Ninguém trabalhava fora do povoado, mesmo porque
a pesca era abundante, e a salga de carne de peixe,
funcionava freneticamente.
Os filhos das famílias se casavam entre si.
Qualquer notícia, por mais insignificante que fosse,
tinha repercussão em todo o vilarejo.
As pessoas eram bonitas por natureza, graças aos
saudáveis hábitos alimentares, a vida ao ar livre, e a
ausência de vícios degradantes.
Numa fria manhã de agosto, vento forte, mar revolto, o
pescador, Camilo Juventino, avistou no meio das ondas
um homem se debatendo.
Jogou-se ao mar e o ajudou chegar até a praia.
Cristiano , o seu nome.
Contou que estava pescando nas proximidades, e foi
apanhado por um temporal muito forte.
Sua embarcação "emborcou", mas conseguiu nadar até a
costa.
Camilo o levou para casa, cedeu-lhe roupas secas, uma
restauradora refeição, e quatro dias de repouso.
Sua mulher, Ritinha, certamente era a mais linda já
nascida naquele povoado.
Numa troca de olhares com o náufrago, nasceu uma
repentina paixão, tão forte, tão indomável, que somente
Deus poderia explicar. Coisa impossível...
Cristiano furtou uma pequena embarcação à vela, que
se encontrava guardada num rancho de pesca à beira do
mar, e na manhã do quinto dia, aproveitando a ausência
de Camilo, que estava pescando desde a madrugada,
fugiu com Ritinha, em direção ao alto mar.
Embora esta história tenha acontecido na década de 60,
nunca mais se teve noticia destes dois personagens.
Até hoje, já decorrido mais de meio século, Camilo
vai à beira do costão, todos os dias, e olha o mar, na
esperança de ver o seu grande amor retornar..., pois
nunca mais preencheu o seu coração, com outra mulher.

















