pulsando

Seguidores

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conto poético: A FIEL ESCUDEIRA



Ouvi, sensibilizado, uma linda história de observação.
" Todas as noites  ela circulava pelo interior da  minha  
residência.
Notava sua falta, quando se demorava ...
Atenta a todos os movimentos, sentia-se parte
daquele pequeno mundo, e me olhava com  ternura  !
E era, assim que eu, também a via.
Lindamente  imóvel, tinha postura de guerreira, ou 
implacável caçadora.
Enquadrava a sua  vítima, calculava  a distância e, com 
a  velocidade do raio, partia para  o  infalível ataque: 
NHAC...  alvo engolido !
Era bonito de se ver.
Aquele espetáculo da natureza transcendia um ato
de sobrevivência.
Envolvia observação, paciência e muita destreza,
para caçar os insetos nas paredes, teto e  piso.
Foi  uma agradável  convivência,  durante os meus 
momentos de relaxamento.
Mas, desapareceu, sem deixar vestígio.
Senti sua falta e  esperei, durante muitas noites,
aquela lagartixa, minha fiel  escudeira, 
Fui encontra-la, vítima  de uma tragédia.
Estava esmagada no vão das dobradiças da porta,
Não emitiu, sequer, um gemido de dor, possivelmente
para não me entristecer.
Mas eu sinto, até hoje,  a sua angústia..."
E eu  percebi  a tua  emoção, meu grande amigo, 
Francisco Carlos Lajus !           





quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Conto poético: OS VELHOS DA MINHA TERRA



                  

Nesta minha Ilha, raro era se encontrar 
um homem velho.
A  vida terminava cedo, não permitindo o 
envelhecimento.
A tuberculose  e outras  doenças, hoje 
curáveis, foram as responsáveis por  esta
precocidade.
Poucos,  viviam  muito. 
O velho era visto como um "ET", um ser
diferente e difícil de se encontrar. 
50 anos de vida, já estava devendo... ou
procurando vaga em asilo.
Mas, pior do que isto, somente o estigma.
As crianças desobedientes  eram 
advertidas,  ameaçadas com a figura do 
 "velho", temido  mais  que  assombração,
alma do outro mundo.
" À noite, embaixo  da figueira, aparece um 
velho barbudo que vai te pegar".
Que maldade !
Hoje, o velho mudou de  título para idoso.
Foi presenteado com um estatuto, que lhe 
garante  diversos  direitos.
Deixou de ser fantasma e pode viver  por muitos
anos, sem assustar as crianças 
Perdeu o título de  " bicho papão ",  conquistando
o respeito. 
Um  verdadeiro sonho poético !
Deixem-no sonhar...
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sombras de um passado!


As lembranças de um passado,
sem piedade, invadem minhas entranhas.
Teu sorriso, ainda habita meu coração,
trazendo, à tona, as mais belas recordações
de momentos tão felizes, contigo vividos.
Nossos sentimentos, voaram em direção
aos ventos, subiram às alturas, visitando
o belo azul do céu.
Passeamos nas estrelas, conhecemos
os astros...
Amamos os campos, as flores e as
cachoeiras.
Sorrimos com as alegrias, e choramos
as tristezas.
Plantamos flores e colhemos perfumes,
no colorido jardim  da vida.
Vivemos a felicidade dos amantes,  
destilando e bebendo a cheirosa seiva do
mais puro amor...
Hoje, nos alimentamos da saudade, que
se nega ao tempo morrer, dando vida à
esperança, de um dia voltar a te ver !

Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Poema: SONHO DE NAVEGADOR




Comandante   deste barco, resolvi   parar  de  remar.
Recolhi  os remos, o leme,  e   das velas  libertei o vento, 
aprisionado há  muito tempo, para ver aonde o  mar 
quer me levar. 
Observo  o céu azul  mudando de cor, a  todo momento.
Ao longe, avisto  uma família de gaivotas.
Grunhem alto, para me  assustar, como a 
me mandar para bem longe deste lugar.
Por teimosia, me embriago com o  sutil  aroma 
da maresia.
A brisa fresca  me faz  repensar a  vida.
Falo com os meus pensamentos, respondo perguntas, 
canto versos do passado e o barco vai me levando,
para onde,  não sei.
A  terra firme, já nem avisto mais.
Como é linda esta viagem, quando não se domina o 
destino !
As águas e o barco  são velhos amigos.
Ilhas  e  rochedos gigantescos  estão na rota 
escolhida pelo mar e pelo vento.
Na selvagem  paisagem marinha, vejo  lindas
sereias, cantando e acenando para  aportar...
É comum, em alto mar.
Repentinamente, parou o vento, não há mais corrente,
não é noite, nem é dia...
 Acordei  com meu barco atracado neste trapiche.
 Apenas,  um sonho de  navegador.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Poema: ESPELHO DA PIEDADE


Eu a vi passar.
Caminhava cabisbaixo,  triste e diferente.
Preocupada,  nem me notou.
Não lhe negaria resposta a um olhar.
Seu andar estava trôpego e a felicidade, ausente...
Do que o tempo e a vida  são capazes
de fazer,  destruindo a ternura, amargando 
a  doçura, de quem tão soberba  parecia ser .
Na multidão, também eu, estava só.
Ninguém  mais a percebeu passar.
Seu encanto terminou,  deixando  um
pranto  a derramar.
A fonte da felicidade,  que saciava a sede
dos seus  amores, hoje é um riacho de 
saudade,  nas corredeiras  do tempo que,
sem  piedade,  passou...
Talvez, os passos trôpegos sejam os meus,
nos  caminhos  longos da  imaginação.
Quem sabe, apenas, o espelho  imaginário 
da piedade.  
Quem sabe...
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Poema: A Caverna

 
 
Estou só, nesta caverna, com os meus
pensamentos. 
Abriga-me das hostilidades do mundo.
Mesmo de olhos fechados, enxergo tudo 
o que há por aqui.
E somente há o que quero enxergar.
Não há portas, ou janelas,  e nela  dou
entrada a quem  não me molestar.
Pássaros marinhos e o barulho do mar,
podem entrar  sem  me avisar.
São moradores  permanentes !
Há noites em que o ronco do costão não
me deixa dormir.
Mas, aqui, sempre é noite. Não me importo.
Converso com pessoas amáveis e releio, 
nas paredes de pedras, todos os poemas
que  já escrevi.
Até os personagens moram aqui...
Cada qual, me traz profundas recordações
da vida, fora deste lugar.
Somente  os  marsupiais me tiram  a concentração.
São dóceis e gentis !
A revoada dos morcegos, também, é um
espetáculo à parte.
Lembram-me pertencer ao mesmo reino.
Vejo marcas estranhas, deixadas por seres
 inteligentes, artistas, querendo
avisar-me de coisas que não entendo.
Apenas, imagino o que desejo...
Quem sabe, nos próximos milênios, alguém
leia  meus versos nestas paredes,  pelo
menos um  que fale de amor e saudade
desta caverna...



Sinval Santos da Sikveira

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Poema: Não mereço seu Perdão!





Meu céu estava repleto de belas estrelas.
Nada faltava no firmamento. A lua linda, prateada
como nunca, sorria e se debruçava sobre as
montanhas da minha vida, como a me cumprimentar.
Nas lagoas da minha terra, vinha se espelhar, parecendo
por mim procurar.
Ao amanhecer, o sol me aquecia, querendo me cuidar.
Os passarinhos cantavam, sem cessar, as melodias
lindas do meu lugar.
As flores das minhas preferências, como as orquídeas e
as Hortências, exalavam perfumes, lembrando as
querências.
Aquela mulher me amava tanto, que só Deus para
avaliar...
Mesmo assim, outra constelação fui visitar, não por amor,
ou curiosidade, mas por crueldade... talvez leviandade.
Seu perdão já recebi, pois não é uma mulher qualquer,
mas, sim, um ser especial, certamente, celestial...

 Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poema: O SALVADOR DE CARANGUEJOS

    


Estou lambuzado.
Meu corpo está coberto de lama e molhado.
Este mangue é sagrado mas, eu,  um pobre
diabo,  preciso deste lugar.  
Ele tenta se esconder.
Esta criatura, me olhando com ternura,  quer
me comover.
Seus braços  fortes, não são tão fortes quanto  
a minha fome.
Sou um bicho maior e comer o menor, é direito meu !
Seus olhos estranhos,  sua vida no 
submundo, imundo, desperta  em mim 
 um sentimento de piedade...
Na panela, a água fervente trocará
  a sua  cor,  sem direito a gritar de dor.   
Os dentes do cliente, afiados como
 faca, cravarão em sua  carne, dando
 Adeus  aquele buraco !
Poucos sabem o que representa, para a 
 vida, este amigo meu.
É  melhor  nem saber.
A ignorância  diminui o sofrimento...
Ainda há tempo !
Estão vivos, os condenados caranguejos.
Todos voltaram aos seus buracos.
Não mudarão de cor.
Foram salvos por amor !

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Poema: UM POEMA AO POETA

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Poema: PARADIGMAS QUEBRADOS


Ouvi, como verdade, que a honestidade 
faz parte da felicidade.
Que as  ações criminosas  devem ser punidas.
Que  o certo e o errado, por abismos,  são separados.
O mau exemplo, que vinha de baixo,  de
 castigo era  punido e  por todos era apontado.
O paradigma foi quebrado...
Não se encontra  mais  pequenos  bandidos,
pois todos foram promovidos pela facilidade 
da corrupção.
As grades da prisão foram serradas, pelas leis
 desajustadas, para não mais prender ladrão, 
que  virou autoridade.
Nobreza,  era  a riqueza  nascer do trabalho, não da  
criminosa esperteza.
Que se cuidem os honestos... estão na mira da punição.
O uniforme listrado e numerado, pelo terno e 
colarinho foi trocado...
Falta  prisão, sobra ladrão, nos paradigmas quebrados 
 pelas autoridades da minha  Nação.
Sinto até vergonha de haver nascido nestas 
cercanias, onde o povo foi enganado, perdeu
 a felicidade e, também,  a dignidade.  
 
Sinval Santos Silveira

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POEMA: Homenagem aos Pais





Amanhece  a vida.
Chega  a minha consciência.
Torceste para ser longo, o meu dia de existência.
Tudo era novidade.
Não sabia, claramente, se estava diante de um homem,
ou na presença de Deus.
As horas vão passando, e aprendo a reconhecer.
Fico surpreso !
Não és, apenas, um homem.

Também,  não és Deus.
És o meu pai. O meu sagrado pai !
Aquele que mostrou os meus caminhos, desviou-me
dos espinhos, procurou fazer-me feliz.
Ensinou-me tudo, acerca da vida, e a todos amar.

Hoje sei  distinguir o bem do mal, o certo do errado...
e continuo sendo amado, ainda que não estejas mais
aqui.
Tuas profundas pegadas, teu sorriso e o teu afago,
fazem parte do meu ser.

Todo o teu amor, transferiste para mim.
As lembranças que carrego, desde os tempos de
criança, são frutos do teu viver._ 

O suor da tua face, mistura-se  às lágrimas  que dos meus
olhos rolam, com a cor da felicidade, e o sabor da saudade.
Desculpa-me por minha existência  haver exigido tanto de ti...
Agora, aceita meu beijo, no rosto ou  na alma, neste teu dia,

tão merecidamente festivo.
Bendito seja Deus, que me permitiu ser o teu filho, querido pai !
 Sinval Silveira

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Conto Poético : O VELHO E A MOCHILA




Um velho homem, já cansado de andar e
sem destino, sentou-se ao "meio fio" da 
calçada, frente a minha morada.
Ofereci-lhe água fresca e uma cadeira
confortável, à sombra ventilada de um   
cajueiro perfumado.  
Seus pés descalços, quase em chagas,
pediam socorro. Não aguentavam  mais
o chão abrasivo.
Ofertei-lhe banheiro, uma muda de roupas
limpas,  calçados e refeição do meio dia...
Foi grande a transformação !
Notei, ali, um homem  desprovido de   
ambição e  educado, mas  magoado com 
a vida, ou com alguém.
Espontaneamente,  satisfez a minha 
curiosidade, ao mostrar o que trazia em sua
mochila.
Quase nada havia, além de recordações,
fotografias, bilhetes e muita saudade de um
passado, que não se despede do presente...
Migalhas  de pão, que colheu no seu trajeto 
sem fim,  negavam-se abandonar as poucas
 quinquilharias que carregava.
Ao apertar minha mão, emocionado  pela
gratidão,  disse-me:
" Esta mochila não pode carregar muitas
 coisas materiais.
É o  depósito do meu  universo imaginário,
da eterna saudade que transborda os limites do coração.
Nela,  deposito os versos que componho, sem 
escrever uma só letra... "
Foi embora, deixando-me um largo sorriso, sem 
dentes, mas uma alma transparente querendo

ficar. 
E, em sua mochila encantada  levou 
 a minha saudade, com vontade de querer voltar !
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 26 de julho de 2017

UM POEMA PARA STEFANNY



Silenciosa, parecendo flutuar, cuidando deste
  sono agitado, zela  pelo meu  corpo, como 
se  nunca houvesse  pecado. 
Minha vida em suas mãos...
São delicadas e  puras, trazendo a  ternura de 
que tanto  careço.
Inocente, me faz lembrar  alguém  que  me  amou, 
profundamente, mesmo antes  de  haver nascido...
Com gestos  educados, se aproxima   do
  meu leito, me deixando sem jeito !
É muito carinho e me sinto um frágil  
passarinho,  acolhido em seu ninho.
Minha sobre vida, agora, depende 
 deste  anjo, vestido de branco, parecendo
   flores do  campo  espargindo
 perfume  na  primavera !
Adoro ouvir a sua voz, soando 
como uma  suave
canção, deixando feliz o  meu   coração,  
precipitando a minha  recuperação.

Sinval Santos da Silveira,
para:  Stefanny Lopes.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Poema: AS PEDRAS QUE ME ATIRARAM



Estão nos porões do  esquecimento, excluídas
da minh´alma, as pedras que me atiraram.
São  de todos os tamanhos.
Injúria, traição e calúnia...
Todas tem sua história.
Em cada  uma,  faço uma leitura  da  sua razão.
Algumas  injustas,  outras nem tanto.
Corrigi as minhas falhas mas não devolvi, sequer 
uma  delas, ao  atirador, esperando que o
 tempo, imparcial  julgador, responda por mim.
A cada abraço que recebo, pedindo
 perdão, fortaleço o meu coração !
Minha  trincheira foi construída de bondade,
e por nenhuma maldade pode ser  atingida.
Nas  pedras  recolhidas, sinto 
 a felicidade se aproximar da minha vida !
Consigo  compreender as amarguras 
alheias, acolhendo o perdão em meus 
 sentimentos !
Neles, só há espaço para amor, jamais 
para ódio, vingança  ou  rancor.
Liberto as  emoções e  reforço as muralhas
 de proteção, transformando tudo
 numa fortaleza de paixão !  

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Poema: A FACE MISTERIOSA

 

Quantas confissões eu fiz !
Falei  verdades  em nome de um grande  
amor, que jamais pensei  ter fim.
Em minhas lágrimas não acreditou  e,
zombando dos meus olhos molhados, me fez  sofrer.  
Arrastei-me, beijando  seus pés  num
 gesto de mendicância...
Agora, arcanos motivos dividem um caminhar
que  foi  tão unido. 
Intransponíveis abismos surgiram,  dando
lugar ao silêncio de um vazio mortal. 
E  a maldade ocupou o espaço da doce saudade,
matando as flores de um  jardim, com 
perfume de felicidade.
Nem o canto  dos passarinhos  restou.
Emudeceram...
E do luar do outono, somente as 
trevas sobreviveram.
E tudo mudou...
Hoje, não sei  mais o que é saudade e, por
 ironia do destino, nem falta  me faz.
Passou a dor aguda do peito,  nascendo um   
novo  jeito da vida recomeçar.
A esperança, em  viçosa brotação, manda 
recados ao coração,  mostrando  a face 
misteriosa de uma nova e ardente paixão !
 
Sinval Santos da Silveira