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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Poema: MARCAS



Vejo  meu rosto, como se fosse um livro.
O livro  da minha vida !
Em cada  marca, uma  história.
Algumas de alegria, outras de profunda  tristeza.
Jamais serão esquecidas.
Em torno  dos olhos,  as que lembram  momentos 
de felicidade, sorrisos, alegria contagiante !
As da face, expressam as dores da  partida e do 
pranto,  implorando  para  ficar.
Nos lábios,  são marcas reféns de uma  impiedosa
saudade...
Mas é na alma que  trago os segredos  não revelados,
nem mesmo  aos meus olhos.
Somente o coração é testemunha desta página
secreta...
São cicatrizes invisíveis,  trazidas pelo  açoite da  
vida  aos porões dos  sentimentos,  já  transformadas 
em perdão.

Sinval Silveira


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Conto poético: A QUEBRA DO SILÊNCIO





Nem mesmo a noite escura,  encobriu a ternura 
do seu olhar.
Olhos brilhantes, molhados pelas lágrimas de uma 
forte emoção, fitavam o homem que, estranhamente, 
despertara sua paixão.
A  longa estrada  aproximava, impiedosamente, o 
destino...
Seus lábios,  sedentos e carentes, não suportariam, 
apenas, uma  " boa noite ", como despedida. 
Seria um cruel golpe em seus sentimentos de mulher, 
agora, profundamente  apaixonada.
Até o Universo  já havia percebido os sinais.
Segurou-lhe as mãos, nervosamente frias, e acariciou 
sua linda face, que transpirava de emoção.
Não havia mais nada  a falar.
O silêncio foi quebrado pelas fortes batidas de  dois 
corações,  e por murmúrios que  somente  eles podem 
traduzir....

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Poema: A LIBERDADE DO ARTISTA



Levei tempo para te entender, nobre Artista.
Tua Arte, não é somente "Arte" mas, também, liberdade,
Compensas  os limites que a vida te impõe, criando
o teu mundo paralelo,  onde tudo é belo !
Escreves o que queres, com substantivos e adjetivos  da tua 
livre escolha, que nem mesmo a tua professora se atreve
corrigir.
Penduras no cavalete,  a tua frente, um pedacinho do Céu,
e teu pincel percorre os caminhos que a imaginação dita
ao teu coração !
Não há mão nem contra- mão. 
Somente  a Arte no volante, conduz teus passos adiante.
Surgem traços, cores e formas,  que só por ti, Artista, são vistos.
Admiro teu talento,  liberto meus pensamentos para formar um
só entendimento  do que tu,  Artista,  criaste.
E,  a mim, neste exato momento,  cabe  o sagrado
 direito de te admirar  e aplaudir !

terça-feira, 2 de abril de 2019

conto poético: A FILHA ADOTIVA DE PORTUGAL


Uma mulher  idosa ... muito  idosa.
Seus  101  anos,  assim comprovam.
Nascida em um município, nas  cercanias  desta Capital,
desde a  adolescência  nega seu "torrão natal".
Veste-se como uma mulher portuguesa e faz questão de 
ostentar um carregado sotaque,  daquele Povo.
Fica muito feliz quando alguém lhe questiona se é de 
Portugal.
Responde,  afirmativamente, com um ar de felicidade !
Cobriu-se  de vestes negras, da cabeça aos pés., desde 
mocinha.
Diz ser costume, em sua Terra, assim proceder.
Fala de Nazaré, localizada entre  Lisboa e Coimbra, com
a intimidade de alguém que por lá  nasceu...  e chora de 
saudade, sem jamais haver ido por lá.
É benzedeira e suas orações são pronunciadas no idioma
português, de Portugal.
Há pouco tempo, finalmente, revelou o mistério.
Um jovem pescador português, ao passar pelo  lugarejo 
onde, então,  morava, falou-lhe coisas de Portugal,
histórias, costumes, etc.
Deu-lhe seu gorro de presente e prometeu retornar, algum 
dia...
Nunca mais retornou.
Ela presume que o rapaz morreu numa tempestade no mar.
Jamais casou e guarda aquele gorro com   todo o carinho e
saudade, próprios  de uma mulher viúva de Nazaré.
Sinval Silveira

sexta-feira, 22 de março de 2019

Poema: BANHO DE LÁGRIMAS




Queria, apenas e tão somente, um fio dos  seus cabelos, 
como presente.
Queria,   a ele,  dormir abraçado, , lembrar  o passado
das fantasias  que,  um dia,  foram a minha alegria !
Sentiria,  nesta mostra sem vida, todo o vigor de um 
 amor,  que ainda  geme de dor.
Sentiria  o  cheiro  daquele  rosto  faceiro,  do  olhar
domingueiro,  parecendo diamante  na  lua  a  brilhar  !
E quando o galo, na madrugada, pela terceira vez
cantasse, na sua janela, com uma doce serenata  iria lhe
presentear.
Poemas, calorosos poemas de amor,   iria  declamar. 
E a rosa amarela, o sabiá  laranjeira e o beija flor branquinho, estariam 
 na primeira fila deste teatro da vida,  aplaudindo  este
apaixonado coração !
Sei que, emocionada, ela  iria chorar e, eu,  em  suas lágrimas
me banhar !
 
 
Sinval Silveira

quinta-feira, 7 de março de 2019

Poema: AS FRONTEIRAS DA VIDA


 
Restou-lhe  apreciar as pegadas que deixou na ida
e na volta, deste longo caminho da vida...
Algumas são profundas, traduzindo o peso que
carregou  sobre os ombros  calejados.
Mesmo, assim,  observou  as flores  por onde passou,
aspirando  o perfume que  lhe  ofertaram.
Ouviu  o zumbido das abelhas,  colhendo as essências,
para  sua Rainha agradar.
Admirou  o  gracioso beija-flor,  pairando no ar,  parecendo  
querer  conversar...
Viu  as crianças, deslumbradas com a liberdade, brincando  
livres na relva  molhada.
Sentiu saudades...
Na volta, as pegadas mais profundas ainda estavam lá,
testemunhando a   caminhada,   separando os sonhos
da realidade,  nas  fronteiras da vida !
 
Sinval silveira

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Poema. O RETRATO DE QUEM AMO



Amarelou, desbotou,  mas  vive para mim.
Quase irreconhecível,  ainda conversa comigo.
Fala o que quero ouvir.
Dá-me conselhos e sorri  do que tenho medo.
Olha-me com ternura... relembrando um passado que
nem mesmo eu conheci.
Conta-me histórias, diferentes, para não me aborrecer... 
Imagina !
Aos seus pés,  faço as minhas orações, confissões e
peço  perdão.
Sempre sou perdoado... mesmo havendo pecado.
Ainda sinto suas mãos deslisando sobre minha cabeça.
Reúno forças e peço a sua benção.
"Deus te abençoe, meu querido filho".
As lágrimas  seguem seu leito e  eu adormeço,
abraçado a uma intensa saudade !
 
 
Sinva Silveira






sábado, 9 de fevereiro de 2019

Poema: HAVIA UM DESTINO




Prestei atenção naquele  andar cansado, quase trôpego,
parecendo  parar.
Trazia as marcas de um passado  que lhe cobrou, sem
nada oferecer em troca.
Seus olhos pareciam   não suportar  a luz do sol.
Das  frontes, o  suor  escorria.
Falava,  com a  voz trêmula, histórias que  já  ouvi.
Parecia o sofrimento, querendo do mundo se vingar.
E a vida lhe fugia,  por entre as mãos  frias,  sem força,
até mesmo  para acenar um Adeus,
Somente as lembranças não lhe abandonaram,
 refletindo em seu   semblante, como testemunhas
fiéis dos caminhos  por onde  se arrastaram os  seus 
passos  errantes,  seu olhar   sem brilho, de homem  desiludido.
E as  estradas,  sem fim,  mostraram seu  caminho.
Havia um destino...
Sinval Silveira

domingo, 27 de janeiro de 2019

Conto poético: BELEZA NÃO PÕE MESA



O casamento  foi o grande objetivo das mulheres, nos
tempos passados.
Uma forma de romantismo, muito forte, culturalmente.
A escolha recaía,  principalmente, sobre os homens
bonitos.
Mas,  o que fazer com a rapaziada feia, que era a maioria  ?
 As mães das meninas, observando o  " saldo "  e com medo
das suas filhas ficarem para "titia", ou no "gancho", criaram
uma verdade:
"Minha filha, beleza não põe mesa".
Ressaltaram os valores dos homens feios, enaltecendo
o  talento, força, inteligência, etc.
Conseguiram, assim,  de tal  forma  levantar a autoestima 
dos rapazes  feios, que os tidos como bonitos queriam ser
vistos como feios.  INCRÍVEL  !
Por aqui, até hoje,  observa-se  casais   interessantes,  ou 
seja, sem beleza  sem  fartura na mesa,  mas felizes, creio.
Sinval  Silveira

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Poema: Poema: O UNIVERSO DE BRUNA


Não  demorou muito...
Escravizou o mundo,  com um  olhar !
Conquistou  o Universo, e aprisionou  os astros
no lado direito  do coração.
Seu encantador sorriso e  o andar de mulher
bonita,  transformaram a vida aflita,  no canto sereno
do sabiá !
Com o  jeito meigo da flor do campo, exala perfume
sem pranto,  enciumando a rosa e o jasmim.
No  seio da cultura, esbanja  carinho e ternura,
desenha o abstrato.
Cativa a admiração do  artista, que nem pisca,  para
ver seu talento  florescer !
E  Bruna  mostra,  na força da guerreira, o seu  lindo
charme de mulher  brasileira !

Sinval Silveira

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Conto poético: QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE



Janeiro do ano 1964.
Faculdade de Direito, da Universidade Federal de Santa Catarina,
única  no gênero, em todo o Estado.
Época de vestibular. 
Acirrada disputa...
Postulantes a uma vaga,  esbanjando adrenalina,  esperavam o
anúncio do  título da redação,  para demonstrarem seus  
bons conhecimentos do idioma nacional.
Adentra  à sala de provas um carrancudo  membro da comissão
examinadora  e dita, finalmente, o tema,  objeto da  redação:
" QUEM AMA O FEIO,  BONITO LHE PARECE ".
Murmúrios nervosos e  cochichos engraçados, tomam conta
do ambiente.
Lá fora,  após a prova, numa roda  de comentários,  um
candidato passou mal...  redigiu, equivocadamente,  
sobre:
" QUEM  AMA  O  ALFEU,  BONITO  LHE PARECE".
Foi uma explosão de piadas, naquele  meio universitário !
Embora decorridos mais de  cinquenta  anos, ninguém 
esqueceu  o episódio.
Ah, sim,  o resultado final da prova  do equivocado ?
A banca examinadora resolveu aprova-lo, levando em
consideração a fértil imaginação do candidato, para 
escrever sobre um  título tão difícil, muito mais complicado
do que o ditado por aquele  professor sisudo e portador
de uma dicção horrível.
Aquele aluno, até hoje, é conhecido por  " Alfeu ", embora 
não seja este o seu nome...
 
Sinval Silveira





domingo, 23 de dezembro de 2018

Poema:A VIBRAÇÃO DOS SINOS



Abraços e sorrisos,  invadem minh´alma !
Lembranças alegres e tristes, derrubam as muralhas
que sustentam as minhas defesas,  que me aparentam
uma fortaleza, escondendo  a verdade de uma forte 
fraqueza.
Ouço  os  sinos a  sorrir,  anunciando  o  mistério da 
vida, no  esplendor da felicidade !
A revoada da passarada, parecendo aplaudir a  
chegada, de quem prometeu e cumpriu...
No inocente sorriso da criança, a doce mensagem
da  infância, anunciando o  renascimento do amor.
É hora da reflexão,  de ouvir o coração, de  olhar
para o lado,  sentir  o amargor  do gemido, saciar
a  fome do faminto e  anular  os tremores do frio.
Reavaliar o sofrimento de quem pecou  e, quem sabe, 
estancar as lágrimas de quem julgou ...
Voltar a sorrir quem, hoje, chora  arrependido  com a 
alma  sangrando de dor.
Ouço  a vibração dos sinos e posso perdoar !
Sou feliz !
É Natal !

UM FELIZ NATAL E  PRÓSPERO ANO NOVO, A TODOS 
NÓS  QUE FAZEMOS  PARTE DO UNIVERSO !

Sinval Silveira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Poema: Poema: A PRIMAZIA DA AÇUCENA


Cheirosos   ventos invadem  a vila, renascendo  a
esperança da felicidade voltar.
Aplausos chegam da mata, como respingos da
cascata, querendo o jardim  refrescar.
Agita-se o beija flor, voando ligeiro e gracioso,
brigando com o sabiá preguiçoso, que  se 
nega  gorjear.
O perfume da açucena, que exalou na noite serena,  
inebriou  a gente daquele  lugar.
Até o mar  abrandou  suas ondas bravias,  convidando  
a  sereia  para  o perfume   respirar !
E o pescador, que só sabia pescar, aprendeu ouvir  
poesia e poetizar, para seu amor  conquistar !
Trocou o mar pelos lábios quentes da sua amada, 
não trabalha mais nas frias madrugadas, preferindo 
nos  braços  dela  pernoitar !

Sinval Silveira









domingo, 2 de dezembro de 2018

Poema: A BOCA DA NOITE


Jamais se ouviu o teu falar.
Resmungam e gritam por ti.
És momento de reverência,  dos mistérios és a essência,
transformando em sombras , o barulho em silêncio.
Embalas  na tarde o berço,   abraçando o chegar da noite,
 para aplaudir  as paixões, sem revelar os segredos 
cochichados.
És famosa, "boca da noite",  parideira  da madrugada, 
testemunha  do  alvorecer !
Engoles, , faminta,  os últimos raios do sol, trazendo
a penumbra da noite,  beijando, sem medo, a lua 
atrevida, que  vem  ouvir o canto do sabiá, nas fruteiras
da minha Vila !


Sinval Silveira



sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Poema: POEMA: DEZOITO ANOS APÓS






Já independente, não saía da sua mente, a pequena
Cidade em que  viveu.
A saudade de tudo que  deixou, se  agigantava cada dia 
que passava.
Seus amigos, vielas e a casa em que morou, quem  hoje 
mora nela ?
Campos e riachos, o  Rio do Peixe, em que se banhou, pescou e 
brincou,  será que não secou ?
Foi  abraçar cada amigo, falar de saudade, de amizade,
pedir desculpas por haver  morado  noutro lugar.
Mas o tempo passou e tudo transformou.
Não havia mais "meninos"...
Já não brincavam no rio, nem prestavam atenção nos 
portais e nas ventanas, das lindas casas  plantadas 
nas vielas de Videira. 
O canto da passarada, tão lindo, somente por  ele
foi ouvido.
 O trem mudou de rumo, em obediência aos trilhos,
e  o  pequeno sino tagarela,  emudeceu. 
Foi à Casa do seu Santo Protetor  que, também, 
chorou...
Sentiu-se um doce assassino,  não ouviu mais o
sino, mas a saudade matou !
 
SINVAL SILVEIRA

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Poema: EM CADA LETRA, UMA LÁGRIMA



Pôs-se a olhar a terra em que viveu.
Percorreu, pela derradeira vez,  as vielas em que
brincou.
Fitou, como quem fita um santo, cada portal e 
ventana  das casas  que  conheceu.
As árvores pareciam lhe dizer Adeus e as flores,
mesmo fora da estação, exalaram perfumes.
Os passarinhos  gorjearam as notas que apreciava,
e o rio paralisou as corredeiras, em  sua homenagem.
Tudo em clima de despedida.
Já no trem, ouviu, pela última vez,  o tagarelar de
um pequeno sino,  avisando  que chegara a hora da 
partida... e partiu.
Tudo ficou para trás.
Somente o desejo de retornar, viajou com aquele 
menino.
Com os olhos rasos d´água, balbuciou palavras,
ditadas por um sentimento  de profunda dor.
"Até... não sei quando".
E, em cada letra da despedida, uma lágrima nos 
trilhos rolou.
 
Sinval  silveira






 



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Poema: VAGA-LUME ESPIÃO





Pirilampo, vaga-lume esperto, não  para de 
piscar.
Solitário,  não recarrega sua  bateria, com medo 
de apagar !
Com seu foco intermitente,  me  ajuda,  na  escuridão,  
enxergar.
Tira-me das trevas, me salva do abismo, me
inspira fazer versos e cantigas,  para conquistar
as lindas meninas deste lugar !
Briga com  a luz do  luar e com as águas prateadas
da  lagoa, que roubam o suspiro e o olhar dos
amantes  sonhadores !
Há  quem diga que és pedaço  das estrelas,  ou
bilhetes  recadeiros, caídos lá do Céu ! 
Ah...  Poeta, meu amigo  teimoso e inocente,  jura  
insistente  que  tu, pirilampo  vaga-lume,  és o olhar 
ciumento  daquele  amor  que foi embora,  querendo,
 agora, me vigiar  !

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Poema: A EXPEDIÇÃO DO TEMPO


Singro estes mares, há mais de  50 anos.
As ondas eram  baixas e a água  não tão  salgada
e fria.
O vento  está mais  forte e o barco  preguiçoso...
As vergas e os remos  eram  leves,  e o leme me
obedecia.
O  mesmo  destino parece, agora, muito  distante
e o balaio não pesava tanto.
Minhas mãos não calejavam  e os braços, da dor,
não  reclamavam.
Meu  chapéu de palha desfiou,  perdeu a cor,
a canoa furou e o mastro quebrou.
O tempo passou, não me poupou e  para outras 
ilhas pesqueiras, me levou.
A gaivota não me acompanhou, gargalhou de longe,
e regurgitou  o peixe que lhe  dei.
Não mais  acredita num velho pescador... e aos 
meus pés, por piedade, vísceras de pescados, atirou.
O tempo concluiu sua expedição, chegou ao  seu
destino  e  me desembarcou...
Sinval Silveira

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Poema: SONHAR CONTIGO



Daquele  sorriso inocente,  do lindo olhar,  
dos brincos e do vestido que  usaste  nas 
fantasias  dos meus sonhos, não consigo
esquecer.
A  tua voz roquinha,  a chamar pelo meu 
nome, ainda ouço  nas noites  frias de São
João.
As músicas  são as mesmas  e os trajes
da roça, também.
E vejo teu corpo  bailar,  nas chamas da
fogueira  a  queimar !
E tu não mudaste, incendiando meu coração !
Nem mesmo as décadas que passaram,
conseguiram de ti me afastar.
Somente a ausência proíbe tua doce
presença, de mim se aproximar...
Lembro, sim, do teu  jeito  de andar, parecendo
um poema  a declamar !
Procuro por ti nas rodas de danças, e me
deparo com as lembranças,  acendendo
a esperança de, nesta noite,  mais uma vez,
contigo sonhar !
 
sinval silveira

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Poema: MEUS MEDOS



Não sinto medo do medo.
Mas, não queiras  partilhar  deste sentimento.
As  trevas me assustam, me aproximam do
abismo, sinistro e infinito.
Quando me sinto perdido,  aspiro o  perfume  da
rosa amarela, que  me faz esquecer o brilho dos
olhos dela.
Na doçura da açucena,  compenso a perda  daquele   
mágico sorriso... parecendo a chuva que molha o 
deserto sedento, sem  nada exigir em troca.
Reverencio a vida, aprecio a verdade e não sou  
valente, nem covarde, mas sinto  medo  de  amar. 
A coragem quase me destruiu e a  vida  me 
chibateou.
Somente o gemido da dor  me avisou.
Do  outro olhar,  traiçoeiro, nada restou...
O  medo me salvou.
Sobrevivi !
Estou aqui !
 
Sinval Silveira

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Poema: AS CHAGAS SÃO TESTEMUNHAS


Precisando de afeto, procurei  aquelas  
mãos.
Estavam ocupadas, com outras mãos...
As minhas  permaneceram vazias e 
sem calor.
Estão ásperas, secas e frias, de tanto
remover barreiras, à procura de um amor.
São induzidas por meus olhos, iludidos
pelo  ingênuo  coração.
Garimpam  nos espinhos, ferem a alma,
arrastam-se nos caminhos.
As lágrimas molham as páginas tristes da 
minha história, sem vitórias, apagando o 
pouco que restou.
Na solidão das minhas  noites, a saudade
se arma da  soiteira e, sem piedade, bate
até o amanhecer.
Somente  o  gemido da  tortura infinita, não 
se  rende à dor.
As chagas são testemunhas,  das minhas noites 
de horror...
Sinval Silveira






segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Poema: O BOTEQUIM


Sonhos e delírios,  afloram como flores e espinhos.
Quebram-se segredos,  conquistas e acusações...
Confissões assustadoras, sem medo.
Abraços, irrigados por lágrimas, são trocados entre
amigos do etílico.
Choros e sorrisos  se fundem  na mesma emoção !
Todos falam  com os olhos brilhantes de uma alegria 
constante.
Ninguém estanca o  doce ou  amargo pranto...
Nada mais importa.
São os amigos de  botequim, algemados ao 
conhaque,  vermute ou  à cachaça.
Cantam, batucam e até declamam versos !
Falam de  amores que  partiram, de paixões 
que ficaram e de traições que  não morrem.
Todos parecem poetas.
Arrancam aplausos, com lágrimas !
Mas, não  se bebe, sem oferecer um gole ao  Santo
protetor.
Vale tudo...
Sorrir, chorar, ficar calado ou falar.
O ambiente é democrático.
Muita alegria e  tristeza..
Hora de ir embora, somente quando o botequim 
fechar... e fechou !