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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Poema: O BOTEQUIM


Sonhos e delírios,  afloram como flores e espinhos.
Quebram-se segredos,  conquistas e acusações...
Confissões assustadoras, sem medo.
Abraços, irrigados por lágrimas, são trocados entre
amigos do etílico.
Choros e sorrisos  se fundem  na mesma emoção !
Todos falam  com os olhos brilhantes de uma alegria 
constante.
Ninguém estanca o  doce ou  amargo pranto...
Nada mais importa.
São os amigos de  botequim, algemados ao 
conhaque,  vermute ou  à cachaça.
Cantam, batucam e até declamam versos !
Falam de  amores que  partiram, de paixões 
que ficaram e de traições que  não morrem.
Todos parecem poetas.
Arrancam aplausos, com lágrimas !
Mas, não  se bebe, sem oferecer um gole ao  Santo
protetor.
Vale tudo...
Sorrir, chorar, ficar calado ou falar.
O ambiente é democrático.
Muita alegria e  tristeza..
Hora de ir embora, somente quando o botequim 
fechar... e fechou !

domingo, 9 de setembro de 2018

Conto poético: UM FÓSSIL DA PRÉ-HISTÓRIA



" Estou aqui, nesta mesma posição, há milhares de anos.
Até então, ninguém me encontrou.
A  terra, que me acolheu,  transmitia os recados do meu 
povo.
Olha-me bem, mas com todo o cuidado.
Tenho muito  a  revelar  !
Pelos sinais que preservo, poderás  saber se sou  um
guerreiro ou mulher.
Minha idade, saberás com precisão.
Altura e  peso, também. 
Até minha cor, te direi.
Meus dentes te falarão sobre  a minha alimentação.
Revelarei  o que me trouxe até aqui.
Acredita em mim !
Queres saber o meu nome ?
Não posso te informar,  mas aceito o apelido 
que  queres me dar.
Ficarei muito feliz !
Quem sabe, "Abu"...
Acho bonito !
Deixa o sol me aquecer.
Sinto frio e  saudade da minha gente...
Obrigado,  por haveres   retirado este manto 
de terra.
No mais, algum poeta falará por mim. "
Sinval Silveira

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Poema: Homenagem a Minha Pátria!

 
 
 
Transfiro a honra de te saudar, reverenciando a memória
de gloriosos filhos teus.
Do homem, nada restou.
Da sua família, mulher e quatro filhos, somente a loucura
e o bacilo de Koch, podem explicar.
Do gênio, restou o que a história registrou.
Neste teu aniversário de liberdade, jogo aos teus pés os
doces poemas, missal e broquéis, berçados nos
sentimentos privilegiados, e na  nobreza de uma inteligência
literária sem  precedente, que somente tu,  Pátria Brasileira,
pode ser merecedora.
Cuida, hoje, dos jardins no infinito, colhendo flores soltas no
ar.
Meu Poeta, João da Cruz e Sousa, que orgulho  tenho de ser
o teu conterrâneo,  e poder homenagear a tua, e a minha
Pátria !
Sei, João, que um vendaval de decepções varre o  teu 
querido País.
Busco, então, alento nos grandes exemplos do teu digno
irmão.
Um homem de verdade, quase lenda.
Um sertanista, diriam alguns.
Para outros, um desbravador, a quem muito deve a tua
história.
Recebe o fraterno abraço do teu digno filho,
Cândido Mariano da Silva Rondon, ou, muito
respeitosamente, Marechal Rondon !
Da estatura patriótica deste  digno homem,  ouço a ecoar
no coração do povo brasileiro, a angústia de uma voz
estrangulada pela incompreensão humana.
Desabafa, Patriota e Mártir, Joaquim José da
Silva Xavier - Tiradentes.
Assim diria:
" AGORA, QUE CONQUISTAMOS A
INDEPENDÊNCIA TERRITORIAL,  A  ABOLIÇÃO
DA ESCRAVATURA,  A  PROCLAMAÇÃO DA
REPÚBLICA, TEMOS QUE CONQUISTAR A
DECÊNCIA  POLÍTICA E ADMINISTRATIVA."
Parabéns, Pátria Brasileira !
Salve 7 de setembro !
 
 
Sinval Silveira

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Conto poético: A DECADÊNCIA DA PROSTITUTA



Sentada na  mureta do jardim, lançava  todo 
o charme que lhe restou da vida, em cima dos
homens que passeavam a sua frente.
Sorria, mesmo sem achar graça, como se 
aqueles fossem os últimos trunfos de 
conquistas.
Cheirava uma rosa, já sem vida, e fingia
prestar atenção na voz do sino, vinda do
campanário.
Demonstrava carinho ao pombo,  que cortejava
a sua  amada,   próximo aos seus pés.
Bem vestida e  exalando açucena,  parecia 
ansiosa, esperando por  alguém, ou por qualquer 
um,  que já estava  atrasado.
Consultou  o relógio uma dezena de vezes, 
agora, assinalando mais de  22,00h.
Nem os homens  mais velhos, sequer por 
educação, a cumprimentavam.
Muitas jovens, na área, tiravam o seu brilho,
já ofuscado pelo tempo...
Entristecida e só,  foi dormir numa pensão antiga, 
frente ao jardim.
Foi a última vez que a vi.
Quando os sinos dobram,  parecem  chamar por 
aquela mulher, hoje, vestindo  uniforme  num asilo
de idosos, bem próximo ao jardim  onde  reinou,
soberanamente, por muitos e muitos anos.
Nem mesmo os seus  antigos "súditos",  seriam 
capazes de  reconhece-la...
 
 
Sinval Silveira

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Conto poético. O FAROLEIRO



As grossas ondas lambem  as  escarpas rochosas
da pequena Ilha oceânica, provocando estrondos
assustadores.
Os poucos  arbustos  se curvam  aos fortes ventos, 
vindos do mar.
A visão da terra firme é muito distante.
Noite escura, chuvosa e fria...
Aos navios e  barcos pesqueiros, um grande farol
sinaliza  "zona de perigo".
No  seu interior, um homem solitário presta 
relevantes  serviços à  navegação marítima.
É o  faroleiro.  Um  herói !
Missionário da  bonanza, zelador da segurança,
"Anjo da Guarda"  do passante !
Durante  o dia, aproveitando a trégua da obrigação,
escreve contos vivenciados  na solidão.
Diz  receber a visita  de lindas sereias, na madrugada,
formando um lindo coral de vozes !
Submarinos,  que ancoram nas proximidades da Ilha, 
presenteando-o com  mimos,  vindos de muito longe.
Gaivotas gigantes, que habitam aquelas  águas, 
vigiando  embarcações naufragadas nas 
profundezas do mar.
Ao despedir-se, convidou-me  para testemunhar
a  veracidade destes  contos, permanecendo uma
noite na sua  "Ilha da Imaginação".
Agradeci, sensibilizado, pois já possuo a minha,
com histórias  semelhantes, igualmente "verídicas".
Sinval Silveira

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Poema: O PODEROSO BRUXO



Sentou-se no topo da montanha, olhou a linda
paisagem e resolveu rapta-la.
Anestesiou o mar, proibindo o banho  das encostas,  
sucumbindo a vida.
Sepultou as gaivotas no azul do céu.
Proibiu a açucena de exalar o seu embriagador
perfume e calou o canto dos passarinhos.
O vento não mais balançou as verdes folhas do
coqueiral, e as ondas adormeceram, preguiçosamente.
O pescador,  enfeitiçado,  não mais conseguiu recolher
a rede, nem  retornar  ao trapiche.
Finalmente, sarcasticamente sorriu, lavou os pincéis e
desceu a montanha, aplaudido pelo mundo das artes !
 
Sinval Silveira




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Poema: SONHO DE ESPANTALHO


Condenado,  cumpro  uma  cruel missão...
Espantar  sabiá, gralha azul e  porco  do mato.
Sinto vergonha de fazer este  papel, mesmo sendo um 
espantalho.
Estou vestido de gente,  mas sem poder andar, dormir 
ou  falar.
Tenho compaixão dos  bichinhos, morrendo  de fome e 
de medo, não podendo desta roça  desfrutar.
Sou feito de palha seca, chapéu de aba larga e assustador,
parecendo uma cena de terror.
Consigo assustar a todos, menos  evitar  o  veneno que
sufoca este  lugar.
De braços abertos, no calor do sol  e  no  sereno da 
noite,  sonho em  ser, apenas,  o que pareço:  
Um  espantalho na  plantação,  um  palhaço na  vizinhança, 
uma brincadeira de  criança !
Quando passarem por mim, me olhem  com admiração.
Minh´alma é cheia de sentimentos, transbordando de 
amor, meu coração !
É assim que sonho ser.
Sinval Silveira

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Poema: UM SÍMBOLO À EMOÇÃO


Quero  simbolizar  a  emoção !
Vejo estátuas de  corpo inteiro, meio corpo e,
até,  monumento sem corpo !
Nada me  emociona. 
É preciso mais...
Tem que falar aos amantes,  inspirar  os viajantes,
perfumar o Céu  !
Obra da natureza,  transpirar  alegria e  nobreza,
berçando  contos e poemas, mensageiros  das
paixões  !
Ter como residência a  alma do jardineiro,  ouvir
os campanários  e  aplaudir o cancioneiro !
Não carecer de  pedestal,  esbanjando  encantos, 
mesmo na presença do  pranto.
Tu,  somente tu,  ROSA  AMARELA, dispensas  o 
charme da  passarela,  para brilhar os  olhos  dela !
És o símbolo da emoção e carcereira  da minha 
eterna admiração !
Sinval Silveira




quarta-feira, 25 de julho de 2018

Conto poético: PERSEGUIÇÃO A UM ESMOLEIRO



Pelo menos, duas vezes por semana, lá estava  ele,
em sua velha cadeira de rodas, na porta do mercado
público.
Sem as duas pernas... comovia a todos que prestavam
atenção.
Uma moeda aqui, uma nota ali... e, no final do dia, 
a  caixinha cheia.
Despertou ciúmes em outros esmoleiros.
Começaram, então, as denúncias.
" Ele tem as pernas, pode trabalhar" .
Fiscalizado pelo poder público, o esmoleiro não tinha
as duas pernas.
" Libera o coitado".
Mas a polícia ficou de olho, pois houve quem jurasse
te-lo visto, nss  cercanias, andando normalmente e
frequentando os bares  noturnos.
" Ele quer dinheiro para beber cachaça".
Um mistério para o Investigador Policial, " Lenço
Verde". Um verdadeiro "perdigueiro".  Famoso...
Certa noite, o "esmoleiro" caiu no flagra.
Andando, muito bem, com suas pernas,  bebia
um belo copo de cachaça, sorrindo e debochando
da sociedade  comovida.
Atrás das grades, no dia seguinte e já sem o 
efeito etílico, pediu para falar com o Doutor Delegado.
Quero saber por que fui preso ?
Por haver bebido álcool ?
E o Doutor Delegado explicou, educadamente, que
ele foi preso por  ludibriar as pessoas,  pedindo 
esmolas,  fingindo uma  deficiência física, inexistente.
Neste exato momento, chega àquela Delegacia o 
herói ",  Lenço Verde", empurrando a cadeira de rodas
com  o Irmão gêmeo do  preso,  sem as duas pernas.
Finalmente,  tudo ficou devidamente esclarecido....
 
Sinval Silveira



quarta-feira, 18 de julho de 2018

Conto poético: EU ESTAVA LÁ...




Passaram-se muitos anos...
Não se esquece um gesto, quase Divino.
Cinco  meninos  descendo o "Morro  da Cruz", nesta
minha querida Cidade, a caminho do campinho de
futebol.
O sol  de verão  levantava o cheiro doce do "capim 
melado".
Os cães ladravam, mas não se  aproximavam, por  
preguiça  ou  aconchego da sombra fresca do bambuzal.
As  cigarras cantavam, sem parar, parecendo um coral
de vozes, enquanto os passarinhos,  calados, se 
limitavam  a  escutar.
Através atalhos,  seguiam  pelos fundos das casas, 
para diminuir  o tempo  da chegada.
Havia de tudo, até vagabundo bebendo cachaça, 
fazendo arruaça.
Mulheres brigando, crianças chorando.
Mas,  a  euforia  era  incontrolável. 
A fome, também...
Um deles tirou do bolso um pequeno pão,  dividindo
com os  demais.
Apenas uma  dentada,  mas o  suficiente para calar 
o grito brutal  do estômago.
Que gesto,  meu Deus !
Quem poderia  esquecer um episódio deste ?
Eu estava lá...
 
Sinval Silveira




sexta-feira, 13 de julho de 2018

Poema: SEIXO ROLADO


Corrente  d´água agitada...
De onde vieste  ?
Sei,  já  foste grande, um dia !
Hoje és um seixo,  talvez cansado de tanto rolar.
Grande,  não chegarás ao teu destino.
És pesado, a água não te levará.
Cambaleante,  mudas de lugar a todo instante,
querendo o mar alcançar.
Persistente, ontem estavas lá. 
Hoje, aqui, em minhas mãos.
Lindo, lapidado ao longo dos anos, te comparo
aos desenganos que a vida nos traz.
Já foste, quem sabe, uma montanha que ao 
mar deseja chegar, na forma de um pequenino 
grão de areia.
Ninguém te reconhecerá,  nem saberá  do teu
sofrimento,  nas correntes das águas frias,
querendo  um  abraço da  onda do  mar.
 
Sinval Silveira

domingo, 1 de julho de 2018

Poema: SAUDADE VITORIOSA



Passo a passo, cheguei à frente  da casa.
Quando fui embora, as árvores eram tão pequenas...
As paredes  refletiam o brilho da felicidade !
Na varanda, habitava uma família de sabiás.
Não há mais vestígio do ninho.
Também, deixaram este lugar.
O barulho do mar e o vento, permanecem  como 
testemunhas, e a velha pitangueira oferece-me
seus doces frutos, como num abraço de boas vindas.
A caixa postal denuncia o abandono, saturada de
papéis  vencidos.
Os vizinhos me cumprimentam e reconheço alguns.
Finalmente,  reúno fragmentos de coragem e resolvo 
adentrar.
Não há mais nada em seu interior, além dos móveis
e lembranças... muitas lembranças
Abro todas as portas,  janelas  e deixo o vento renovar
o ar. 
O sol, faceiro, espanta a penumbra do passado.
o beija-flor branquinho vem me cumprimentar, entrando 
 e saindo  várias vezes.
" Esta casa também é tua, amiguinho ! "
Falou meu coração.
Fecho os olhos e sou transportado ao passado.
Escuto vozes  e um profundo silêncio invade o ambiente.
Fui embora, o tempo passou e  as pessoas, também.
Somente eu voltei,  e nem sei porque.
Creio que a saudade foi mais forte. 
Venceu a promessa que fiz de  nunca mais voltar...
 
Sinval Silveira

sábado, 23 de junho de 2018

QUANDO A SAUDADE PERDE O ENDEREÇO





Foi embora, com a pressa de um pássaro 
retornando ao seu ninho...
Por mais que pedisse para ficar, partiu.
Meu coração sofreu, dando lugar a uma
intensa e dolorosa saudade.
Meus olhos choraram,  até  secarem as 
lágrimas.
Como lembrança,  nem a esperança  ficou.
Uma  saudade, sem pedir licença, atropelou
minha vida,  abrindo profundas feridas  no
meu  jeito simples de ser.
Açoita  meus pensamentos,  afloram sofrimentos,
embrutecendo  meu coração.
À beira do mar, sob um  lindo luar, somente o 
vento e as ondas me consolam...
As gaivotas noturnas se assustam com o meu caminhar,
procurando abrigo no mar...
Não tenho onde me abrigar.
No final da praia, a saudade me procurou e não
mais me encontrou.
A pedido das gaivotas, o mar me abrigou...
 
 
Sinval Silveira

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Poema: FOI ASSIM,,,



Estávamos a  sós.
Eu ouvia,  enquanto  ela  Falava.
Ninguém mais falava.
Ninguém mais ouvia.
Chorava, mas  as lágrimas eram minhas.
Então, eu  sorria e os Seus olhos choravam.
Mesmo, assim, mandou-me embora...
Obedeci.
A renúncia, também, é  um grande gesto de
amor.
Em silêncio,  aguardei  um recomeço...
Foram muitos anos de felicidade !
Enviei-lhe  as seguintes poucas linhas:
" Quando a saudade quiser  judiar de ti, eu 
estarei aqui, com a mesma alma cheia de amor !
Tudo que eu possa dizer, neste momento, será 
muito  pouco,  diante do que mereces.
Não permitas que o tempo nos atropele.
Fomos muito importantes,  um para o outro.
Sabes do que estou falando.
Deus, também...
Um  fraterno abraço ".
O tempo foi generoso e a saudade perdeu o 
endereço.
Foi assim.
Tudo em profundo silêncio...
 
Sinval Silveira





quinta-feira, 14 de junho de 2018

Lançamento do "Livro Coração Tagarela' 3 edição!!

Nesta segunda feira, dia 11 de junho de 2018,   o GPT, Grupo de Poetas  da Trindade se reuniu no Centro Integrado de Cultura ( CIC) em uma festiva ocasião. Além do encontro de música e poesia tradicional, tivemos o lançamento do livro Coração Tagarela, do poeta Sinval Santos da Silveira.