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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Poema: UMA DOCE ILUSÃO



  
Encantou-me  aquele olhar sereno, e nem 
percebi que era veneno.
Ensinou-me a sonhar e  meus pesadelos suportar.
São gemidos  persistentes, olhos marcados
pela dor.
Promessas  esquecidas, ferindo de morte
um lindo  amor.
Foi embora a ternura,  deixando   uma
farpeada  de amargura, um  pranto  triste
sem fim e sem cura.
Forças exauridas, consumindo a vida que
ao amor,  com tanto carinho dediquei.
Hoje, revi aqueles  doces poemas que a 
mim dedicou.
Falavam de flores e felicidade, mas só
a  maldade restou.
Achei prudente tentar  a tudo esquecer.
Virei a página da vida,  juntei as pétalas 
coloridas, e construí uma nova flor. 
Misturei os doces e suaves perfumes,
expulsei os espinhos e o cheiro acre  
da decepção.
Restou o caminho de volta,  sem
revolta,  saboreando a ilusão de uma 
nova  paixão !
 
Sinval  Santos da Silveira




quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conto poético: SILÊNCIO


Presto atenção na ausência do ruído...
Somente o silêncio  está presente,  me
fazendo ouvir a tua voz.
Então, respondo  alto, procurando o teu 
rosto na densa neblina, que invade a 
minha vida.
À beira  mar, vejo as gaivotas pousadas
na areia. 
Estão tristes, sem gorjear... perderam a 
vontade de voar.
As ondas emudeceram e o  vento está
ausente, calando a voz grave do costão.
O teatro da imaginação fechou as 
cortinas, e as  sereias desapareceram.
Até a minha amiga, Mion, tão bonita, não
mais me visita.
Está presa no calabouço  do palácio, por
ordem de um louco e ciumento  amor.
É  preciso  liberta-la !
Há que  barulhar o mar, a gaivota gorjear 
e  voar...
Quero outro rosto  enxergar,  cantar e ser
feliz !
A tristeza está chegando ao fim !
O silêncio, finalmente, tudo isto me diz !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Poema: CORREDORES DA VIDA


Conheci os meandros e segredos do 
amor.
Circulei nos corações,  encontrei  a 
beleza exuberante, capaz de 
enlouquecer  os amantes.
Da escravidão da paixão, meus passos 
desviei.
Arrojadas e sensatas, também encontrei.
Somente uma delas  me viu  com os olhos 
da alma. 
Nenhuma palavra falou, e o pranto a tudo presenciou.
Suas lágrimas, escorrendo  em cascata, 
nasceram na fonte  do amor.
Daquele caminho, meu coração não desviou.
Hoje é escravo da saudade, apenado
 pela maldade que não causou.
Reconheço, em cada esquina, aquele doce 
olhar que deixei  partir, sem ao menos  insistir para ficar.
Quanto mais o tempo passa, mais aumenta 
a minha dor, nas loucas gargalhadas do lamento.
As esquinas, que imaginava tão bem conhecer, são
 fronteiras do destino,  abismos do meu ser.
São corredores da vida, encruzilhadas  a cada amanhecer...
Sinval Santos da Silveira



         

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poema: A ARTISTA DOS CÉUS




Era um pequeno quarto.
Minúsculo,  pode  ser chamado.
Gigante, somente a alma de mulher que
lá habitou.
Uma Artista ?
Não. 
Uma grande Artista !
Pintora, poetisa e  amante.
Pintou o Céu  e  de nada esqueceu, nem
mesmo da minha saudade...
Da lua, trouxe o brilho  prateado, pintou a 
parede da cor do pecado, e me  presenteou
com  uma estrela. 
Está lá,  ao lado esquerdo do luar.
Virou segredo de amor a dois e, ainda, molha
os meus olhos de  lágrimas ! 
Emocionada, recitava poemas antes e depois 
do silêncio  da madrugada.
O mundo  era  aquele  ninho  de amor !
Hoje,  é uma  fonte de recordações. 
Procuro uma palavra mais forte do que 
saudade, mas só  encontro  maldade, pois a 
pintura se apagou.
E os  versos que  para mim  eram  declamados,
são, agora,  perfumes do passado que o vento,
sem piedade, para outros braços levou.
As letras foram embora,  mas  ficou na memória
a linda rosa amarela,  que  aquela  Artista no Céu pintou ! 







quarta-feira, 27 de julho de 2016

Poema: GORJETAS DA VIDA



Aquele  corpo  maltratado,  é prova do 
sofrimento que a vida, em alto preço, 
lhe  cobrou.
Seu rosto desfigurado, salienta a linha 
do pecado, de quem nada fez por amor.
O brilho dos olhos se apagou, e  nada 
restou daquela beleza deslumbrante, que 
me  apaixonou.
Os cabarés foram a sua morada, e os 
homens, seus  senhores.
Também, é grande a minha amargura, ao 
ver morrer a ternura, que em minha face  
habitou.
Minha vida, transformada em gorjeta, rolou 
pela sarjeta... 
Procuro  consolar  meu coração, mas encontro 
a  barreira da traição, sufocando o  perdão.
No espelho, falo com os meus olhos, mas 
nada  me respondem.
Acabaram os meus lindos sonhos, dando
vazão  aos pesadelos...
Ouço vozes na madrugada, trazendo 
recados de quem não conheço.
Gargalhadas, por  vingança, matando a
esperança de voltar a sonhar.
As noites são longas, frias,  e indiferentes 
os meus dias.
Sobrevivo das gorjetas afetivas, atiradas na 
calçada desta  vida, teimosa e atrevida !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Conto poético: TEATRO DA IMAGINAÇÃO



Daqui, fico olhando  o mar...
Quantos mistérios submersos, escondem 
estas águas.
A cachoeira bravia, leva para os córregos 
da vida,  os meus confusos pensamentos.
Para onde eu olhe, lá estás, abraçada aos 
florais, que tanto aspirei... e àquela  música 
que  me levou ao pranto.
Sobre a gigantesca onda azul, novamente,
assisto a dança das sereias.
Somente eu,  estou presente.
Ninguém mais, além dos poetas, tem acesso
ao teatro da imaginação.
São deslumbrantes seres,  a  fonte nascedora
da  beleza !
Reverenciam  a vida marinha e  declamam,
em forma de poesia,  as curiosidades das
 profundezas do mar !
Contam histórias da sua Rainha, a Sereia
MION,  prisioneira em  seu  castelo, por 
ciúme do seu amor.
Como é lindo este  bailado !
Ao final, aplaudo, entusiasticamente, e 
converso com elas, conto histórias 
da terra, e ouço as do mar. 
São graciosas e felizes !
Pensei estar em alucinação, mas não !
Para o poeta, tudo é possível, até mesmo um
baile de sereias, sob o som de  uma 
música, intitulada " imaginação ".
 
Sinval Santos da Silveira


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Poema: FLOR DA NOITE


Habitas  as sombras da noite. 
Sorris, não sei se de felicidade, ou por 
desprezo à quem te olha admirado.
Teu semblante me assusta...
Sinto medo do teu jeito de ser.
Lembra-me um predador  que  haje igual 
a ti,  na solidão de um mundo  silencioso,
difícil de entender.
Usas a beleza  irrecusável, como  isca
do  pecado,  atingindo o coração.
Tua formosura, travestida de ternura, 
ilumina as trevas  na esperança de vender 
amor.
A  forte maquiagem e as roupas  atrevidas,  
vestem a fantasia dos desejos  reprimidos.
Nem precisas falar,  és  escolhida pelo 
olhar...
Flor da noite, fugitiva dos jardins
  e  dos jardineiros,  chegaste
 para alimentar os
sentimentos,  perfumando o mundo inteiro !
Como zumbis, desfilam os homens a tua 
frente, querendo amor comprar.
São  súditos teus que, obedientes,  beijam,
incontinentes, os teus pés.
E, agora, também te reverencio, minha
 linda rainha,  quase de verdade !
 
Sinval Santos da Silveira


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Conto poético: BENDITO NEVOEIRO


Estou envolvido por um denso nevoeiro,
turvando a luz do meu  caminho, e mudando 
a vida da minha Cidade.
A noite fica fria,  parecendo  congelar as 
minhas entranhas.
Ate os cães vadios sumiram das ruas !
As moças, tão bonitas de saias curtas, como
que por encanto, se mudaram dos pontos
  de encontros, onde conquistavam seus brotos.
Mas,  hoje é sábado e o baile, tão esperado,  
já começou  lá no outro lado da praça. 
A viola de doze cordas, tagarela e afinada,
não  para de tanger.
O violeiro desliza os  dedos  sobre os 
trastes e, como se não bastasse,  desafia
o som do pandeiro,  chamando  para a roda  
o valente sanfoneiro !
Só  não consegue dissipar o nevoeiro. 
O " arrasta pé"  não tem hora para acabar, 
atravessa a  madrugada, indo até o dia 
raiar !
As mães, desconfiadas, ficam sentadas nos
bancos, a noite inteira, cuidando das filhas namoradeiras.
Os rapazes, safados e faceiros, oferecem
 bebidas às  olheiras, querendo sua confiança
conquistar.
E lá fora, o  bendito  nevoeiro tudo encobrirá,
assim que  o próximo baile começar !
 
Sinval Santos da Silveira










sexta-feira, 1 de julho de 2016

Poema: AS VIELAS DA MINHA TERRA



Não sei porque, são tão estreitas as vielas
da minha Terra.
Talvez, por terem o nome de " viela"...
São românticas, dando passagem somente  
às pessoas, e repletas de  tulipas e margaridas.
Os beija-flores, verdes e azuis, dão rasantes
para brincar com os amantes, sentados nas escadarias.
Mal iluminadas,  mas bem sonorizadas pelo
fado  na vitrola,  não permitem  pressa  no caminhar...
Janelas abertas, mostram  a beleza das 
toalhas de rendas branquinhas, estendidas 
sobre as mesas, parecendo  o  altar da  
felicidade !
Em cima do Itajer, durante à noite,  reina
 a pomboca, iluminando a pequenina sala, 
reservada às visitas que são,  sempre, bem vindas.
A  janela baixinha,  permite o flerte da 
rapariga vizinha, observando os gajos, 
loucos para namorar !
Ah, Deus, Já se passaram tantos séculos
mas, ainda,  sinto  na alma o perfume  das 
flores e da gente, das vielas da minha Terra !

Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conto poético: A LENDA DAS GAIVOTAS



Nas costas desta Ilha,  milhares, talvez milhões
de gaivotas, singram os mares, a terra e os
ares.
São cantoras, dançarinas e alegres pescadoras !
Seguem os barcos pesqueiros, pousam nos mastros e nos 
convés,  banqueteando as vísceras dos pescados.
Em  troca,  oferecem aos pescadores a alegria
dos grunhidos,  e a beleza da dança selvagem.
Muitas histórias e  lendas são contadas, acerca
das gaivotas.
Uma delas, é o  mistério da morte.
Os velhos  pescadores dizem que elas tem 
um cemitério secreto e que, para lá, se dirigem 
quando sentem a morte se aproximar.
Isto porque,  não são encontradas  mortas, nas 
cercanas conhecidas.
Fruto da imaginação ou da fantasia, contam histórias
 de um ritual de " canibalismo ",
presidido por uma  bruxa,  vestida de gaivota.
Falam de sereias que, nas noites de lua cheia, 
sobem os costões e  recolhem as gaivotas  sem
vida, sepultando-as no fundo do mar.
Feiticeiras  que, nas  escuras madrugadas, acendem
  fogueiras na crispa das  ondas, cremando
 os corpos  das gaivotas, que flutuam
ao sabor do vento.
Juram, de mãos postas, como  verdadeiras 
estas  lendas  e histórias !
Sinval Santos da Silveira




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Conto poético: PESADELO



Estou na área  mais antiga de minha Cidade.
Acaba de amanhecer e os pardais gorjeiam, freneticamente.
Procuram  migalhas, deixadas por mendigos 
que  habitam as noites.
Casas baixas, centenárias,  sem verdes ou
flores nas vielas.
Não  sinto  o aroma de perfumes, além dos 
exalados pelas prostitutas, ainda flertando  
transeuntes.
Fazem perguntas, e sem  respostas,  tentam 
conquistar corações carentes, vendendo
amor  a  qualquer  preço.
Neste ambiente, de mãos dadas e de 
passagem com um homem, avisto a mais 
linda e carinhosa mulher  que  conheci em 
minha vida.
Abraçam-me, cordialmente, e se despedem
felizes  e sorridentes !
Então, fico dominado pelas  recordações,  
e continuo o meu caminho.
No passado, muito recente, foi  todo meu 
aquele carinho.
Hoje, faz parte de uma saudade que me 
corrói.
Isto não pode ser chamado, simplesmente, 
de  "ciúme".
É um  sentimento inexplicável,  inominável,
que causa  medo...
Vizinha com a alucinação, ou é 
um terrível  pesadelo.
 
 
Sinval Santos da Silveira



quinta-feira, 9 de junho de 2016

Conto poético: A PASSARELA DO DESTINO

                                  

Dois seres mergulhados  na sombra da 
noite, desfilando  na passarela do destino.
O  vento  gélido de  outono,  balança os 
longos cabelos  negros da mulher, 
parecendo  misturar-se  às verdes folhas 
do coqueiral  !
O  homem, feliz,  a acompanha, sentindo-se 
o poderoso  dono de toda aquela beleza !
Dois olhos  observam  a macabra cena, 
entorpecidos por  um louco ciume.
A  euforia os espera, para desfrutar do amor 
que me pertencia.  
Nada pode ser comparado.
É o fim de um romance, e o nascimento de 
outro.
O parto é doloroso e não há culpado, eu sei.
Foi o apocalipse dos sentimentos.
Voltei aquele lugar, no dia seguinte.
O olhar de um mendigo  aplacou meu 
sofrimento.
Com tão pouco que lhe  ofertei,  seu rosto 
se iluminou.
Disse-me  saber porque eu estava assim, pensativo e triste...
Juro  haver visto aquele olhar  de ternura,
em algum   momento da minha vida.
Talvez, nas profundezas das minhas  
amarguras, ou no abraço santificado, de 
quem haja me amado.
Foi uma  cruel forma de dizer " adeus ",  a 
um  intenso amor !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Poema: Alma de Cristal



Era linda, aquela  alma !

Cantava,  gemia e  até parecia me amar.
Meu coração, dia e noite, da sua  formosura 
se  lembrava.
Era o meu orgulho,  minha cina, minha vida !
No campanário, quando os sinos dobravam, 
seu nome pronunciavam e com ciúme eu 
ficava.
Foi o  mais lindo presente que  Deus me  
ofertou !
Mas, pouco tempo durou.
Explodiu,  tal qual um cristal batido ao chão.
Tentei, em  vão,  reunir os fragmentos, mas
impossível se tornou.
Nenhum caco, como antes,  se ajustou.
Transformou-se  numa arma de guerra,  para 
mim apontada, sempre pronta  a ser disparada, 
ameaçando o meu coração.
Que decepção !
Devolvi a Deus o presente, pedindo perdão.
Aquela alma de  cristal, era a residência do bem 
mas, também, do mal.
       

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Conto poético: UM APELO A DEUS :


Salvei a sua vida, quando  ainda
  era muito pequenino, com
 os olhinhos fechados...
Caiu do ninho, para ser amparado no meu 
coração.
Comida no biquinho, a cada hora, lhe dei.
Era o meu filhotinho. 
O tempo foi passando e ele desabrochou
num lindo passarinho, o meu querido 
SANHAÇU  !
Depois de adulto, bonito e sedutor, tentei
introduzi-lo à natureza, mas preferiu  ficar
comigo.
Fazia-me cafuné e cantava baixinho, só para 
mim. 
Creio que era um anjinho e  não, apenas, um 
passarinho.
Não sei porque, Deus precisou da sua alma,
lá no Céu... 
Era tão pequenino e eu o amava tanto  !
Pode ser que seja para voar e brincar com os
anjinhos. 
Cuida bem dele, meu Deus, por favor  !
 
Sinval Santos da Silveira






    

quinta-feira, 19 de maio de 2016

POEMA: GEMIDO



Este grito,  pequeno, que vem das minhas 
entranhas,  traduz uma dor tão grande...
Cumprimenta  minh´alma em suspiros, que
nem mesmo eu  entendo.
Desabafa a  saudade reprimida em meu
peito e, deste jeito, consigo  viver.
Tagarela, que é, fala dos meus prazeres
e das minhas  angústias...
Quando chega a  dor, rompe a  barreira da censura
  e, por mim,  clama por  amor.
Sente tudo o que eu sinto !
Até no  derradeiro  instante da minha vida, 
será o último a falar  em meu nome e todos,
consternados,  ouvirão.
Por ser tão sincero,  a  natureza o adotou.
O costão, por ordem do mar, geme.
A floresta, obediente ao vento, também.
O Céu e a terra  gemem, tementes ao trovão.
E por que eu, um frágil ser,  não poderia 
gemer ?

Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Poema: SUA MAJESTADE


Não queiras, amigo,  passar pelas coisas que já
passei.
Ainda fico assustado com as lembranças do passado, com  os
 cabelos enfeitados,  e os lábios de carmim  pintados, sorrindo
 só para mim.
Do  olhar brilhante, não esqueço um só instante.
A voz macia, hoje tenho certeza, era bruxaria. 
Vinha da alma e como o vento, somente  sentia.
Não queiras saber, amigo, a força  de um carinho, que
 mudou o meu destino, da "água para o vinho".
Já  consultei bruxas,  benzedeiras e cartomantes,
mas é  feitiço forte, que habita nos  amantes. 
Não tem cura ! 
Nem mesmo vacina existe, e ninguém  está imune.
Fica-se alegre e triste, sorrindo do que foi bom, chorando 
 pelo que  nem existe.
Hoje, sigo os passos da minha sombra,  gargalho com
 as gaivotas, que
 me trazem  recados das sereias, lá do fundo  do mar !
Pode ser  loucura, mas ainda sinto a ternura  do seu jeito de andar.
Das suas vestes, tão lindas, nunca mais vi nada igual !
Perambulo pelo mundo, à procura do que passou,
mas nada encontro, alem da "Sua Majestade", uma tal
 de saudade !
Não queiras passar por isto, amigo..
 
Sinval Santos da Silveira






sexta-feira, 6 de maio de 2016

Poema: O PIRATA SEM PERNA DE PAU


Por muito tempo, ouvi o mar.
Compreendia as suas angústias e alegrias.
Falava de bruxas, sereias e piratas.
Eram vozes que chegavam de longe, muito
além do horizonte...
Depositava  sal no costão, como  oferenda
por  minha atenção.
O  vento entoava canções, e  eu adormecia 
 e sonhava !
Nem mesmo o  grunhido da gaivota  
enciumada, me acordava.
Em  meus sonhos, sempre aparecia um
pirata, sem perna de pau ou tapa  olho.
Ameaçador, queria levar o meu amor.
O mar me protegia, fazendo barulho nas 
rochas  do costão, para espantar o vilão. 
Cada estrondo parecia um tiro de canhão.
E eu, ciumento como a gaivota, chorava.
Mas foi ela quem se deixou levar, para nunca 
mais voltar, entregando o tesouro que  me
pertencia.
Até isto, o  mar  me  contou...
Ainda  hoje, adormeço naquelas rochas,  
ouvindo uma linda  sereia, de cabelos longos 
e  negros, a cantar, só para mim !