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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Poema: TELAS DA VIDA


Não suportando a  saudade,  retornei  aquele lugar.
Ouvi a mesma música e relembrei cada palavra.
As  minhas respostas e as  respostas  dela...
O perfume das flores  a  tudo  presenciou.
Os pássaros vieram gorjear as mesmas canções.
Perguntaram por ela... 
As borboletas brancas estavam lá e, graciosas,
bailaram  e  aplaudiram !
Até o guarda  estranhou  minha solidão.
Creio haver adormecido e sonhado com um beijo. 
Lábios  de artista são sagrados, na presença de todos, 
não podem ser beijados.
Gostei da surpresa...
Com muita ternura,  deu-me o   Céu e o mar,  limitados 
pela moldura !
 
Sinval Silveira

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Poema: A PROMESSA DO SOL



Muitos anos já se passaram.
Correntes de lágrimas,  lavam  aquela linda face de
mulher !
O destino não mostra piedade, açoitando  sua alma.
Seu coração  não se rende a um  novo amor, e  se
oculta nas  profundezas do sofrimento, como trincheira 
do tempo.
Conflitando sentimentos, reza, faz promessas ao 
Santo de devoção,  aplacando sua paixão.
Não abandona  o moribundo,  nem dá ouvidos ao mundo,
acalentando seu coração de guerreira !
E, nas madrugadas,  no silêncio do seu  leito, chora sua
alma.
Jorram lágrimas de compaixão e ternura, renascendo 
a esperança do milagre acontecer !
Termina  mais um  dia... 
O  por do sol, na mesma  colina, lhe diz Adeus.
É sempre, assim...
Transfere, para o próximo amanhecer,  a promessa do
seu  grande amor renascer !

sábado, 29 de junho de 2019

Poema: OLHOS E OLHARES



Magnéticos !
Pedaços da natureza, frutos da beleza, testemunhas
do mundo !
Radares  da vida, procuram  sem descanso, na tormenta
ou no  remanso, o amor que o destino reservou.
Podem ser da cor do céu, da cor do mar, do mel e, até,
 da cor do pinhão.
Os que imitam as sombras da noite, encerram profundos
mistérios...
Só me assustam os que lembram a  brancura do luar.
Não  permitem  ver  as vestes  da primavera, 
nem o esplendor das ondas do mar.
Precisam da mão amiga, sobre  os  ombros da vida, 
na  busca angustiante  do destino.
Vivem no mundo das trevas, sentem o perfume da 
relva,  como  fronteiras da  imaginação !
São olhos e olhares, perdidos na multidão.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

É com muito orgulho que convido todos os amigos e apreciadores de meus escritos
para o lançamento da quarta edição de meu livro Coração Tagarela, será realizado
no Centro integrado de  Cultura (CIC), dia 25 de junho as 17 horas,durante o Encontro de Poesia do Grupo de Poetas da Trindade  (GPT). Será uma alegria muito grande poder contar com a presença de todos ,teremos  música,dança,canto,historias e claro muita poesia.O livro CORAÇÃO TAGARELA será um presente aos meus convidados, sem custo algum, e  logo após o cerimonial será servido um ótimo coquetel. Meu abraço fraterno...
Sinval Silveira

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Poema: ORGULHO AÇORIANO



Os anos passaram.
Centenas deles.
Só tu não passaste, Açoriano !
Como semente de figueira, continuas  pela vida inteira,
banhando tuas mãos nas águas frias do mar.
Ao  pescado,  não dás sossego.
Nem mesmo à farinha, nem mesmo à tainha !
Tens orgulho da tua gente, contas histórias
diferentes das que escutamos por aqui !
Falas dos Açores,  sem jamais explicar se é
do pássaro que tanto amas, ou da  Terra
Além Mar !
Tuas vestes de percal, este tipo simples de falar,
o  sorriso lindo da Maria, o olhar maroto do Manoel,
irmão do Joaquim, contrariam a história do Brasil,
parecendo, ainda, Colônia de Portugal !
Que ferida é esta, Açoriano, que não quer cicatrizar ?
É amor que deixaste por lá, ou novo amor  conquistado
por aqui  ?
Teu orgulho é muito forte, traz sorte ao povo deste lugar !

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Poema; AMOR À ALMA




A beleza  se  rende ao tempo, como o sol aos encantos
da noite.
É passageira da ilusão, desperta a paixão,  seduzindo os
olhos e o coração...
No meio do  caminho, vira sofrimento, bate à porta o 
arrependimento, querendo desembarcar.
A alma amadurece, jamais envelhece !
Sua leitura é feita  nos olhos, encharcados de ternura.
Quanto mais o tempo passa, mais bela se afigura ao
mundo, inseparável do amor, como a lira ao trovador !
Conselheira  da vida,  escrava da fidelidade e  
companheira  da  felicidade  !

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Poema; A CIGANA MAGARLETE


Misteriosa, muito misteriosa !
Fala pouco, mas diz tudo com os olhos.
Sedutores gestos, obedecem o que seu corpo  ordena.
As vestes coloridas combinam com sua alma cigana, que
a todos encanta. !
Os olhares de admiração invadem o palco, agitando  seus 
graciosos passos, que  parecem flutuar.
Talvez  não saiba as paixões que desperta.
Então,  ingênua  e graciosa, sorri  !
A plateia   delira, aplaude e  pede "bis".
Mais uma vez,  sorri !
Sua  misteriosa força,  além da mão, sabe o que vai 
no coração. 
E a  dança, só fala de amor.
O público aplaudiu e se rendeu !
A Cigana  "FILÓ",  venceu !

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Poema: MARCAS



Vejo  meu rosto, como se fosse um livro.
O livro  da minha vida !
Em cada  marca, uma  história.
Algumas de alegria, outras de profunda  tristeza.
Jamais serão esquecidas.
Em torno  dos olhos,  as que lembram  momentos 
de felicidade, sorrisos, alegria contagiante !
As da face, expressam as dores da  partida e do 
pranto,  implorando  para  ficar.
Nos lábios,  são marcas reféns de uma  impiedosa
saudade...
Mas é na alma que  trago os segredos  não revelados,
nem mesmo  aos meus olhos.
Somente o coração é testemunha desta página
secreta...
São cicatrizes invisíveis,  trazidas pelo  açoite da  
vida  aos porões dos  sentimentos,  já  transformadas 
em perdão.

Sinval Silveira


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Conto poético: A QUEBRA DO SILÊNCIO





Nem mesmo a noite escura,  encobriu a ternura 
do seu olhar.
Olhos brilhantes, molhados pelas lágrimas de uma 
forte emoção, fitavam o homem que, estranhamente, 
despertara sua paixão.
A  longa estrada  aproximava, impiedosamente, o 
destino...
Seus lábios,  sedentos e carentes, não suportariam, 
apenas, uma  " boa noite ", como despedida. 
Seria um cruel golpe em seus sentimentos de mulher, 
agora, profundamente  apaixonada.
Até o Universo  já havia percebido os sinais.
Segurou-lhe as mãos, nervosamente frias, e acariciou 
sua linda face, que transpirava de emoção.
Não havia mais nada  a falar.
O silêncio foi quebrado pelas fortes batidas de  dois 
corações,  e por murmúrios que  somente  eles podem 
traduzir....

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Poema: A LIBERDADE DO ARTISTA



Levei tempo para te entender, nobre Artista.
Tua Arte, não é somente "Arte" mas, também, liberdade,
Compensas  os limites que a vida te impõe, criando
o teu mundo paralelo,  onde tudo é belo !
Escreves o que queres, com substantivos e adjetivos  da tua 
livre escolha, que nem mesmo a tua professora se atreve
corrigir.
Penduras no cavalete,  a tua frente, um pedacinho do Céu,
e teu pincel percorre os caminhos que a imaginação dita
ao teu coração !
Não há mão nem contra- mão. 
Somente  a Arte no volante, conduz teus passos adiante.
Surgem traços, cores e formas,  que só por ti, Artista, são vistos.
Admiro teu talento,  liberto meus pensamentos para formar um
só entendimento  do que tu,  Artista,  criaste.
E,  a mim, neste exato momento,  cabe  o sagrado
 direito de te admirar  e aplaudir !

terça-feira, 2 de abril de 2019

conto poético: A FILHA ADOTIVA DE PORTUGAL


Uma mulher  idosa ... muito  idosa.
Seus  101  anos,  assim comprovam.
Nascida em um município, nas  cercanias  desta Capital,
desde a  adolescência  nega seu "torrão natal".
Veste-se como uma mulher portuguesa e faz questão de 
ostentar um carregado sotaque,  daquele Povo.
Fica muito feliz quando alguém lhe questiona se é de 
Portugal.
Responde,  afirmativamente, com um ar de felicidade !
Cobriu-se  de vestes negras, da cabeça aos pés., desde 
mocinha.
Diz ser costume, em sua Terra, assim proceder.
Fala de Nazaré, localizada entre  Lisboa e Coimbra, com
a intimidade de alguém que por lá  nasceu...  e chora de 
saudade, sem jamais haver ido por lá.
É benzedeira e suas orações são pronunciadas no idioma
português, de Portugal.
Há pouco tempo, finalmente, revelou o mistério.
Um jovem pescador português, ao passar pelo  lugarejo 
onde, então,  morava, falou-lhe coisas de Portugal,
histórias, costumes, etc.
Deu-lhe seu gorro de presente e prometeu retornar, algum 
dia...
Nunca mais retornou.
Ela presume que o rapaz morreu numa tempestade no mar.
Jamais casou e guarda aquele gorro com   todo o carinho e
saudade, próprios  de uma mulher viúva de Nazaré.
Sinval Silveira

sexta-feira, 22 de março de 2019

Poema: BANHO DE LÁGRIMAS




Queria, apenas e tão somente, um fio dos  seus cabelos, 
como presente.
Queria,   a ele,  dormir abraçado, , lembrar  o passado
das fantasias  que,  um dia,  foram a minha alegria !
Sentiria,  nesta mostra sem vida, todo o vigor de um 
 amor,  que ainda  geme de dor.
Sentiria  o  cheiro  daquele  rosto  faceiro,  do  olhar
domingueiro,  parecendo diamante  na  lua  a  brilhar  !
E quando o galo, na madrugada, pela terceira vez
cantasse, na sua janela, com uma doce serenata  iria lhe
presentear.
Poemas, calorosos poemas de amor,   iria  declamar. 
E a rosa amarela, o sabiá  laranjeira e o beija flor branquinho, estariam 
 na primeira fila deste teatro da vida,  aplaudindo  este
apaixonado coração !
Sei que, emocionada, ela  iria chorar e, eu,  em  suas lágrimas
me banhar !
 
 
Sinval Silveira

quinta-feira, 7 de março de 2019

Poema: AS FRONTEIRAS DA VIDA


 
Restou-lhe  apreciar as pegadas que deixou na ida
e na volta, deste longo caminho da vida...
Algumas são profundas, traduzindo o peso que
carregou  sobre os ombros  calejados.
Mesmo, assim,  observou  as flores  por onde passou,
aspirando  o perfume que  lhe  ofertaram.
Ouviu  o zumbido das abelhas,  colhendo as essências,
para  sua Rainha agradar.
Admirou  o  gracioso beija-flor,  pairando no ar,  parecendo  
querer  conversar...
Viu  as crianças, deslumbradas com a liberdade, brincando  
livres na relva  molhada.
Sentiu saudades...
Na volta, as pegadas mais profundas ainda estavam lá,
testemunhando a   caminhada,   separando os sonhos
da realidade,  nas  fronteiras da vida !
 
Sinval silveira

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Poema. O RETRATO DE QUEM AMO



Amarelou, desbotou,  mas  vive para mim.
Quase irreconhecível,  ainda conversa comigo.
Fala o que quero ouvir.
Dá-me conselhos e sorri  do que tenho medo.
Olha-me com ternura... relembrando um passado que
nem mesmo eu conheci.
Conta-me histórias, diferentes, para não me aborrecer... 
Imagina !
Aos seus pés,  faço as minhas orações, confissões e
peço  perdão.
Sempre sou perdoado... mesmo havendo pecado.
Ainda sinto suas mãos deslisando sobre minha cabeça.
Reúno forças e peço a sua benção.
"Deus te abençoe, meu querido filho".
As lágrimas  seguem seu leito e  eu adormeço,
abraçado a uma intensa saudade !
 
 
Sinva Silveira






sábado, 9 de fevereiro de 2019

Poema: HAVIA UM DESTINO




Prestei atenção naquele  andar cansado, quase trôpego,
parecendo  parar.
Trazia as marcas de um passado  que lhe cobrou, sem
nada oferecer em troca.
Seus olhos pareciam   não suportar  a luz do sol.
Das  frontes, o  suor  escorria.
Falava,  com a  voz trêmula, histórias que  já  ouvi.
Parecia o sofrimento, querendo do mundo se vingar.
E a vida lhe fugia,  por entre as mãos  frias,  sem força,
até mesmo  para acenar um Adeus,
Somente as lembranças não lhe abandonaram,
 refletindo em seu   semblante, como testemunhas
fiéis dos caminhos  por onde  se arrastaram os  seus 
passos  errantes,  seu olhar   sem brilho, de homem  desiludido.
E as  estradas,  sem fim,  mostraram seu  caminho.
Havia um destino...
Sinval Silveira

domingo, 27 de janeiro de 2019

Conto poético: BELEZA NÃO PÕE MESA



O casamento  foi o grande objetivo das mulheres, nos
tempos passados.
Uma forma de romantismo, muito forte, culturalmente.
A escolha recaía,  principalmente, sobre os homens
bonitos.
Mas,  o que fazer com a rapaziada feia, que era a maioria  ?
 As mães das meninas, observando o  " saldo "  e com medo
das suas filhas ficarem para "titia", ou no "gancho", criaram
uma verdade:
"Minha filha, beleza não põe mesa".
Ressaltaram os valores dos homens feios, enaltecendo
o  talento, força, inteligência, etc.
Conseguiram, assim,  de tal  forma  levantar a autoestima 
dos rapazes  feios, que os tidos como bonitos queriam ser
vistos como feios.  INCRÍVEL  !
Por aqui, até hoje,  observa-se  casais   interessantes,  ou 
seja, sem beleza  sem  fartura na mesa,  mas felizes, creio.
Sinval  Silveira

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Poema: Poema: O UNIVERSO DE BRUNA


Não  demorou muito...
Escravizou o mundo,  com um  olhar !
Conquistou  o Universo, e aprisionou  os astros
no lado direito  do coração.
Seu encantador sorriso e  o andar de mulher
bonita,  transformaram a vida aflita,  no canto sereno
do sabiá !
Com o  jeito meigo da flor do campo, exala perfume
sem pranto,  enciumando a rosa e o jasmim.
No  seio da cultura, esbanja  carinho e ternura,
desenha o abstrato.
Cativa a admiração do  artista, que nem pisca,  para
ver seu talento  florescer !
E  Bruna  mostra,  na força da guerreira, o seu  lindo
charme de mulher  brasileira !

Sinval Silveira

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Conto poético: QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE



Janeiro do ano 1964.
Faculdade de Direito, da Universidade Federal de Santa Catarina,
única  no gênero, em todo o Estado.
Época de vestibular. 
Acirrada disputa...
Postulantes a uma vaga,  esbanjando adrenalina,  esperavam o
anúncio do  título da redação,  para demonstrarem seus  
bons conhecimentos do idioma nacional.
Adentra  à sala de provas um carrancudo  membro da comissão
examinadora  e dita, finalmente, o tema,  objeto da  redação:
" QUEM AMA O FEIO,  BONITO LHE PARECE ".
Murmúrios nervosos e  cochichos engraçados, tomam conta
do ambiente.
Lá fora,  após a prova, numa roda  de comentários,  um
candidato passou mal...  redigiu, equivocadamente,  
sobre:
" QUEM  AMA  O  ALFEU,  BONITO  LHE PARECE".
Foi uma explosão de piadas, naquele  meio universitário !
Embora decorridos mais de  cinquenta  anos, ninguém 
esqueceu  o episódio.
Ah, sim,  o resultado final da prova  do equivocado ?
A banca examinadora resolveu aprova-lo, levando em
consideração a fértil imaginação do candidato, para 
escrever sobre um  título tão difícil, muito mais complicado
do que o ditado por aquele  professor sisudo e portador
de uma dicção horrível.
Aquele aluno, até hoje, é conhecido por  " Alfeu ", embora 
não seja este o seu nome...
 
Sinval Silveira





domingo, 23 de dezembro de 2018

Poema:A VIBRAÇÃO DOS SINOS



Abraços e sorrisos,  invadem minh´alma !
Lembranças alegres e tristes, derrubam as muralhas
que sustentam as minhas defesas,  que me aparentam
uma fortaleza, escondendo  a verdade de uma forte 
fraqueza.
Ouço  os  sinos a  sorrir,  anunciando  o  mistério da 
vida, no  esplendor da felicidade !
A revoada da passarada, parecendo aplaudir a  
chegada, de quem prometeu e cumpriu...
No inocente sorriso da criança, a doce mensagem
da  infância, anunciando o  renascimento do amor.
É hora da reflexão,  de ouvir o coração, de  olhar
para o lado,  sentir  o amargor  do gemido, saciar
a  fome do faminto e  anular  os tremores do frio.
Reavaliar o sofrimento de quem pecou  e, quem sabe, 
estancar as lágrimas de quem julgou ...
Voltar a sorrir quem, hoje, chora  arrependido  com a 
alma  sangrando de dor.
Ouço  a vibração dos sinos e posso perdoar !
Sou feliz !
É Natal !

UM FELIZ NATAL E  PRÓSPERO ANO NOVO, A TODOS 
NÓS  QUE FAZEMOS  PARTE DO UNIVERSO !

Sinval Silveira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Poema: Poema: A PRIMAZIA DA AÇUCENA


Cheirosos   ventos invadem  a vila, renascendo  a
esperança da felicidade voltar.
Aplausos chegam da mata, como respingos da
cascata, querendo o jardim  refrescar.
Agita-se o beija flor, voando ligeiro e gracioso,
brigando com o sabiá preguiçoso, que  se 
nega  gorjear.
O perfume da açucena, que exalou na noite serena,  
inebriou  a gente daquele  lugar.
Até o mar  abrandou  suas ondas bravias,  convidando  
a  sereia  para  o perfume   respirar !
E o pescador, que só sabia pescar, aprendeu ouvir  
poesia e poetizar, para seu amor  conquistar !
Trocou o mar pelos lábios quentes da sua amada, 
não trabalha mais nas frias madrugadas, preferindo 
nos  braços  dela  pernoitar !

Sinval Silveira









domingo, 2 de dezembro de 2018

Poema: A BOCA DA NOITE


Jamais se ouviu o teu falar.
Resmungam e gritam por ti.
És momento de reverência,  dos mistérios és a essência,
transformando em sombras , o barulho em silêncio.
Embalas  na tarde o berço,   abraçando o chegar da noite,
 para aplaudir  as paixões, sem revelar os segredos 
cochichados.
És famosa, "boca da noite",  parideira  da madrugada, 
testemunha  do  alvorecer !
Engoles, , faminta,  os últimos raios do sol, trazendo
a penumbra da noite,  beijando, sem medo, a lua 
atrevida, que  vem  ouvir o canto do sabiá, nas fruteiras
da minha Vila !


Sinval Silveira



sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Poema: POEMA: DEZOITO ANOS APÓS






Já independente, não saía da sua mente, a pequena
Cidade em que  viveu.
A saudade de tudo que  deixou, se  agigantava cada dia 
que passava.
Seus amigos, vielas e a casa em que morou, quem  hoje 
mora nela ?
Campos e riachos, o  Rio do Peixe, em que se banhou, pescou e 
brincou,  será que não secou ?
Foi  abraçar cada amigo, falar de saudade, de amizade,
pedir desculpas por haver  morado  noutro lugar.
Mas o tempo passou e tudo transformou.
Não havia mais "meninos"...
Já não brincavam no rio, nem prestavam atenção nos 
portais e nas ventanas, das lindas casas  plantadas 
nas vielas de Videira. 
O canto da passarada, tão lindo, somente por  ele
foi ouvido.
 O trem mudou de rumo, em obediência aos trilhos,
e  o  pequeno sino tagarela,  emudeceu. 
Foi à Casa do seu Santo Protetor  que, também, 
chorou...
Sentiu-se um doce assassino,  não ouviu mais o
sino, mas a saudade matou !
 
SINVAL SILVEIRA

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Poema: EM CADA LETRA, UMA LÁGRIMA



Pôs-se a olhar a terra em que viveu.
Percorreu, pela derradeira vez,  as vielas em que
brincou.
Fitou, como quem fita um santo, cada portal e 
ventana  das casas  que  conheceu.
As árvores pareciam lhe dizer Adeus e as flores,
mesmo fora da estação, exalaram perfumes.
Os passarinhos  gorjearam as notas que apreciava,
e o rio paralisou as corredeiras, em  sua homenagem.
Tudo em clima de despedida.
Já no trem, ouviu, pela última vez,  o tagarelar de
um pequeno sino,  avisando  que chegara a hora da 
partida... e partiu.
Tudo ficou para trás.
Somente o desejo de retornar, viajou com aquele 
menino.
Com os olhos rasos d´água, balbuciou palavras,
ditadas por um sentimento  de profunda dor.
"Até... não sei quando".
E, em cada letra da despedida, uma lágrima nos 
trilhos rolou.
 
Sinval  silveira