
Em menos de um ano conseguimos mais de 41 mil visitas.
Visitantes de todas as cidades e estados brasileiros e
entre eles muitos ,muitos de países diferentes( 79 até o momento) .
Contamos com visitantes assíduos que muito nos orgulham
com seus comentários carinhosos e gentis.
Queremos   agradecer e abraçar carinhosamente a todos.
E dizer que todo o sucesso do blog devemos exclusivamente a vocês.
E...pedir que continuem nos honrando com sua visita.
Gostaríamos de dividir com vocês nossa imensa alegria.
E o CORAÇÃO TAGARELA continuará tagarelando
seus poemas, seus contos poéticos ...suas poesias
e suas ilustrações!
OBRIGADO A TODOS!


CORAÇÃO TAGARELA.

domingo, 1 de abril de 2012

Conto poético: PAIXÃO DE HOMEM VELHO

Homem de respeito.
Desfrutava de um bom conceito.
Toda a comunidade, do povoado, o admirava.
Criou e educou toda a sua família, no mesmo local.
Endeusado por seus sete  filhos, e amado, profundamente,
por sua mulher.
Exemplo de  trabalhador da pesca,.
Supria sua casa com  o fruto do dedicado trabalho, honesto
e muito competente.
Ainda de madrugada, la estava Procópio, à beira do mar.
Era sempre o primeiro a chegar, ao rancho de pesca,
Mas o destino estava selado. Doente, sua mulher não resistiu.
Foi uma grande comoção.
Procópio  esperou mais de dois anos para a ferida sarar.
Alguns amigos indicavam viúvas, querendo  restabelecer a
sua felicidade.
Mas Procópio, tinha outros planos.
Estava apaixonado por sua vizinha, quarenta anos mais
moça. Além do mais, sua afilhada de batismo.
Fez proposta de casamento a Albertina, Mandou-lhe flores,
serenata à moda antiga.
Nada adiantou. A depressão o alcançou.  Não mais voltou
a trabalhar.
Na madrugada, aproveitando um vento, chamado "terral ",
preparou sua canoa à vela, rumou em direção  à costa
Africana... nunca mais voltou.
Apenas uma carta deixou aos seus filhos, dizendo-lhes que
não sabia administrar aquela situação. .. Seguia, então, em
direção ao nascer do sol, na esperança de encontrar a sua
velha mulher, para lhe pedir perdão ...

Conto poético: TRAVESSEIRO GELADO

Uma noite fria, muito fria...
O vento, impiedoso, la fora gemia, implorando
para entrar.
Até o frio, sentia frio. Eu também.
Nem os cães latiam.
Somente as árvores se mexiam, querendo de
lá se mudar.
Em minha cama, apenas  o cobertor  me
aquecia.
As doces lembranças daquela mulher, invadem
meu coração, expulsam o sono, me fazem sofrer
de saudade.
Abraço o passado recente,  falo com a minha
dor, ressuscito todo aquele amor.
Passeio  pelos  lugares, aonde com ela estive...
Volto para o  leito, e não adormeço.
Agora, chove intensamente, e o vento sopra mais
forte, parecendo perder a paciência.
Debocha do meu sofrimento.
Mas não consegue afastar, desta casa, a tristeza.
Finalmente, sou vencido pelo cansaço e pelo frio.
Em posição fetal, adormeço.
Durante a madrugada ouço, por várias vezes, o
galo cantar,  parecendo preocupado comigo.
Pela manhã, a cortina,  sem corpo, permite a luz do
dia entrar, e me faz acordar.
Espreguiço o meu braço  sobre o travesseiro vizinho.
Está vazio, e gelado
Aquele corpo ausente, certamente, foi levar calor a
outro ninho.
Ingrato, esqueceu de levar na bagagem,  toda a minha
saudade que, perdida nas cobertas do meu leito,
comigo ficou...