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sábado, 29 de junho de 2013

Poema: SEM CULPA DE AMAR


És o meu elo, entre a vida e a felicidade.
O meu alvorecer, o aroma doce da
saudade,  o  vento lento a vagar.
Viajo no teu sorriso, me espelho no teu
olhar.
Sou conduzido pelos teus passos, que
me levam, nem sei para onde,  talvez
para  aquele  lugar....
Na bagagem, nada  além do forte
sentimento de te amar.
Meu destino  é traçado pelo teu rumo,
não me importando onde chegar.
Caminho sobre as águas, entre  as
chamas. Não importa.
De nada reclamo.
Vivo de generosos sonhos, suaves como
a pluma da  paineira, que  transporta  a
semente   recadeira,  para a  vida  renovar.
Teu belo rosto, aparece em cada  gota
d'água,  e me ponho na chuva, para te
beijar.
É o meu jeito de te amar !
Nem mesmo o  amor, é capaz de explicar
este amor...
Sou amado. Não me sinto culpado
 
 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Conto poético: MÓRBIDO SILÊNCIO

 As flores  coloridas, mas sem vida, parecendo de papel,
já não  atraem as  abelhas, não produzem mel.
O beija -flor,  não  mais beija a flor.
O João de barro,  abandonou  sua casinha, solidário à
rolinha, que chora de tanta dor.
Toda a floresta emudeceu.
Um homem  solitário, observa e  medita.
Escutei o  clamor  da  sua  alma sofrida.
Dizia:
"Ah, que dolorosa traição !
Enganaram o meu   Brasil...
Agora, entendo  a natureza. Sofreu.
Abandonaram a educação,  negaram a saúde, a
 segurança, também.
Um povo tão bom, e a  esperança, quase  morreu,
pois chora a lágrima da desilusão.
Só se vê ganância, com muita corrupção.
Não há respeito à sociedade.
Homens e mulheres, que  mandam,  sem nenhum
compromisso com a verdade.
Perderam a credibilidade.
Pagarão caro o crime da traição, e nem a montanha de 
dinheiro, vinda da corrupção, poderá desfazer o que a história 
vai registrar.
Que pena, são seres desprovidos de consciência, só cultuam
a indecência."
Antes de partir, perguntei-lhe o seu nome.
Sua voz embargada, e os olhos, pelas lágrimas, turvados,
não me permitiram  ouvir, com precisão, sua resposta.
Mas tive a impressão de entender  "povo brasileiro"...
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Poema: SONHANDO COM MINHA INFÂNCIA


Sonho com lugares tão lindos,  caminhos floridos, 
passarinhos a gorjear.
Dias ensolarados, e noites enluaradas,  aroma
silvestre a  me  perfumar.
As montanhas parecem me abraçar, mandando
recados, querendo  comigo falar.
Sentem saudade dos meus tempos de criança,
dos gritos da minha infância,  que ainda ecoam
neste lugar.
Encontro a mesma  pitangueira,  coberta de frutos
doces,  para me ofertar.
A cachoeira  de água limpinha, que tantas vezes
minha  sede saciou,  parece sorrir, gritar de alegria,
só porque  me viu voltar.
Não sei se parti, pois o meu coração sempre esteve
aqui. Nunca me esqueci...
Sou  amigo dos  peixinhos, dos batráquios, e dos
passarinhos.
Beijam as minhas mãos...
As lembrança me  dominam !
Quantas vezes, com ela, por aqui passei...
Juras de amor, lágrimas e sorrisos de felicidade !
Creio que por maldade, foi morar noutro lugar.  
Ao  chamar seu nome,  lá do alto, a montanha
responde, dizendo que ela voltará. 
É sempre assim. Mas se ela não voltar,  retornarei
aos tempos de criança, beijarei  a minha infância,
nem  precisarei me acordar !

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Conto poético: BOLA DE MEIA


 
Poucos meninos, de hoje, sabem o que é uma " bola
de meia".
Foi  necessário  morar nos morros da periferia, para
entender o que é  pobreza  selvagem  e, depois,
compreender  tudo isto.
Dividir um pedaço de pão, com seu amigo, construir
pandorgas, brincar na chuva, para  entender o que
representa esta bola, recheada, agora, de lembranças.
Mas era tanta alegria, que até da miséria se escarnecia.
Chega a saudade daquela amizade, que lá no morro
residia...
solidários  amigos !
Juro, ainda  ouço as debochadas  gargalhadas da
rapaziada, querendo a pobreza espantar.
Também,  debochei.
Substituí a  tristeza,  por um coração  transbordante  
de  amor ! E deu certo.
Fazendo companhia  a um punhado de  bolinhas,
coloridas e  tagarelas, com todo o  carinho guardadas,
encontrei, adormecida, uma daquelas bolas do passado.
Na mesma caixinha, habita o dançarino pião, que
tantas vezes alegrou o meu coração.
Hoje, testemunha da minha infância querida !
Sob meu olhar atento, o  malabarista e  audacioso 
boloquê,  se exibe como  antes,  sorrindo para mim.
Não resisti. Retornei aquele lugar, e ainda estava lá um 
daqueles meninos.
Não cresceu, continua criança, como eu, chorando de
saudade daquela  amizade, que o tempo não destruiu.
Aquela bola de meia, guarda o amor verdadeiro, que
uniu a todos numa só emoção !
 
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Conto poético: HORA DE FALAR SÉRIO



                        
Sinto piedade e orgulho do meu povo.
Trabalha cinco meses no ano,  somente para pagar
impostos.
Pior do que  a época da "derrama".
De retorno, muita humilhação.
Falta tudo, saúde, segurança, habitação e educação.
O argumento, de quem manda,  é a falta de recursos.
Mas acho que falta mesmo é vergonha, e também
honestidade.
Sem licitação, o governo gastou bilhões, em  arenas de
futebol, ignorando a prioridade.
Que maldade !
E a corrupção ?  Quanto custou ?
O povo percebeu, protestou, e a explosão social foi geral.
Todo o planeta ficou sabendo.
Foi uma gloriosa  desmoralização !
Por trás de uma máscara, a miséria brasileira, pois  circo, 
e um prato de comida, não escondem  a pobreza.
Que tristeza !
Neste modesto blog, em data de 25 de fevereiro, deste

ano, sob o título "A zebra sem listras", já  havia  alertado:
" Um povo equivocado, redondamente enganado.
Posso compreender  a incompreensão, pois aqui se troca
instrução, saúde e segurança, por futebol.
A moeda forte, é a corrupção.
Quanto mais obras, sem licitação, melhor para o descarado
ladrão"...
Não  há  mais espaços para  arrogância, ameaça e

prepotência.
O povo acordou da hipnose dos  espertalhões, que roubam
bilhões.
Deu um basta. É tempo de cobrança.
Finalmente, das cinzas do horror, renasce a esperança na
verdade, e  no amor !
É hora de falar sério.
Que Deus nos ajude.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Conto poético: O MISTÉRIO DA LANCHONETE


 
O bairro onde moro, é igual a tantos outros.
Possui uma área residencial  expressiva, bem  como  uma
forte atividade  econômica.
Destaca-se,  porém,  pela concentração de  universidades,
públicas e privadas, o que eleva, em muito, a presença de
uma juventude alegre e próspera.
Passei  a observar, com mais atenção, o comportamento das
pessoas, em relação a este fomento social, em todos os
segmentos.
Uma das universidades, que conta com milhares de alunos,
possui, em seu "campus",  bons restaurantes e lanchonetes, 
à disposição  da grande clientela.
Entretanto, um fenômeno vinha ocorrendo, na preferência da
freguesia.
Os jovens preferiam uma lanchonete, localizada  na periferia
daquela universidade,  bem distante das  congêneres internas.
Por que isto vinha ocorrendo ?
A espionagem interessada, logo foi investigar as razões.
Um grupo de estudantes de sociologia, liderado por um
professor da área, foi  observar o mistério.
A "comissão" passou a frequentar a  lanchonete, para poder
tirar as suas conclusões.
A qualidade dos lanches, era igual, ou inferior, em relação aos
demais.
Os preços, superiores.
O conforto, inferior, incomparável ao do campus.
Sob a alegação de que poderia chamar muito a atenção do
proprietário, bem como dos frequentadores, o  professor,
estranhamente,  dispensou todos os demais membros  do
grupo, e passou a  observar,  sozinho, aquele "fenômeno".
Mas começou a faltar  aos seus compromissos de mestre, sem
dar satisfação aos  superiores. A especulação, e boataria, ficaram
incontroláveis.
Permanecia,  naquela  lanchonete, quase o dia todo, se abarrotando
de lanches....
Finalmente, o mistério foi desvendado.
Residia, tudo isto,  numa belíssima e irresistível atendente, que
trabalhava naquele comércio.
O professor casou com a moça...
A lanchonete "quebrou", e a normalidade voltou aquele  campus.
 
 
 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Poema:MONÓLOGO DE UM NAMORADO

 
Sonhos verdes. Paixão.
Realidade ou  ilusão, regras do coração. 
Suspiros  intermináveis, juras de amor, lágrimas
de  felicidade.
Emoção, ao te encontrar.
Estás aqui, minh'alma ouviu a ternura do  teu
clamor.
É verdade, Juro.
Tuas mãos estão frias, procuro aquece-las.
Permites. são macias, bem cuidadas.
Fico feliz, emocionado !
Teu rosto está cheio de luz, iluminado.
Teu olhar está fixo nos meus olhos.
Teus lábios, trêmulos, querem  falar, não
conseguem.
Agora, estas lágrimas, rolando em tua face,
molham minhas mãos.
É um  momento lindo... o mais lindo que já  viVi.
Não sei o que fazer, nem o que dizer.
Teus olhos se fecham, e  procuras o meu  rosto.
Amparo teu corpo em meus braços.  Está  quente !
Acaricio os teus cabelos. Como são macios e
cheirosos !
Não tenho dúvida, nasceste para mim...
Não consegues falar.
Tuas  reações falam por ti.
Agora, vejo meu céu. Agradeço ao firmamento.
Está diferente, as estrelas aparentes,  querendo
escutar as minhas preces.
Não há segredos, são todas dirigidas a ti, Deusa
dos meus sagrados sentimentos,  sedução mulher,
minha querida namorada !
 
 

sábado, 8 de junho de 2013

Conto Poético: UM MENDIGO POETA







Esta noite,  senti uma vontade imensa de apreciar
a minha Cidade, lá do alto da montanha.
E fui até lá.
Acomodei-me no mirante.
Observei a noite de  luar. Que maravilha !
Identifiquei  o lugar  em que nasci, a rua onde moro...
tudo é muito bonito. 
Parece uma árvore de natal, com os seus enfeites, e
encantos.
Estava absorto em meus pensamentos, e quase nem
pressenti um homem aproximar-se daquele lugar.
Pelo seu comportamento, logo deduzi tratar-se de um
morador de rua, um mendigo, quem sabe ?
Educado, cumprimentou-me, e perguntou se não me
aborrecia com a  sua presença. Imagina !
Estava barbeado, não cheirava  a álcool,  usava
sapatos, e as roupas  não estavam rasgadas.
Sob o piso do mirante, guardava os seus pertences,
e passava as suas noites.
Bom de conversa, prendeu a minha atenção.
Ajudou-me identificar os diversos pontos da Cidade.
Disse-me, mais:
" Estou neste lugar, desde 2006. Não o troco por outro.
Subo e desço, esta  montanha, diariamente.
Não tenho vizinhos, ninguém me incomoda, e os
animais silvestres já se acostumaram comigo.
Dou-lhes as sobras dos alimentos, que a Cidade me
oferta.
Não me sinto só, pois escuto tudo o que as pessoas
conversam, lá em baixo... pelo menos, imagino.
Sei o que estão fazendo, comendo, bebendo, se
divertindo. E isto me faz bem. Basta-me, pois já vivi
esta vida, e não me adaptei.
Amei e, creio, tenha sido amado, também.
Não pretendo fazer ninguém infeliz, com este meu jeito
de  viver, ou ser chamado de egoísta social...
Tenho consciência, não é para qualquer pessoa.
É para quem ama a liberdade, a verdade sem hipocrisia,
ou desfaçatez.
Sou, apenas, um homem feliz  que, hoje, conversa com
o céu, mesmo que não mereça a atenção de  Deus.
Falo com as estrelas, com o  vento, com a lua, com a chuva,
e, quando ele aparece,  com o sol.
Toda a natureza me acolhe.
Quem não me conhece, diz que sou louco.
Mas há os que me chamam, e não sei porque, de poeta...."
Fiquei mudo.
Como já era tarde, prometi voltar outro dia, para  a conversa
reiniciar...
Meu  Deus, conversei com um mendigo poeta !

quarta-feira, 5 de junho de 2013

POEMA: MEU HERÓI ESTÁ VIVO

Lamento, profundamente,  a tua dor, compatriota !
No fundo da bateia, os  gritos de liberdade te levaram
às portas da maldade, não te poupando  a traição. 
Não conheceste  a  sinceridade, de quem a ti se juntou.
Lealdade, somente do teu cavalo,  tropeiro e errante,
da voz do teu berrante, que  do campo,  ainda  se pode
ouvir o triste lamento.
Teus sentimentos, transformaram-se  em sofrimento.
De dentista a Alferes, Dragão de Polícia, teu coração
ansioso se inflou.
Teu sonho era  gigante, do tamanho da minha Pátria,
não caberia num coração, ocupado  pela  ambição,
ainda que fosse de um rei.
Impossível dividir  esta riqueza, com a nobreza, pois
é sonho de amor !
Sei de alguém que morreu, assim,  não enforcado e
esquartejado, como tu, mas pregado numa cruz...
Também doeu, Joaquim, e por amor a  ti, a mim...,
a todos.
Ninguém, nem mesmo um rei, poderia  sufocar a
voz do coração.
Não chegaste ouvir o grito de liberdade, após o teu
gemido de dor.
Teus sonhos continuam vivos, transformaram-se em
anseios de decência, de crimes em ausência, de
honestidade em presença !
O Brasil não precisa mais da tua bateia, do teu cavalo
tropeiro, do dentista, com dor, ou do Dragão da Polícia.
Minha Pátria, nobre Patriota Tiradentes, precisa, apenas,
te manter vivo, ainda que somente no coração  dos poetas.



domingo, 2 de junho de 2013

Conto poético: FAÇANHAS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Tenho um grande amigo, um verdadeiro irmão.
Desfrutar da sua amizade, acima de tudo, é um grande
privilégio.
Em um momento de descontração, contou-me a seguinte
história:
"Em minha recente viagem, visitei a Igreja de  São Francisco
de Assis, em Assis - Itália.
Sentei-me à mesa, onde fazia as suas refeições,  com  os
implementos de  uso pessoal.
Fiquei muito feliz, pela oportunidade, e li coisas maravilhosas
a respeito da sua vida, simples, e  bondosa.
É impressionante o exemplo que nos dá, de dignidade.
Já em  minha casa, observava o movimento  de  passarinhos,
no quintal, e me coloquei a  imaginar como aquele homem se
comunicava com os animais.
Deve ter sido a força de um grande amor, que  residia naquele
coração  incomum.
Uma bondade privativa de seres muito especiais.
Repentinamente, um daqueles passarinhos entrou em minha
casa, esvoaçando, como que à procura de algo, ou  assustado.
Não sei bem.
Imediatamente,  abri as portas e janelas, para  facilitar a sua saída.
Ao invés disto, resolveu pousar em meu ombro esquerdo, sem
nenhum temor.
Eu já me encontrava na escada, que dá acesso ao andar superior.
Desci os degraus, com todo  cuidado, para não  assustá-lo, apanhei
a  máquina fotográfica, e  registrei aquele momento, que considero
sublime,  ou  outra coisa,  que não consigo explicar.
Já no jardim, com toda tranquilidade, voou,  juntando-se aos demais.
Deixou, em minha mente, uma das maiores emoções, por mim,  já
vividas, e um rosto, banhado de lágrimas... "
Também fiquei muito emocionado, e ainda estou, amigo Lajus,

que tem o privilégio de ostentar o nome daquele Santo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Conto poético: PAIXÃO DE MOTORISTA


                     
 Ouvi esta história, de um motorista:
 "A tarde estava linda.  Pleno verão.
Em todo os lugares,  escutavam-se  músicas de Natal.
A paisagem, à beira mar, não poderia ser mais bela !
Havia horário marcado para apanha-la...
Não a conhecia. Apenas o endereço, eu possuía.
Passo à frente do mar.  Trânsito suportável, ainda.
Entro em sua rua.
Arborizada, estritamente residencial, e as crianças
brincam, animadamente.
Em minha memória, penúltima casa, à esquerda.
Linda !
Flores e folhagens, tomam conta do jardim.
Parecia um sonho.
Já estou estacionado. Não devo  telefonar.
Ela virá no horário que marcou. Garantiu-me.
Confiro se tudo está arrumado, no interior do
automóvel. Claro, está.
Percebo um movimento.
Alguém está se aproximando  do portão.
Rapidamente, abro a porta traseira do automóvel
e, gentilmente,  a recebo.
Deslumbrante !
Indescritível,  a beleza daquela mulher.
Vestido vermelho, cabelos longos, negros,  e soltos...
Seria uma  heresia detalhar o seu encantamento.
Transferiu, para dentro do automóvel, todo o perfume
das flores do seu jardim...
Cumprimentou-me com delicadeza, e uma voz macia,
como  pétalas de  rosas. Ela é a própria rosa, cheirosa...
Conversou comigo, durante todo o trajeto.
Ah, meu Deus !
Este é o lado bom da vida, que eu jamais conhecerei.
Quase  chegando ao destino, surpreendeu-me com um
convite, irrecusável.
Jantar, à noite, em sua casa...
Nossa, que emoção !
Foi tão forte a surpresa, que me  tirou do sono profundo,
em que me encontrava, esperando o patrão, no pátio da
empresa..."
 
 
 
 

domingo, 26 de maio de 2013

Poema: PALAVRAS AO POETA

 
Não sei quem és.
Nem mesmo  o teu nome, jamais ouvi.
Estás  sempre falando de flores, olhando
ao céu, procurando os teus amores.
Choras,  alheia dor...
Falas  de saudade, conversas com a alma,
como se ela  estivesse aqui.
Até as águas da cachoeira,  que alimentam
as corredeiras,  são tuas confidentes.
As montanhas te conhecem, pelos ecos
te  enaltecem, querendo contigo  falar.
Passeias nas estrelas, como se fossem o
teu lar.
Ah, poeta !
Não sei quem  é o mais feliz, se tu, sonhador,
ou eu,  que não saio deste lugar.
Quero, contigo, aprender amar, saber
escrever e falar, sobre  as coisas belas
da  vida,  dos mistérios que envolvem
o amor.
Quero que me ensines como conversar com
minh'alma, saber o que diz o beija- flor, ao beijar
o seu amor, e  com quem aprendeu o "João de
Barro",  a construir tão bela casinha.
De onde vieram o inebriante perfume do  jasmim,
e  a ofuscante luz do  brilhante ?
Somente tu, poeta,  portador  desse generoso  e
infinito jeito de amar, poderás me explicar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

conto poético: FORMOSURA PERFUMADA


Fantástica, a nobreza do ambiente.
Incomparável, a alegria  dos casais...
Festa restrita. Muito restrita !
A música romântica, revela o amor familiar, inserido
na filosofia de vida  daquelas pessoas.
Lindo de se observar !
As mulheres, esbanjando trajes noturnos,  chamam
a atenção dos presentes, pela graciosidade.
Os homens,  dão o tom da  seriedade, ao festivo
jantar. São todos irmãos...
No fundo  do salão, uma reunião de beleza, rouba a
cena.
Não resisto, e me  aproximo.
Amor à primeira vista...
Linda !
Autorizada,  viajará comigo.
Tinha que  ser minha...
Término da festa.
Dirijo-me ao meu destino, distante cerca de 200 km.
É madrugada, e a estrada perigosa. Chove muito.
Abraço-a com  ternura,  e desfruto daquele raro
momento.
Não me canso de apreciar  sua alma,  colorida e
perfumada.
Nada fala... nem  precisa, mas fica assustada.
Temo por sua reação, ao  novo lar.
Chego, e adentro à sala.
A recepção, só é comparável a de uma rainha.
Acomodo-a  em seu trono, e recebe os admirados
visitantes, extasiados com sua beleza.
Emoções, deferências e lágrimas !
Logo, conquista o  seu  reinado,  espargindo
perfume, e  seduzindo a todos, com  sua  formosura.
Seja bem vinda, minha linda orquídea !

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Poema: MEU NOBRE CONTERRÂNEO

 Perdão, nobre amigo, mas não sei por onde eu andava,

quando  partiste da minha Terra, que também é tua.
De mim, pobre coitado eu, nunca  ouviste falar. Também...
Mas de ti... nossa !
És um gênio. Um mago das letras, da  posição das palavras,

do tempero dos sentidos.
Fico impressionado, pensando, até mesmo, que não
pertenceste a este mundo.
Mas nasceste aqui, neste modesto lugar ... então , vou
acreditar. Sou teu conterrâneo. Estou muito orgulhoso !

Nossa, João, só viveste 36 anos ?
Perdeste para  um simples bacilo, um tal de  "Koch", a tua
preciosa vida ? Por que não me pediste ajuda ?
Ah, João !
Eu teria nascido antes, só para te ajudar.

Nem permitiria que saísses deste lugar, amigo velho.
Dizem que santo de casa não faz milagre mas, contigo,
foi  diferente.  Tu, és genial !
Cometeste alguns erros na vida, que dificultaram os

teus passos. Haver nascido em pleno regime escravagista,
e ficado ao lado dos escravos, lutando pelo fim desta
aberração social.
Os teus 4 filhos  foram " assassinados" pelo teu inimigo,  este
tal de  "koch" e,  como se não bastasse o tamanho da desgraça,
tua mulher morreu louca.
Não imaginas o quanto eu lamento tudo isto.
Não sei se sabes, e talvez nem saibas, o teu corpo, aquele
mesmo que deixou o umbigo aqui, na minha querida Terra,
foi transportado de Minas Gerais, para o Rio de Janeiro, num 
vagão   reservado aos cavalos... Bonita deferência, João !
Mas, fica tranquilo,  pois já  fizeram  a mudança, e desta vez,
para a tua terra  natal.
Isto eu posso garantir.  Estive presente à cerimônia, e fiquei
emocionado... linda !
Entendo as razões políticas, mas  acho que é uma agressão
ao teu nome, sagrado na literatura mundial, quando  trocado
por "Cisne Negro".
Aprecio mais, quando te chamam,  com todo o respeito, de
JOÃO DA CRUZ  E SOUSA, ou, no mínimo, CRUZ E SOUSA,
meu grande Poeta, meu nobre conterrâneo.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Poema: ALGEMAS INVISÍVEIS

Releio, na história,  pelourinho e chibata, num
teatro  sem amor.
Gargalha o carrasco, com os gritos do horror,
até sua pele mudar de cor.
Não se abrem as algemas, nem  se  rendem 
os grilhões.
Pesadas correntes, não libertam nem a sombra
do sofredor.
Em minhas mãos, os ferros do passado me
deixam assustado...
Arranhões profundos, testemunham o
desespero, na luta  pela liberdade.
Apenas,  a liberdade, meu Deus !
O calor da forja, parece o inferno de portas
abertas. 
A  bigorna  ainda grita, negando-se  calar.
Entendo o seu falar...
Também sinto  aquela dor.
São  torturas  que  me  fazem  chorar.
São  chagas na alma,  saudade  que não 
dorme,  coração inquieto.
Sinto pena de mim.
Olho para trás,  até as sombras  se arrastam
nas correntes,  queimando na  forja ardente.
Tuas lembranças,  tua voz,  teus encantos,
 misturam-se aos meus  prantos, me fazendo
sofrer. 
São algemas invisíveis, laços de amor, tão 
fortes, que  nem o tempo, por mais  distante  
que esteja, consegue libertar.