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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Poema: MAGIA LAGEANA


Paredões  que se transformam em calabouços gelados,
paralisando os  seres  alados.
O grito de guerra  do gavião  valente,  entala na garganta,
amedrontado.
O vento gelado sopra sem piedade.
A  água  dura do riacho, não  dá  de  beber ao  animal
sedento.
A coruja  esconde a cabeça sob as asas,  procurando se
aquecer.
No  rancho  do  fazendeiro,  somente  um fio de fumaça se
atreve  no  terreiro...
Nem  o  "caboclo"  acoa.
Não é bobo, fica  embaixo do fogão, esquentando  sua lã
de proteção, enquanto a chapa quente prepara  o chimarrão. 
Agora, com o sol  a pino, gorjea  a passarada, o boi bebe
água na corredeira, e a gralha  azul  canta  faceira !
Lá,  no despenhadeiro,  sobrevoa  o gavião guerreiro,  
convidando  o mundo inteiro  para "roncar"  um  mate 
quente e amargo, na cuia do chimarrão !
A sombra  fria  da  Serra Lageana,  se  rende ao sorriso
franco do povo hospitaleiro, e ao  sabor mágico do fruto
do pinheiro ! 


Sinval Silveira

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Poema: AMAZÕNIA, O GRITO QUE NÃO SE OUVE






" Estou ardendo em chamas".
As vidas, que agasalho,  em pânico  pedem socorro.
Ninguém escuta meu grito. 
Nem o eco responde.
O fogo não sabe  a extensão do meu sofrimento.
Tento te avisar,  com sinais de densa fumaça, mas
não  acreditas.
O mundo precisa de mim.
Os reinos precisam de mim !
O tuiuiu abandonou seu ninho e as plantas  viraram
cinzas.
Parece  que o inferno se mudou para cá.
Quero pedir socorro  a Deus, mas não enxergo o Céu.
Na Terra, ninguém me escuta.
O beija -flor leva água no biquinho,  mas  a fogueira
é grande demais.
Os rios tentam, em vão,  sair do leito, para afogar o
dragão.
A chuva parece temer o foco,  caindo  distante  daqui.
Meu desespero é grande...
Até a rima destes versos,  como Joana D´Arc, foi
queimada na fogueira. "

Sinval Silveira

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Poema: LEI "MARIA DA PENHA"


       
 Tentou sua vida  harmonizar, em nome do amor que sentia.
Apostou nos sentimentos e nas promessas que  recebia...
De joelhos rezou.
Segredos guardou, enxugando  lágrimas e chorando  
em silêncio.
Gritou,  e o éco do seu grito não  voltou.
A vergonha  amordaçou  sua voz,  pela vida que levou.
Nem força  restou...
O sofrimento, como erva daninha, destruiu sua felicidade e,
sem piedade. sua vida  ceifou.
Não há mais pressa, nem promessas...
A covardia,  instalada  sob o manto da crueldade, acabou
com os sonhos da felicidade, levando  a vida,  deixando a
cicatriz  da maldade.
Só esperança restou, na justiça que virá,  na pena que 
pagará, nas mãos fortes da Lei  " Maria da Penha", que 
aí está !
 
Sinval Silveira

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Poema: ESCOLA DA VIDA




Sem professores ou bancos  escolares...
Não há merendas, nem diplomas.
O curso é definido pela  duração da vida, que tudo
 sabe e tudo ensina, na formação do sábio cidadão !
Podem  explicar, no seu nobre  linguajar, os mistérios
da existência, os segredos da matemática, fazendo 
contas  de cabeça, e a sabedoria  em profunda  filosofia !
Explicam a formação do Universo,  a influência  da lua
e, até, os passos de Jesus Cristo  pela Terra,
São craques em medicina, dão receitas de folhas e raízes, 
curam doenças com benzeduras, olho grande com reza braba, 
emplasto  caseiro, para quebradura.
São sábios,  semi-Deuses,  que existem  desde que  o
" macaco  era  gente" !
Educados e humildes, são felizes  no seu jeito,  rejeitam 
a ambição, guardando  o grande tesouro  da vida,  no  
coração !
É a " Escola da Vida ", na formação do cidadão !
Eu não duvido.
Sócrates, também não ...
Sinval Silveira

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Poema: GARIMPO DA VIDA



Não  posso medir  a intensidade  da dor ou da felicidade,
 que carrega minh´alma, ao longo da vida,
Como um garimpeiro, que procura o  tempo inteiro,  o brilho
 da ilusão,  garimpo  no fundo do coração, os fragmentos
de  um grande amor !
Separo,  na bateia de malha  fina,  a verdade da mentira,
procurando a luz da explicação.
Joguei  fora, nas correntes de água fria,  tudo o que era 
mentira, tudo o que era ilusão.
No fundo da  bateia, depois de tanto garimpar  lembranças,
somente  a sombra dela restou !
E a verdade me olhou,  tentando alguma coisa me dizer,
como se eu não soubesse o que fazer;
De  joelhos, na beira do riacho,  orei  com  fervor ao meu
Santo protetor.
Assustado,  enxerguei  no fundo daquela peneira, uma 
pedra preciosa, esperando ansiosa  pelo meu perdão  !
 
Sinval Silveira






sexta-feira, 26 de julho de 2019

Conto poético: DIÓGENES




Quem foste tu, homem ou lenda ?
Mais velho que Jesus Cristo ?
Fico impressionado com as notícias que chegam
aos meus dias, a teu respeito.
Rebelde ?
Não  me atrevo a tanto, pois não te conheci...
Gostei da tua resposta a Alexandre, o Grande...
Ficou impressionado, pois   não permitiste que
roubasse o teu sol.
Também, ele não poderia devolve-lo.  
Que  lição irreverente e inteligente, Amigo !
Veja só, queria ser tu, Diógenes, se não fosse o
homem que  foi  !
Que linda, esta parte da tua história !
É verdade que pedias esmolas às estátuas, para
te acostumar com as decepções ?
Que atitude inteligente. Coisa de Mestre Filósofo !
Jamais imaginaria isto.
Mas, morar num barril,  é  demais !
Que ideia criativa, homem,  demonstrar auto 
suficiência...
Que coisa !
Ser vendido, como escravo, e se tornar professor
do filho do teu  Senhor, não é para qualquer um !
Olha, é preciso ser diferente,  competente e talentoso,
 Senhor  Filósofo, Mestre da vida,  DIÓGENES  DE SINOPE, 
o Cínico  !

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Poema: TELAS DA VIDA


Não suportando a  saudade,  retornei  aquele lugar.
Ouvi a mesma música e relembrei cada palavra.
As  minhas respostas e as  respostas  dela...
O perfume das flores  a  tudo  presenciou.
Os pássaros vieram gorjear as mesmas canções.
Perguntaram por ela... 
As borboletas brancas estavam lá e, graciosas,
bailaram  e  aplaudiram !
Até o guarda  estranhou  minha solidão.
Creio haver adormecido e sonhado com um beijo. 
Lábios  de artista são sagrados, na presença de todos, 
não podem ser beijados.
Gostei da surpresa...
Com muita ternura,  deu-me o   Céu e o mar,  limitados 
pela moldura !
 
Sinval Silveira

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Poema: A PROMESSA DO SOL



Muitos anos já se passaram.
Correntes de lágrimas,  lavam  aquela linda face de
mulher !
O destino não mostra piedade, açoitando  sua alma.
Seu coração  não se rende a um  novo amor, e  se
oculta nas  profundezas do sofrimento, como trincheira 
do tempo.
Conflitando sentimentos, reza, faz promessas ao 
Santo de devoção,  aplacando sua paixão.
Não abandona  o moribundo,  nem dá ouvidos ao mundo,
acalentando seu coração de guerreira !
E, nas madrugadas,  no silêncio do seu  leito, chora sua
alma.
Jorram lágrimas de compaixão e ternura, renascendo 
a esperança do milagre acontecer !
Termina  mais um  dia... 
O  por do sol, na mesma  colina, lhe diz Adeus.
É sempre, assim...
Transfere, para o próximo amanhecer,  a promessa do
seu  grande amor renascer !

sábado, 29 de junho de 2019

Poema: OLHOS E OLHARES



Magnéticos !
Pedaços da natureza, frutos da beleza, testemunhas
do mundo !
Radares  da vida, procuram  sem descanso, na tormenta
ou no  remanso, o amor que o destino reservou.
Podem ser da cor do céu, da cor do mar, do mel e, até,
 da cor do pinhão.
Os que imitam as sombras da noite, encerram profundos
mistérios...
Só me assustam os que lembram a  brancura do luar.
Não  permitem  ver  as vestes  da primavera, 
nem o esplendor das ondas do mar.
Precisam da mão amiga, sobre  os  ombros da vida, 
na  busca angustiante  do destino.
Vivem no mundo das trevas, sentem o perfume da 
relva,  como  fronteiras da  imaginação !
São olhos e olhares, perdidos na multidão.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

É com muito orgulho que convido todos os amigos e apreciadores de meus escritos
para o lançamento da quarta edição de meu livro Coração Tagarela, será realizado
no Centro integrado de  Cultura (CIC), dia 25 de junho as 17 horas,durante o Encontro de Poesia do Grupo de Poetas da Trindade  (GPT). Será uma alegria muito grande poder contar com a presença de todos ,teremos  música,dança,canto,historias e claro muita poesia.O livro CORAÇÃO TAGARELA será um presente aos meus convidados, sem custo algum, e  logo após o cerimonial será servido um ótimo coquetel. Meu abraço fraterno...
Sinval Silveira

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Poema: ORGULHO AÇORIANO



Os anos passaram.
Centenas deles.
Só tu não passaste, Açoriano !
Como semente de figueira, continuas  pela vida inteira,
banhando tuas mãos nas águas frias do mar.
Ao  pescado,  não dás sossego.
Nem mesmo à farinha, nem mesmo à tainha !
Tens orgulho da tua gente, contas histórias
diferentes das que escutamos por aqui !
Falas dos Açores,  sem jamais explicar se é
do pássaro que tanto amas, ou da  Terra
Além Mar !
Tuas vestes de percal, este tipo simples de falar,
o  sorriso lindo da Maria, o olhar maroto do Manoel,
irmão do Joaquim, contrariam a história do Brasil,
parecendo, ainda, Colônia de Portugal !
Que ferida é esta, Açoriano, que não quer cicatrizar ?
É amor que deixaste por lá, ou novo amor  conquistado
por aqui  ?
Teu orgulho é muito forte, traz sorte ao povo deste lugar !

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Poema; AMOR À ALMA




A beleza  se  rende ao tempo, como o sol aos encantos
da noite.
É passageira da ilusão, desperta a paixão,  seduzindo os
olhos e o coração...
No meio do  caminho, vira sofrimento, bate à porta o 
arrependimento, querendo desembarcar.
A alma amadurece, jamais envelhece !
Sua leitura é feita  nos olhos, encharcados de ternura.
Quanto mais o tempo passa, mais bela se afigura ao
mundo, inseparável do amor, como a lira ao trovador !
Conselheira  da vida,  escrava da fidelidade e  
companheira  da  felicidade  !

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Poema; A CIGANA MAGARLETE


Misteriosa, muito misteriosa !
Fala pouco, mas diz tudo com os olhos.
Sedutores gestos, obedecem o que seu corpo  ordena.
As vestes coloridas combinam com sua alma cigana, que
a todos encanta. !
Os olhares de admiração invadem o palco, agitando  seus 
graciosos passos, que  parecem flutuar.
Talvez  não saiba as paixões que desperta.
Então,  ingênua  e graciosa, sorri  !
A plateia   delira, aplaude e  pede "bis".
Mais uma vez,  sorri !
Sua  misteriosa força,  além da mão, sabe o que vai 
no coração. 
E a  dança, só fala de amor.
O público aplaudiu e se rendeu !
A Cigana  "FILÓ",  venceu !

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Poema: MARCAS



Vejo  meu rosto, como se fosse um livro.
O livro  da minha vida !
Em cada  marca, uma  história.
Algumas de alegria, outras de profunda  tristeza.
Jamais serão esquecidas.
Em torno  dos olhos,  as que lembram  momentos 
de felicidade, sorrisos, alegria contagiante !
As da face, expressam as dores da  partida e do 
pranto,  implorando  para  ficar.
Nos lábios,  são marcas reféns de uma  impiedosa
saudade...
Mas é na alma que  trago os segredos  não revelados,
nem mesmo  aos meus olhos.
Somente o coração é testemunha desta página
secreta...
São cicatrizes invisíveis,  trazidas pelo  açoite da  
vida  aos porões dos  sentimentos,  já  transformadas 
em perdão.

Sinval Silveira


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Conto poético: A QUEBRA DO SILÊNCIO





Nem mesmo a noite escura,  encobriu a ternura 
do seu olhar.
Olhos brilhantes, molhados pelas lágrimas de uma 
forte emoção, fitavam o homem que, estranhamente, 
despertara sua paixão.
A  longa estrada  aproximava, impiedosamente, o 
destino...
Seus lábios,  sedentos e carentes, não suportariam, 
apenas, uma  " boa noite ", como despedida. 
Seria um cruel golpe em seus sentimentos de mulher, 
agora, profundamente  apaixonada.
Até o Universo  já havia percebido os sinais.
Segurou-lhe as mãos, nervosamente frias, e acariciou 
sua linda face, que transpirava de emoção.
Não havia mais nada  a falar.
O silêncio foi quebrado pelas fortes batidas de  dois 
corações,  e por murmúrios que  somente  eles podem 
traduzir....

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Poema: A LIBERDADE DO ARTISTA



Levei tempo para te entender, nobre Artista.
Tua Arte, não é somente "Arte" mas, também, liberdade,
Compensas  os limites que a vida te impõe, criando
o teu mundo paralelo,  onde tudo é belo !
Escreves o que queres, com substantivos e adjetivos  da tua 
livre escolha, que nem mesmo a tua professora se atreve
corrigir.
Penduras no cavalete,  a tua frente, um pedacinho do Céu,
e teu pincel percorre os caminhos que a imaginação dita
ao teu coração !
Não há mão nem contra- mão. 
Somente  a Arte no volante, conduz teus passos adiante.
Surgem traços, cores e formas,  que só por ti, Artista, são vistos.
Admiro teu talento,  liberto meus pensamentos para formar um
só entendimento  do que tu,  Artista,  criaste.
E,  a mim, neste exato momento,  cabe  o sagrado
 direito de te admirar  e aplaudir !

terça-feira, 2 de abril de 2019

conto poético: A FILHA ADOTIVA DE PORTUGAL


Uma mulher  idosa ... muito  idosa.
Seus  101  anos,  assim comprovam.
Nascida em um município, nas  cercanias  desta Capital,
desde a  adolescência  nega seu "torrão natal".
Veste-se como uma mulher portuguesa e faz questão de 
ostentar um carregado sotaque,  daquele Povo.
Fica muito feliz quando alguém lhe questiona se é de 
Portugal.
Responde,  afirmativamente, com um ar de felicidade !
Cobriu-se  de vestes negras, da cabeça aos pés., desde 
mocinha.
Diz ser costume, em sua Terra, assim proceder.
Fala de Nazaré, localizada entre  Lisboa e Coimbra, com
a intimidade de alguém que por lá  nasceu...  e chora de 
saudade, sem jamais haver ido por lá.
É benzedeira e suas orações são pronunciadas no idioma
português, de Portugal.
Há pouco tempo, finalmente, revelou o mistério.
Um jovem pescador português, ao passar pelo  lugarejo 
onde, então,  morava, falou-lhe coisas de Portugal,
histórias, costumes, etc.
Deu-lhe seu gorro de presente e prometeu retornar, algum 
dia...
Nunca mais retornou.
Ela presume que o rapaz morreu numa tempestade no mar.
Jamais casou e guarda aquele gorro com   todo o carinho e
saudade, próprios  de uma mulher viúva de Nazaré.
Sinval Silveira

sexta-feira, 22 de março de 2019

Poema: BANHO DE LÁGRIMAS




Queria, apenas e tão somente, um fio dos  seus cabelos, 
como presente.
Queria,   a ele,  dormir abraçado, , lembrar  o passado
das fantasias  que,  um dia,  foram a minha alegria !
Sentiria,  nesta mostra sem vida, todo o vigor de um 
 amor,  que ainda  geme de dor.
Sentiria  o  cheiro  daquele  rosto  faceiro,  do  olhar
domingueiro,  parecendo diamante  na  lua  a  brilhar  !
E quando o galo, na madrugada, pela terceira vez
cantasse, na sua janela, com uma doce serenata  iria lhe
presentear.
Poemas, calorosos poemas de amor,   iria  declamar. 
E a rosa amarela, o sabiá  laranjeira e o beija flor branquinho, estariam 
 na primeira fila deste teatro da vida,  aplaudindo  este
apaixonado coração !
Sei que, emocionada, ela  iria chorar e, eu,  em  suas lágrimas
me banhar !
 
 
Sinval Silveira

quinta-feira, 7 de março de 2019

Poema: AS FRONTEIRAS DA VIDA


 
Restou-lhe  apreciar as pegadas que deixou na ida
e na volta, deste longo caminho da vida...
Algumas são profundas, traduzindo o peso que
carregou  sobre os ombros  calejados.
Mesmo, assim,  observou  as flores  por onde passou,
aspirando  o perfume que  lhe  ofertaram.
Ouviu  o zumbido das abelhas,  colhendo as essências,
para  sua Rainha agradar.
Admirou  o  gracioso beija-flor,  pairando no ar,  parecendo  
querer  conversar...
Viu  as crianças, deslumbradas com a liberdade, brincando  
livres na relva  molhada.
Sentiu saudades...
Na volta, as pegadas mais profundas ainda estavam lá,
testemunhando a   caminhada,   separando os sonhos
da realidade,  nas  fronteiras da vida !
 
Sinval silveira

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Poema. O RETRATO DE QUEM AMO



Amarelou, desbotou,  mas  vive para mim.
Quase irreconhecível,  ainda conversa comigo.
Fala o que quero ouvir.
Dá-me conselhos e sorri  do que tenho medo.
Olha-me com ternura... relembrando um passado que
nem mesmo eu conheci.
Conta-me histórias, diferentes, para não me aborrecer... 
Imagina !
Aos seus pés,  faço as minhas orações, confissões e
peço  perdão.
Sempre sou perdoado... mesmo havendo pecado.
Ainda sinto suas mãos deslisando sobre minha cabeça.
Reúno forças e peço a sua benção.
"Deus te abençoe, meu querido filho".
As lágrimas  seguem seu leito e  eu adormeço,
abraçado a uma intensa saudade !
 
 
Sinva Silveira






sábado, 9 de fevereiro de 2019

Poema: HAVIA UM DESTINO




Prestei atenção naquele  andar cansado, quase trôpego,
parecendo  parar.
Trazia as marcas de um passado  que lhe cobrou, sem
nada oferecer em troca.
Seus olhos pareciam   não suportar  a luz do sol.
Das  frontes, o  suor  escorria.
Falava,  com a  voz trêmula, histórias que  já  ouvi.
Parecia o sofrimento, querendo do mundo se vingar.
E a vida lhe fugia,  por entre as mãos  frias,  sem força,
até mesmo  para acenar um Adeus,
Somente as lembranças não lhe abandonaram,
 refletindo em seu   semblante, como testemunhas
fiéis dos caminhos  por onde  se arrastaram os  seus 
passos  errantes,  seu olhar   sem brilho, de homem  desiludido.
E as  estradas,  sem fim,  mostraram seu  caminho.
Havia um destino...
Sinval Silveira

domingo, 27 de janeiro de 2019

Conto poético: BELEZA NÃO PÕE MESA



O casamento  foi o grande objetivo das mulheres, nos
tempos passados.
Uma forma de romantismo, muito forte, culturalmente.
A escolha recaía,  principalmente, sobre os homens
bonitos.
Mas,  o que fazer com a rapaziada feia, que era a maioria  ?
 As mães das meninas, observando o  " saldo "  e com medo
das suas filhas ficarem para "titia", ou no "gancho", criaram
uma verdade:
"Minha filha, beleza não põe mesa".
Ressaltaram os valores dos homens feios, enaltecendo
o  talento, força, inteligência, etc.
Conseguiram, assim,  de tal  forma  levantar a autoestima 
dos rapazes  feios, que os tidos como bonitos queriam ser
vistos como feios.  INCRÍVEL  !
Por aqui, até hoje,  observa-se  casais   interessantes,  ou 
seja, sem beleza  sem  fartura na mesa,  mas felizes, creio.
Sinval  Silveira