pulsando

Seguidores

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Poema: VENHA VER



O que restou de tudo o que vivemos, das promessas
que fizemos, do amor que juramos.
Mudamos a história.
Seguimos caminhos diferentes, nas confusas
encruzilhadas da vida.
Os acenos falsos da sedução, os sorrisos sem  graça
e sem razão, cegaram a realidade, mataram aquela
linda paixão.
O vento geme, grita  de dor, trazendo a chuva, 
lembrando as lágrimas derramadas por aquele amor.
As forças se esvaem por entre as mãos, postas como
numa prece,  e sem piedade, desaparecem.
E os meus olhos choram de saudade daquela grande 
felicidade !
Venha ver, sim, venha ver  como eu, o nada do que 
restou...


Sinval Silveira

terça-feira, 17 de abril de 2018

Poema: SABES POR ONDE ANDO ?



Não creio que saibas !
Fujo da vida e me escondo no mundo.
Nem eu mesmo me localizo, quando
mudo de rumo.
Caminho pelas infinitas  estradas da 
imaginação, carregando os fardos  que 
 a vida  me reservou.
Sou amigo dos mendigos, conheço, de 
cada lugar, as  praças e os abrigos.
Minha cama de  papelão, dispensa 
cobertor e colchão, e adormeço  ao 
embalo de uma grande paixão.
Cada cão abandonado, também toca 
fundo o meu coração.
Com eles, divido as poucas migalhas
que  o destino me reservou.
Não preciso de cajado na caminhada.
Cada passo que dou, nasce a esperança
de encontrar uma mão estendida, para 
apoiar este corpo, já claudicante. 
Estou muito longe de ti  mas,  tua imagem
alucinante, sempre está aqui !

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Conto poético: O PAPA OVO



Por aqui,  nesta Cidade, até  mais da metade do
século passado,  as residências  possuíam  
galinheiros e canteiros de hortaliças. 
À frente das casas, ainda que pequenos,  os jardins 
floridos eram o destaque.
Dálias, margaridas e outras  tantas variedades,
eram cultivadas e trocadas  pelos vizinhos, como
forma de bom relacionamento.
Aos fundos, a cantoria dos galos e o cacarejá 
das galinhas, destacavam  a fartura da carne e dos 
ovos.
Não poderia faltar, também, a  presença impoluta
do  carrancudo  guardião do terreiro: o cachorro,
que recebia, como paga, apenas, os restos de 
comida.
Quando  o seu dono o flagrava comendo um ovo,
era desmoralizado com o apelido de "papa ovo".
Espancado, degredado ...
Mas, o castigo mais cruel, mais insensato,  que 
presenciei, foi  colocar um ovo,  com a temperatura 
de 100 graus centígrados, na boca do animal, para
ensina-lo a não mais  comer ovos...
E aquele  "fiel guardião" que, certamente, tantas 
galinhas  das  mãos do ladrão salvou, não merecia,
sequer, um ovo do seu patrão...
 
sinval silveira








domingo, 1 de abril de 2018

Poema: QUEM ÉS TU ?



Preciso,  sempre, conversar contigo.
Sinto que, às vezes, me olhas diferente...
Ficas com medo de olhar em meus olhos.
Observo  as marcas que a vida  deixou em 
tua face,  e  posso contar  a história de todas.
Tristezas,  alegrias, vitórias e derrotas,,  misturadas 
numa só emoção.
Peço conselhos. 
Jamais me negaste atenção. 
Ainda que meio sem jeito, falas me olhando 
nos olhos, mostrando os caminhos que devo 
seguir.
És o meu fiel confidente.
Crescemos, sorrimos e choramos juntos... mas,
por ironia da natureza, somente nos encontramos
no  espelho !

Sinval Silveira