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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Poema: A RESSURREIÇÃO DE JUDAS ISCARIOTES




Trinta Dinários pela morte de Jesus Cristo.
Judas, traidor dos Apóstolos.
Dissipou-se a cortina,  libertou-se Barrabás.
Pilatos lavou as mãos no sangue do  satanás. 
Dois mil anos se passaram...
Um sorriso falso,  uma mentira no coração e uma
 Nação traída, dominada pela ambição.
Maldade, como ervas daninhas, gotejam nas
noites e nos dias.
O descrédito é  geral.
Menos mal ! 
O povo acordou, antes do  juízo final.
Duzentos milhões iludidos, na revolta da 
enganação, assistem, no
 teatro macabro, a diabólica encenação.
Bandidos  travestidos de
 políticos,  corrompem, até, quem o
malhete  tem na mão.
Roubam tudo, sem o peso da consciência,
colocando a culpa na previdência...
Judas Iscariotes  ressuscitou das profundezas
 do inferno, virou santo
 e reencarnou na corrupção  
desta  Nação !
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Poema: Olga

Canta e lindamente  encanta !
Declama lindos versos,  com sabor de
saudade...
A plateia emudece,  prestando atenção  nas palavras que brotam 
do coração, parecendo 
uma prece  !
Seu  delicado corpo em gigante se transforma,   na cumplicidade 
 do  velho violeiro que, de emoção,  faz soluçar a alma !
Sua voz ecoa nos  corredores dos sentimentos alheios, amansando
 o homem  arisco  e comovendo quem de emoção  é desprovido.
Seus olhos brilhantes, plantam paixão e colhem poesia !
Fala da vida  num temporal de histórias, com a  grandeza da
  guerreira que luta pela paz.
Emerge, do  fundo das suas entranhas, uma força tão
 misteriosa  quanto a vida lhe  foi adversa.
Não desistiu.
Das ameaças, sorriu.
Fez amigos,  lindos filhos pariu,  ama e é amada !
Canta alto  para dizer ao mundo que está aqui.
Escreve forte, resistindo aos abrasivos do tempo
 que tenta, em vão, sufocar o seu teimoso coração.
E  na forja da natureza,  ressurge  OLGA !

( Homenagem  à colega Poetisa, Senhora
Olga Postal, do Grupo de Poetas da Trindade )



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Poema: A FORÇA DE UM NOVO OLHAR





Carinhosamente entrelaçadas, numa fusão
de intenso  calor... duas mãos... e tudo mais.
À sombra da vida, um homem  observa.
Nada mais pode fazer, além de  cantar, 
tristemente, a canção do lamento.
Entre as letras do seu canto, cantado a sós,
a tônica do pranto embarga sua voz.
Não consegue sair do primeiro verso, onde o 
pavor é perverso e somente ele sabe cantar.
Nada mais enxerga a sua frente, e do passado nem 
quer se lembrar.
Ainda procura, nas flores dos campos, o perfume
 do amor que partiu, sem dizer Adeus.
Sequer  para trás olhou. 
Tem medo de enxergar quem pelas costas 
o punhal lhe cravou.
Hoje,  prefere sorrir  da  vida, silenciar 
 as tristes canções 
 que cantou, e adoçar o pranto amargo que 
derramou, com o olhar carinhoso
 de um novo amor...


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Conto poético: O GUARDIÃO



No meio da neblina congelante, uma figura elegante, embora parecendo um
 espectro de aparência sinistra.
Dentro do pesado "pala", um homem cumpre a sua missão.
Calado, atento e observador, é o seu perfil
de servidor,  um "Guardião" do patrimônio da Nação.
À  cintura, orgulhosamente,  ostenta seu trabuco
 porteado, até a boca carregado, pronto para berrar, desfrutando
 da fama de bom atirador.
Vigia da noite, senhor da madrugada, honra a confiança em si depositada.
"Fechado o portão, nada entra ou sai sem autorização".
Este foi o seu  lema, juramento  de lealdade,
cumprido ao longo dos  35 anos de exemplar trabalho, prestado ao Governo.
Disse-me:
"Tive  as chaves de todas as dependências.
São bens do povo, adquiridos com dinheiro de impostos".
Já aposentado, conta  muitas histórias vividas. 
Está  decepcionado com  as notícias  que  
circulam  no País. É roubo para todo lado.
Seus superiores,  que tanto zelo  lhe cobraram, de
  muitos crimes  são acusados.
Enalteci  o seu trabalho e externei minha 
admiração  por sua dedicação.
Fiquei  meditando sobre  a conduta daquele
 homem, em relação a alguns governantes.
Aquele, sempre merecerá  o meu respeito.
Quanto aos ouros... não creio que desfrutem 
da paz que percebi nos olhos do Senhor Godoy, no orgulho que
 sentem os seus filhos e esposa, e no conceito  que desfruta 
junto aos seus amigos.
Um  modesto "Guardião" , agora, observando  e
 criticando a ética e a moral  
dos altos governantes da  Nação !

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Poema: O DESEMBARQUE


Sorrisos e lágrimas dominam  meu mundo.
Sentimentos que se negam  morrer.
Nadam na dor, respirando saudade de uma
felicidade  que pertence ao passado.
A  parada do desembarque é cruel...
Dúvidas se agarram  nas escorregadias encostas 
da vida, abrindo feridas que não  conseguem cicatrizar.
Preciso ir embora, sem demora...  fugir. 
Mas, para onde, se nem  mesmo  sei de onde 
vim ?
Daquele olhar traiçoeiro, tento minha  dignidade 
salvar.
Por paixão, coloquei em risco minha reputação, sendo
 desprezado e, por maldade, humilhado.
Finalmente, as  amarras  desatei.
Consegui estancar o pranto e  acalmar o
desencanto, enxergando o caminho a seguir.
O desembarque ficou na curva da longa estrada, cada vez
 mais distante e sem  despedida !
Na bagagem, apenas  lembranças, doces  e 
amargas lembranças ...
 
Sinval Santos da Silveira




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Conto poético: Confidencias Restritas




"Não me importo com os nomes, endereços 
ou o que fazem, embora insistam em  tudo  
me  contar.
Minha conversa é restrita, pois tento ser
artista  na arte de representar.
Mas não vivo de aplausos e sorrisos...
Conto os minutos  para o espetáculo 
terminar. 
Tenho contas a prestar.
Há dias  em que  enfrento  filas. 
outros, nem tanto.
Meu céu não tem cor, deuses ou santos.
Os castigos e milagres, sou eu mesma 
quem dou.
Não há sonhos. Foram desfeitos...
Os sorrisos, também, são encomendados.
Sou uma vendedora  de fantasias, com a 
decoração que o cliente  desejar.
Achas que tenho duas caras ?
Não !
Tenho  muitas, uma para cada  lugar.
Faço o amor acontecer, sem  amar, do 
anoitecer ao amanhecer.
Não conheces o meu  mundo, moço ! 
O teu, sei como é. "
Dito isto, atendeu a um novo chamado e, 
num caminhar  elegante e apressado,  
sumiu na multidão.
Esqueci de perguntar o seu nome, mas já
a vi em alguma  esquina da vida...
São todas  parecidas, mas  diferentes criaturas,  vendendo
 amor com ternura, fazendo  a vida  acontecer
 e da amargura esquecer !
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Conto poético: SALVE-SE QUEM PUDER


Bandido aprendeu: matar e roubar,  não 
 são crimes nem pecados.
Tudo isto foi, pelo homem,  inventado.
Pode estar equivocado, ou é coisa do passado.
Agora, a moda é outra...
Quem condenou, está sendo condenado.
Roubou demasiado.
Uma vergonha sem precedente, pois  
ex presidente de ladrão está rotulado.
É roubo para todo lado.
Até  "Ali Babá"   foi humilhado.
Seus  40 ladrões  traíram o chefe e entregaram 
a senha:  " abre-te Sésamo " .   
A caverna se abriu, a polícia invadiu e 
 o mistério foi desvendado.
A culpa é de uma mulher que já morreu...
Ufa ! 
Que alívio, pois o povo imaginava que o  grande
culpado fosse um homem
 malvado, um " cara de pau",  safado
 e outros predicados.
Que  injúria, coitado !
Salve-se, quem puder !
 
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conto Poético: OS PORÕES DO INFERNO


Quartos escuros, abafados.
Portas e janelas trancadas.
Desconforto. Sair, só morto.
Gente, muita gente. 
Higiene, nem pensar. 
Odor,  insuportável...
Vidas humanas em risco.
Gritos na madrugada, pesadelos sem fim.
Consciências culpadas, arrependimento
tardio.
Olhos  atentos que vigiam dia e noite.
Ameaças sem limites.
É o império do medo.
Gargalhadas  mascaram  a  tristeza.
Sonhar não é permitido,  nem dormir para descansar.
Os porões do inferno residem  naquele 
lugar.
O olheiro, um carcereiro, que não é Deus 
mas é dono da  vida e da  morte, que terá 
muita sorte se vivo sair de lá.
Nenhum amigo fará.
Viverá o restante dos seus dias, contando 
histórias  sem alegria,  esquecido do amor
que reside no lado de  fora...
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 4 de maio de 2017

POEMA: O CHORO DE CHICO





Rotulada de bandoleira, permanece
 na trincheira, sem 
cumprir sua missão.
Uma judiação !
É de cortar o coração.
Ruas com entulhos... 
A polícia não  é  bem vinda.
O silêncio é tumular e o medo espectador.
O perigo está lá fora.
As paredes tem ouvidos  e não podem falar.
Gente assustada, sombreada pelo  horror,
condenada sem julgamento  e  executada
 por preconceito.
Olhos descrentes, lágrimas não há.
Quero  ajudar, mas sinto medo de voltar.
E  a  "Rosa dos Ventos" continua lá, confinada e calada.
Virou símbolo de tempestade,  testemunha da maldade !
Desconfiança jorra em abundância, sufocando
uma infância que de culpa não tem nada.
Crianças, somente crianças, lembram a vida.
Num momento de trégua, conto  histórias e
colho sorrisos.
No Monte,  Cristo reza e Chico Mendes, chora...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Conto poético: O ENCANTADOR DE SEREIAS




Em noites de lua cheia, venho a estas  rochas
para a natureza apreciar.
Aqui de cima  olho o mar,  o seu bailar,  suas 
canções  letradas em histórias de amor e saudade !
Compreendo a ansiedade das ondas e sei onde querem chegar.
Canto , choro  e declamo !
Sem inibição, liberto  as emoções  aprisionadas 
em meu coração.
Ouço aplausos  bem próximos a mim...
Soluços, vindos de todos os lados,  embargam a 
minha  voz.
Cheirosas, lindas e amorosas, prestam atenção no
que  falo.
Deitam-se nas pedras,  brincam de roda na areia
da praia e chamam por mim.
São sereias  !
Seduzem o pescador, mas ficam encantadas 
com meus versos de amor !
Só não podem  abandonar o mar. 
É o seu lar !
Meu mundo é diferente, e não me permite 
ir  embora com aquela gente, tão pura e 
inocente.
Fico angustiado,  pois sou um homem 
apaixonado por aquela  beleza,  esculpida no 
reino  da  minha imaginação !

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Poema: TRINCHEIRA DA SAUDADE



O que fazer com esta alma  dolorida,
que reflete a ferida  exposta  em  mim ?
São chagas  invisíveis, sentimentos 
rompidos por um amor  mal resolvido,
e que chegou ao fim.
Apagou  o  brilho das estrelas, foram embora 
o perfume da açucena e o encantamento 
dos passarinhos.
Procuro  a compreensão para acalmar o
meu coração.
Entendo  a maldade,  afasto a saudade
que tenta, de mim,  se apoderar.
Sinto-me fraco e chamo por Deus.
Não me ouve...
Estou  só neste mundo e fujo para  bem
longe.
Mas, para onde quer que eu vá, o vento parece  me 
torturar,  balançando as folhas  da palmeira, lembrando
 os negros cabelos dela.
Meu sofrimento se agiganta e antes que chegue a
 qualquer  lugar, já quero voltar.
Tento, então,  salvar a dignidade,  trincheira onde  
se refugia a saudade.
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Conto poético: O CASAMENTO DO ANJO DA GUARDA



Puro amor.
Mais sincero  do que  promessa de santo... 
Santificado !
Mulher linda, com todos os predicados, falou-me 
da sua  doce vida de casada !
Passou-me fatos do passado,  vividos  com seu
amado.
Um Anjo, seu namorado "Elpídeo",  que sonhava 
em ser pai.
Confessou-lhe:

"A doença, sem cura,  me condenou.
Siga teu caminho, meu  amor. 
Teu grande sonho terminou.
Nada me deves, nem és culpado..."

A  fatalidade  levou sua esperança de ter um filho, 
uma criança...
Embora liberado, não abriu mão do seu amor. 
Casou...
Sua  Mulher  não mais andou, sem  auxílio do
"andador".
Elpídeo,  seu  Anjo da Guarda, com  braços fortes, carrega
 o peso de um corpo  abençoado  e,  no  coração
 de amante, um gigantesco amor !
Sua  "Rainha",  embora decorridos  mais de vinte 
anos, não deixou de sorrir,  nem  fugir o brilho 
intenso  da felicidade !
Uma grande lição para a humanidade !
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Poema: MARCOS DA VIDA



Passei por estes  caminhos muitas vezes.
Jamais me perdi.
Conheço cada curva, como aquela que 
está logo ali.
Os campos verdes, que  avisto daqui, 
enchem o meu  coração de  alegria, 
lembrando as boas épocas  que vivi.
Parecem  tapetes verdes, estendidos para
mim !
Pouca coisa mudou por aqui.
Queria tanto saber o que havia atrás 
daqueles  montes,  lá  na linha do horizonte.
Hoje, sei.  
Nada,  além da  imaginação.
Não  há gente por lá, tampouco fantasmas,
como  diziam. 
Em noites de calmaria,  o urrar dos animais
se ouvia.
Talvez,  fruto da fantasia.
Voltei  para resgatar as  verdades que deixei.
O canto do sabiá, a gargalhada gostosa 
da aracuã,  o perfume inebriante da açucena e o
mistério  da imortalidade da acácia  negra.
Das encruzilhadas me valho das lições.
Com elas aprendi  a tomar decisões.
Os precipícios me mostram os
 perigos, parecendo meus amigos.
São marcos da vida, extremas da liberdade, 
que  me alertam para  as surpresas da cidade.
Agora, posso  caminhar do ocidente ao oriente, 
conviver com a noite e com  o dia, porque
 a acácia  me foi dada a  conhecer...

Sinval Santos da Silveira






quinta-feira, 30 de março de 2017

Conto poético: LIDERANÇA ROMÂNTICA



Cinco pombos em meu telhado...
De outras plagas chegaram, famintos e 
cansados. 
Eram lindos !
Revoavam por sobre as casas vizinhas, 
mas  foi da minha que se encantaram.
Desciam ao terreiro para  se alimentar,
brincar de roda e cantar.
Pareciam crianças a bailar !
Eram, para mim, uma  Divina terapia, a 
inocência que desceu do Céu.
Foram bem vindos em minha casa. 
Catavam migalhas na cozinha e  voavam 
felizes, como se fosse o seu pombal.
Tudo terminou, tão rapidamente quanto 
começou.
Chegaram os boatos de doenças, 
parasitos, vírus  e tudo mais.
Hora da partida, infernal degredo distante 
daqui.
As armadilhas,  impiedosas,   funcionaram...
Três deles foram  transferidos para muito 
longe deste lugar. 
Dois, se negaram a partir...
Muitos dias  após, o líder  retornou e, desconfiado, não
 mais se  aproximou de 
mim.
Veio buscar os dois pombinhos.
Fiquei envergonhado, triste e encabulado.
Agora, estão alegrando outros  telhados...