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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Conto poético: BOI DE MAMÃO

Ao longe, já se escuta a cantoria, bem entoada e animada.
Cercado por uma multidão, lá vem ele, o boi de mamão.
Veio de tão longe, atravessando o oceano, para aqui morar.
É um encantamento.
Parece, até, um circo sem lona.
Tem palhaço disfarçado, um boi que perdeu a cabeça de
mamão, mas o nome não, cabrinha safada e animada,
uma gulosa bernunça, que engole tudo, uma mulher enorme,
a maricota, toda desajeitada, metida a namoradeira.
Até um urubu, aparece no pedaço.
A música cadenciada, servida de uma letra contagiante, sem
cerimônias, arrasta a multidão ao delírio das emoções.
Cada protagonista, é conhecido da platéia. A arena, montada,
à frente de cada casa escolhida para o espetáculo, anuncia,
pomposamente, o nome da família, na esperança de uma boa
oferenda receber.
Nunca falha. É humilhante não atender.
Começa o espetáculo.
Os cânticos comandam a apresentação.
O frenesi se instala, e as provocadas emoções, de alegria e
de medo, estão presentes.
Neste palco, não há paredes, portas, janelas ou cadeiras.Todos
sentam nas poltronas da saudade, e da inocente brincadeira...
O dia amanhece. Já se passaram tantos anos... e ainda escuto
a cantoria, as gargalhadas emocionadas e o médico afirmando
que o boi de mamão não morreu, pois veio para ficar !

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