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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Poema: SOU O GRITO QUE NÃO SE OUVIA


Verdade.
Mas, também, não me calo.
De amor, eu falo.
De saudade, sofro gemendo...
Procuro, nas trevas, a luz que  se apagou.
No silêncio, o sorriso que me abandonou.
Sigo as pegadas, mesmo apagadas, pois sei
o caminho que tomou.
Meus sentidos ficam atentos e, no vento, leio
as mensagens que ela mandou.
A voz do trovão fala ao meu coração, trazendo
recados de esperança, falando  de bonanza,
acalmando minha emoção !
Decifro os relâmpagos no firmamento...
São sinceros e falam o que quero ...
Banho-me na água da chuva !
São lágrimas de alegria, brindando a chegada
daquele amor,  que tanta falta me causou !
Sou o grito que, agora, é ouvido !

Sinval Santos da Silveira.


terça-feira, 29 de outubro de 2019

Poema: MEUS PEDAÇOS



Olho  os recantos por onde passo.
Vejo lágrimas doces  da alegria que vivi.
Também,  marcas do  pranto,  vertentes dos dissabores
  trazidos pelas dores, sem  fim.
O ruído  da enxurrada me assusta.
Desaparecem as pontes e as  travessias...
O isolamento é meu companheiro,  noite e  dia.
Admiro o voo dos pássaros.
Não deixam rastros, não precisam de pontes nem travessias.
Voam livres, parecendo  sentir piedade do que restou de mim.
Por ironia do destino, quando o sol está a pino, minha sombra
me abandona, vai embora, como o pássaro que passou.
Não sei  qual seu destino, nunca me diz para onde  foi.
Fico só, preso a este corpo cansado,  arqueado, querendo
alcançar o outro lado, mas a ponte, também, se foi.
E  do lado de cá, somente os meus pedaços  testemunham
o homem que fui...

Sinval Santos da Silveira.





terça-feira, 15 de outubro de 2019

OS ANFITRIÕES

 

Artistas  !
Somente Artistas !
Unidos por  um sentimento  acima da vida, nasce
uma inspiração em cada  olhar.
Corações  que pulsam  no mesmo compasso e,
no abraço, o calor de um doce  afago !
Declamações poéticas, contação de  histórias, música
 e  cantoria, invadem aquele  lar,  que se transforma em
teatro.
Inciumados, cerram bicos os passarinhos,  não canta
o galo carijó do vizinho.
Até a matraca emudeceu, no dia da procissão !
Na cochia   do palco, um casal, de braços abertos,  
ampara o espetáculo.
E a bela São Pedro, desde cedo, fica sabendo que, 
naquela casa  amarela,  abrem-se as portas e as 
janelas para  acolher, com amor,  o poeta, o contador de 
histórias, o músico e o cantor,  laçados pela  amizade
do Casal Anfitrião, Luiz Claudio e Roseli,  num só 
coração !

Sinval Santos da Silveira.

sábado, 5 de outubro de 2019

Conto poético: VOLTAREI EM 20 LUAS

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Conto poético: SÓCRATES



Atenas te viu  nascer, admirável Filósofo, nos  anos 470 - A.C.
É muita distância, em tempo, do mundo contemporâneo.
Fico a imaginar o orgulho da  Grécia, em te registrar como
filho !
Nossa, como gostaria de te haver  conhecido, pessoalmente,
para   observar as tuas excentricidades !
É verdade que não tinhas o  hábito de tomar banho ?
E daí ?
Conheço muita gente que também não o tem, mesmo 
com todo o conforto que a vida moderna oferece.
Achavas o " belo", algo sem nenhuma importância ?
Uma questão de opinião.
Andar descalço é muito  confortável e te invejo, Amigo !
Dizem que, quando pensavas em alguma coisa,  
ficavas tão concentrado, ao ponto de permaneceres imóvel,
ainda que sobre a neve...
Que resistência, homem !
Não gostavas de escrever ou, pelo menos, não deixaste
escritos os teus feitos ?
Respeito a tua opinião,  mas  Platão  te alfinetou por isto.
Olha, correste o risco de ser transformado num mito, pois
a história  chegou duvidar da tua existência. 
Mas este episódio foi superado. Fica calmo.
O Romano, Cícero,  te concedeu o mérito de  fazer descer 
dos céus à terra, os conceitos de filosofia !
Também, não é para menos. Formaste um trio de peso, 
com os Filósofos Platão e Aristóteles !
Quem ganhou foi o ocidente !
Passaste a maior parte do teu tempo discutindo sobre 
justiça, verdade e virtude, com os teus alunos ?
Mesmo, assim, foste  julgado e condenado por corrupção
de mentes jovens e por heresia ?
Fico confuso ...  não havia liberdade de expressão ?
Que maldade, homem !
Eras feio, mesmo, ou intriga dos que não gostavam de ti ?
Mas te reconheceram como o mais sábio dos homens.
Com 55 anos de idade, Xenipa  aceitou casar contigo.
Dizem que era uma mulher insuportável. Também, com 
um nome deste...
Coitado de ti, Amigo. Deves ter sofrido  muito, até os
71 anos de idade.
Trouxeste ao mundo tanta sabedoria, como tua mãe,
parteira, trouxe  vidas !
Mas que personalidade forte, meu Amigo!
Não te dobraste às imposições, nem que isto pudesse  custar a
tua vida.
E as tuas últimas palavras foram para lembrar que devias um galo
a um amigo.
O que é isto,  Senhor Gênio, não precisavas exagerar !
Olha, jamais desejarei ser um filósofo. 
É só  humildade, com o risco permanente da perda da 
dignidade.

Sinval Silveira

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Poema: MAGIA LAGEANA


Paredões  que se transformam em calabouços gelados,
paralisando os  seres  alados.
O grito de guerra  do gavião  valente,  entala na garganta,
amedrontado.
O vento gelado sopra sem piedade.
A  água  dura do riacho, não  dá  de  beber ao  animal
sedento.
A coruja  esconde a cabeça sob as asas,  procurando se
aquecer.
No  rancho  do  fazendeiro,  somente  um fio de fumaça se
atreve  no  terreiro...
Nem  o  "caboclo"  acoa.
Não é bobo, fica  embaixo do fogão, esquentando  sua lã
de proteção, enquanto a chapa quente prepara  o chimarrão. 
Agora, com o sol  a pino, gorjea  a passarada, o boi bebe
água na corredeira, e a gralha  azul  canta  faceira !
Lá,  no despenhadeiro,  sobrevoa  o gavião guerreiro,  
convidando  o mundo inteiro  para "roncar"  um  mate 
quente e amargo, na cuia do chimarrão !
A sombra  fria  da  Serra Lageana,  se  rende ao sorriso
franco do povo hospitaleiro, e ao  sabor mágico do fruto
do pinheiro ! 


Sinval Silveira

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Poema: AMAZÕNIA, O GRITO QUE NÃO SE OUVE






" Estou ardendo em chamas".
As vidas, que agasalho,  em pânico  pedem socorro.
Ninguém escuta meu grito. 
Nem o eco responde.
O fogo não sabe  a extensão do meu sofrimento.
Tento te avisar,  com sinais de densa fumaça, mas
não  acreditas.
O mundo precisa de mim.
Os reinos precisam de mim !
O tuiuiu abandonou seu ninho e as plantas  viraram
cinzas.
Parece  que o inferno se mudou para cá.
Quero pedir socorro  a Deus, mas não enxergo o Céu.
Na Terra, ninguém me escuta.
O beija -flor leva água no biquinho,  mas  a fogueira
é grande demais.
Os rios tentam, em vão,  sair do leito, para afogar o
dragão.
A chuva parece temer o foco,  caindo  distante  daqui.
Meu desespero é grande...
Até a rima destes versos,  como Joana D´Arc, foi
queimada na fogueira. "

Sinval Silveira

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Poema: LEI "MARIA DA PENHA"


       
 Tentou sua vida  harmonizar, em nome do amor que sentia.
Apostou nos sentimentos e nas promessas que  recebia...
De joelhos rezou.
Segredos guardou, enxugando  lágrimas e chorando  
em silêncio.
Gritou,  e o éco do seu grito não  voltou.
A vergonha  amordaçou  sua voz,  pela vida que levou.
Nem força  restou...
O sofrimento, como erva daninha, destruiu sua felicidade e,
sem piedade. sua vida  ceifou.
Não há mais pressa, nem promessas...
A covardia,  instalada  sob o manto da crueldade, acabou
com os sonhos da felicidade, levando  a vida,  deixando a
cicatriz  da maldade.
Só esperança restou, na justiça que virá,  na pena que 
pagará, nas mãos fortes da Lei  " Maria da Penha", que 
aí está !
 
Sinval Silveira

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Poema: ESCOLA DA VIDA




Sem professores ou bancos  escolares...
Não há merendas, nem diplomas.
O curso é definido pela  duração da vida, que tudo
 sabe e tudo ensina, na formação do sábio cidadão !
Podem  explicar, no seu nobre  linguajar, os mistérios
da existência, os segredos da matemática, fazendo 
contas  de cabeça, e a sabedoria  em profunda  filosofia !
Explicam a formação do Universo,  a influência  da lua
e, até, os passos de Jesus Cristo  pela Terra,
São craques em medicina, dão receitas de folhas e raízes, 
curam doenças com benzeduras, olho grande com reza braba, 
emplasto  caseiro, para quebradura.
São sábios,  semi-Deuses,  que existem  desde que  o
" macaco  era  gente" !
Educados e humildes, são felizes  no seu jeito,  rejeitam 
a ambição, guardando  o grande tesouro  da vida,  no  
coração !
É a " Escola da Vida ", na formação do cidadão !
Eu não duvido.
Sócrates, também não ...
Sinval Silveira

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Poema: GARIMPO DA VIDA



Não  posso medir  a intensidade  da dor ou da felicidade,
 que carrega minh´alma, ao longo da vida,
Como um garimpeiro, que procura o  tempo inteiro,  o brilho
 da ilusão,  garimpo  no fundo do coração, os fragmentos
de  um grande amor !
Separo,  na bateia de malha  fina,  a verdade da mentira,
procurando a luz da explicação.
Joguei  fora, nas correntes de água fria,  tudo o que era 
mentira, tudo o que era ilusão.
No fundo da  bateia, depois de tanto garimpar  lembranças,
somente  a sombra dela restou !
E a verdade me olhou,  tentando alguma coisa me dizer,
como se eu não soubesse o que fazer;
De  joelhos, na beira do riacho,  orei  com  fervor ao meu
Santo protetor.
Assustado,  enxerguei  no fundo daquela peneira, uma 
pedra preciosa, esperando ansiosa  pelo meu perdão  !
 
Sinval Silveira






sexta-feira, 26 de julho de 2019

Conto poético: DIÓGENES




Quem foste tu, homem ou lenda ?
Mais velho que Jesus Cristo ?
Fico impressionado com as notícias que chegam
aos meus dias, a teu respeito.
Rebelde ?
Não  me atrevo a tanto, pois não te conheci...
Gostei da tua resposta a Alexandre, o Grande...
Ficou impressionado, pois   não permitiste que
roubasse o teu sol.
Também, ele não poderia devolve-lo.  
Que  lição irreverente e inteligente, Amigo !
Veja só, queria ser tu, Diógenes, se não fosse o
homem que  foi  !
Que linda, esta parte da tua história !
É verdade que pedias esmolas às estátuas, para
te acostumar com as decepções ?
Que atitude inteligente. Coisa de Mestre Filósofo !
Jamais imaginaria isto.
Mas, morar num barril,  é  demais !
Que ideia criativa, homem,  demonstrar auto 
suficiência...
Que coisa !
Ser vendido, como escravo, e se tornar professor
do filho do teu  Senhor, não é para qualquer um !
Olha, é preciso ser diferente,  competente e talentoso,
 Senhor  Filósofo, Mestre da vida,  DIÓGENES  DE SINOPE, 
o Cínico  !

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Poema: TELAS DA VIDA


Não suportando a  saudade,  retornei  aquele lugar.
Ouvi a mesma música e relembrei cada palavra.
As  minhas respostas e as  respostas  dela...
O perfume das flores  a  tudo  presenciou.
Os pássaros vieram gorjear as mesmas canções.
Perguntaram por ela... 
As borboletas brancas estavam lá e, graciosas,
bailaram  e  aplaudiram !
Até o guarda  estranhou  minha solidão.
Creio haver adormecido e sonhado com um beijo. 
Lábios  de artista são sagrados, na presença de todos, 
não podem ser beijados.
Gostei da surpresa...
Com muita ternura,  deu-me o   Céu e o mar,  limitados 
pela moldura !
 
Sinval Silveira

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Poema: A PROMESSA DO SOL



Muitos anos já se passaram.
Correntes de lágrimas,  lavam  aquela linda face de
mulher !
O destino não mostra piedade, açoitando  sua alma.
Seu coração  não se rende a um  novo amor, e  se
oculta nas  profundezas do sofrimento, como trincheira 
do tempo.
Conflitando sentimentos, reza, faz promessas ao 
Santo de devoção,  aplacando sua paixão.
Não abandona  o moribundo,  nem dá ouvidos ao mundo,
acalentando seu coração de guerreira !
E, nas madrugadas,  no silêncio do seu  leito, chora sua
alma.
Jorram lágrimas de compaixão e ternura, renascendo 
a esperança do milagre acontecer !
Termina  mais um  dia... 
O  por do sol, na mesma  colina, lhe diz Adeus.
É sempre, assim...
Transfere, para o próximo amanhecer,  a promessa do
seu  grande amor renascer !

sábado, 29 de junho de 2019

Poema: OLHOS E OLHARES



Magnéticos !
Pedaços da natureza, frutos da beleza, testemunhas
do mundo !
Radares  da vida, procuram  sem descanso, na tormenta
ou no  remanso, o amor que o destino reservou.
Podem ser da cor do céu, da cor do mar, do mel e, até,
 da cor do pinhão.
Os que imitam as sombras da noite, encerram profundos
mistérios...
Só me assustam os que lembram a  brancura do luar.
Não  permitem  ver  as vestes  da primavera, 
nem o esplendor das ondas do mar.
Precisam da mão amiga, sobre  os  ombros da vida, 
na  busca angustiante  do destino.
Vivem no mundo das trevas, sentem o perfume da 
relva,  como  fronteiras da  imaginação !
São olhos e olhares, perdidos na multidão.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

É com muito orgulho que convido todos os amigos e apreciadores de meus escritos
para o lançamento da quarta edição de meu livro Coração Tagarela, será realizado
no Centro integrado de  Cultura (CIC), dia 25 de junho as 17 horas,durante o Encontro de Poesia do Grupo de Poetas da Trindade  (GPT). Será uma alegria muito grande poder contar com a presença de todos ,teremos  música,dança,canto,historias e claro muita poesia.O livro CORAÇÃO TAGARELA será um presente aos meus convidados, sem custo algum, e  logo após o cerimonial será servido um ótimo coquetel. Meu abraço fraterno...
Sinval Silveira

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Poema: ORGULHO AÇORIANO



Os anos passaram.
Centenas deles.
Só tu não passaste, Açoriano !
Como semente de figueira, continuas  pela vida inteira,
banhando tuas mãos nas águas frias do mar.
Ao  pescado,  não dás sossego.
Nem mesmo à farinha, nem mesmo à tainha !
Tens orgulho da tua gente, contas histórias
diferentes das que escutamos por aqui !
Falas dos Açores,  sem jamais explicar se é
do pássaro que tanto amas, ou da  Terra
Além Mar !
Tuas vestes de percal, este tipo simples de falar,
o  sorriso lindo da Maria, o olhar maroto do Manoel,
irmão do Joaquim, contrariam a história do Brasil,
parecendo, ainda, Colônia de Portugal !
Que ferida é esta, Açoriano, que não quer cicatrizar ?
É amor que deixaste por lá, ou novo amor  conquistado
por aqui  ?
Teu orgulho é muito forte, traz sorte ao povo deste lugar !

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Poema; AMOR À ALMA




A beleza  se  rende ao tempo, como o sol aos encantos
da noite.
É passageira da ilusão, desperta a paixão,  seduzindo os
olhos e o coração...
No meio do  caminho, vira sofrimento, bate à porta o 
arrependimento, querendo desembarcar.
A alma amadurece, jamais envelhece !
Sua leitura é feita  nos olhos, encharcados de ternura.
Quanto mais o tempo passa, mais bela se afigura ao
mundo, inseparável do amor, como a lira ao trovador !
Conselheira  da vida,  escrava da fidelidade e  
companheira  da  felicidade  !

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Poema; A CIGANA MAGARLETE


Misteriosa, muito misteriosa !
Fala pouco, mas diz tudo com os olhos.
Sedutores gestos, obedecem o que seu corpo  ordena.
As vestes coloridas combinam com sua alma cigana, que
a todos encanta. !
Os olhares de admiração invadem o palco, agitando  seus 
graciosos passos, que  parecem flutuar.
Talvez  não saiba as paixões que desperta.
Então,  ingênua  e graciosa, sorri  !
A plateia   delira, aplaude e  pede "bis".
Mais uma vez,  sorri !
Sua  misteriosa força,  além da mão, sabe o que vai 
no coração. 
E a  dança, só fala de amor.
O público aplaudiu e se rendeu !
A Cigana  "FILÓ",  venceu !

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Poema: MARCAS



Vejo  meu rosto, como se fosse um livro.
O livro  da minha vida !
Em cada  marca, uma  história.
Algumas de alegria, outras de profunda  tristeza.
Jamais serão esquecidas.
Em torno  dos olhos,  as que lembram  momentos 
de felicidade, sorrisos, alegria contagiante !
As da face, expressam as dores da  partida e do 
pranto,  implorando  para  ficar.
Nos lábios,  são marcas reféns de uma  impiedosa
saudade...
Mas é na alma que  trago os segredos  não revelados,
nem mesmo  aos meus olhos.
Somente o coração é testemunha desta página
secreta...
São cicatrizes invisíveis,  trazidas pelo  açoite da  
vida  aos porões dos  sentimentos,  já  transformadas 
em perdão.

Sinval Silveira


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Conto poético: A QUEBRA DO SILÊNCIO





Nem mesmo a noite escura,  encobriu a ternura 
do seu olhar.
Olhos brilhantes, molhados pelas lágrimas de uma 
forte emoção, fitavam o homem que, estranhamente, 
despertara sua paixão.
A  longa estrada  aproximava, impiedosamente, o 
destino...
Seus lábios,  sedentos e carentes, não suportariam, 
apenas, uma  " boa noite ", como despedida. 
Seria um cruel golpe em seus sentimentos de mulher, 
agora, profundamente  apaixonada.
Até o Universo  já havia percebido os sinais.
Segurou-lhe as mãos, nervosamente frias, e acariciou 
sua linda face, que transpirava de emoção.
Não havia mais nada  a falar.
O silêncio foi quebrado pelas fortes batidas de  dois 
corações,  e por murmúrios que  somente  eles podem 
traduzir....