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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Poema: AO FLORESCER DAS HORTÊNSIAS


Parece o céu  descer à terra, pintando de azul
as  encostas  da serra.
Minh´alma sorri de tanta felicidade !
Meus olhos lacrimejam de emoção !
Talvez,  o azul do firmamento  sejam as pétalas que
voaram com o vento.
Sejam   hortênsias  perfumadas, pelas abelhas 
levadas à presença do Criador,  falando  de amor.
Inspiram o poeta, fazem  zumbir  o zangão e  voar o
beija-flor !
São cachos, em formato de coração, querendo o 
infinito alcançar.
Aplaude o viajante,  choram de  emoção os amantes,
faz promessa a menina apaixonada, levando a mais
linda  flor ao seu amor ! !
No ofertório da Capela, cobre  de  azul o altar, para
a Santinha homenagear !
Finalmente, hortênsia azul,  descubro quem és tu  !
És tudo o que imagino.
És lágrimas de felicidade,  recadeira  da  saudade,
aplausos ao meu amor !

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Conto poético: CONFISSÕES DE UMA PROSTITUTA APOSENTADA



Conversei com uma ex prostituta.
Estava sentada na escadaria  da  Catedral da
minha Cidade.  
l6,00h,  assinalava o relógio do campanário,
parecendo me cumprimentar.  
Eu a olhei e ela  pediu para acender a sua piteira.
Como não fumo,  sorriu, agradeceu  e puxou conversa.
"  Trabalhei  aqui, na Praça XV de Novembro, por mais
de trinta anos.
Ninguém pode imaginar o que passei, para criar e
educar a minha filha.
Minha única filha... hoje uma  Dentista bem sucedida,
numa cidade do Estado vizinho.
Abandonei a prostituição.
Prostituta velha ?  Nem pensar !
E, por justificada vergonha, fui abandonada por minha 
filha.
Meu genro e meus dois netos, pensam que sou
falecida.
Já se vão mais de  dez anos que não os vejo.
Nem me conhecem. É melhor assim.
Lá, naquele prédio,  recebia a minha clientela, fiel e
assídua.
Todas as segundas feiras , às 13,00 h., eu ia ao 
banco fazer a remessa do dinheiro à  ela, quando
estudante  e até se firmar na  profissão.
A última mensagem  me dizia que não remetesse mais
dinheiro, pois já estava independente.
Hoje, solitária,  vivo de uma pequena aposentadoria da 
previdência.
As  lembranças do  passado  me contam  lindas  histórias 
mas, por vezes,  tristes..."
Neste momento, uma lágrima viajou por sua face, repleta de 
profundos desenhos, artisticamente esculpidos pelo tempo,
que somente ela é capaz de interpreta-los...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Poema: O LAMENTO DO RIO






Sou ,apenas,  um rio sem água. 
Mas  matei  a sede do ribeirinho, do peixe que
aqui viveu, da plantação que aqui nasceu.
O animal, também,  bebeu.
Foi embora a minha água, nem   uma gota  sobrou.
Ficou a canoa, abandonada,  e o pescador a lamentar
a água que morreu.
O cancioneiro canta dia e noite o leito que secou,
dizendo que o boi bebeu, que o peixe morreu...
Em noite de luar, até a  prata o rio perdeu.
A mulher  bonita,  que seu corpo banhou, foi embora, 
nunca mais voltou.
O rio secou...
A cachoeira de nome  mudou, pois a água, que de lá descia,
nunca mais por aqui passou.
O salgueiro não tem  mais as verdes folhas, nem assobia
ao sabor  do vento, deixando triste a rolinha que seu filho 
de sede morreu.
O rio secou, minh´alma chorou, meu amor sumiu.
Sinval Silveira




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Poema: IMPOSSÍVEL NÃO TE AMAR


Os pássaros trazem recados, lembrando 
o teu lindo olhar, o teu sorriso...
As flores envolvem minh´alma, perfumando
os  caminhos por onde passo. trazendo tua
imagem de mulher !
E as borboletas,  graciosas, com suas asas
coloridas,  aplaudem, me fazendo feliz !
Tudo lembra a tua presença, que  já  não
existe...
Ouço vozes, vindas do céu,  mas não te vejo.
Presto atenção ...
É uma oração, falando de amor e salvação.
Confio nas tuas promessas, mas o tempo vai
passando e aumenta a minha ansiedade.
Somente nós dois sabemos o que foi escrito 
nas águas cristalinas daquele  verão.
As letras  foram morar  nas profundezas do 
mar,  acalentando  uma louca  paixão.
Tu,  já  estás  " lá ". 
Eu, ainda estou aqui, alimentando a esperança
de  te reencontrar.
Mostra-me o "caminho  das pedras"...
Impossível não te amar !











quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Conto poético: UM CONTO MISTERIOSO



Cheguei  aquele recinto para reabastecer
minh´ama, e  reafirmar meus princípios.
Faço isto  uma vez por semana.
As pessoas,  que lá  estão,  me conhecem  
há  seculos...
Bato à porta e  sabem quem  sou, mesmo 
antes de me verem, pois tenho nome genérico.
Conhecem minha batida...
Adentro ao ambiente, solenemente.
Sou  recebido com respeito e alegria no coração !
Alguns não conseguem entrar.
Não aprenderam bater à porta ou  não  foram
convidados.
Disciplina, por lá, é fundamental, bem como
apresentação pessoal.
Só falo quando  autorizado.
O ambiente é grande, do tamanho do Universo,
mas todos me escutam.
Preciso de muito tempo para  assimilar  os 
ensinamentos.
Coisas da vida, da morte  e do amor.
Tudo muito importante...
O trabalho de hoje, como sempre, começou  
com o sol em zênite.
Estou cansado, pois já é meia note.
Hora de encerrar...

Sinval Santos da Silveira






quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Poema: LABIRINTO



Não sei como vim parar aqui.
Creio que segui um sorriso, um aceno ou um 
sonho de amor.
São suaves, estes caminhos.
Amo  e  sou amado.
Por onde passo, falo e  me ouvem  mas, 
também, sou ignorado.
Sonhos,  abraços, mãos estendidas  e  outras 
recolhidas, me fazem chorar e sorrir !
Olhares opacos,  Vaias,  mas os  aplausos
me assustam.
Os labirintos  são confusos e difusos.
Abalam minhas emoções.
Fico perdido e procuro  uma saída.
Não me permitem sair.
Resta-me  o calor da lembrança,  o consolo
da esperança e o brilho de um doce olhar, que 
me trouxe  a este lugar.
Sigo  uma  voz   que me  acalma  no  exílio. 
Finalmente, decifro...
O  labirinto  reside em minh´alma !

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Conto poético: O PESCADOR




Uma nobre e antiga profissão !
Vários  apóstolos de Jesus foram pescadores.
Saúde, coragem e camaradagem, misturam-se  à 
alegria de  entrar no mar para pescar !
Homens que conversam com as ondas,  refrescam-se 
ao sabor do vento,  banhando-se  na água pura, vinda
do céu.
Enquanto a lua  prateia a vasta estrada,  as estrelas 
aplaudem  o sucesso da pescaria.
As gaivotas, atrevidas,  patrocinam a festa com a sua
cantoria e, em rasantes sobrevoos, gargalham  em 
histeria.
E sem pedir licença, pousam no convés, trazendo
sorte à pescaria !
Em terra, a sua amada reza preocupada...
Em alto mar, seu amor  chora de saudade por  voltar.
Amanhece, anoitece e o barco singra o grosso mar,
parecendo uma lotação de piratas, na obediência  do  
corso.
Na proa, a vela acesa  ao  Santo protetor,  espanta o 
medo que se nega desembarcar.
São Pedro, padroeiro  do pescador,  expressa  gratidão.  
Aceita  a oferenda da vela,  concede  proteção ao  barco
pesqueiro e  a sua tripulação !

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conto poético: A FIEL ESCUDEIRA



Ouvi, sensibilizado, uma linda história de observação.
" Todas as noites  ela circulava pelo interior da  minha  
residência.
Notava sua falta, quando se demorava ...
Atenta a todos os movimentos, sentia-se parte
daquele pequeno mundo, e me olhava com  ternura  !
E era, assim que eu, também a via.
Lindamente  imóvel, tinha postura de guerreira, ou 
implacável caçadora.
Enquadrava a sua  vítima, calculava  a distância e, com 
a  velocidade do raio, partia para  o  infalível ataque: 
NHAC...  alvo engolido !
Era bonito de se ver.
Aquele espetáculo da natureza transcendia um ato
de sobrevivência.
Envolvia observação, paciência e muita destreza,
para caçar os insetos nas paredes, teto e  piso.
Foi  uma agradável  convivência,  durante os meus 
momentos de relaxamento.
Mas, desapareceu, sem deixar vestígio.
Senti sua falta e  esperei, durante muitas noites,
aquela lagartixa, minha fiel  escudeira, 
Fui encontra-la, vítima  de uma tragédia.
Estava esmagada no vão das dobradiças da porta,
Não emitiu, sequer, um gemido de dor, possivelmente
para não me entristecer.
Mas eu sinto, até hoje,  a sua angústia..."
E eu  percebi  a tua  emoção, meu grande amigo, 
Francisco Carlos Lajus !           





quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Conto poético: OS VELHOS DA MINHA TERRA



                  

Nesta minha Ilha, raro era se encontrar 
um homem velho.
A  vida terminava cedo, não permitindo o 
envelhecimento.
A tuberculose  e outras  doenças, hoje 
curáveis, foram as responsáveis por  esta
precocidade.
Poucos,  viviam  muito. 
O velho era visto como um "ET", um ser
diferente e difícil de se encontrar. 
50 anos de vida, já estava devendo... ou
procurando vaga em asilo.
Mas, pior do que isto, somente o estigma.
As crianças desobedientes  eram 
advertidas,  ameaçadas com a figura do 
 "velho", temido  mais  que  assombração,
alma do outro mundo.
" À noite, embaixo  da figueira, aparece um 
velho barbudo que vai te pegar".
Que maldade !
Hoje, o velho mudou de  título para idoso.
Foi presenteado com um estatuto, que lhe 
garante  diversos  direitos.
Deixou de ser fantasma e pode viver  por muitos
anos, sem assustar as crianças 
Perdeu o título de  " bicho papão ",  conquistando
o respeito. 
Um  verdadeiro sonho poético !
Deixem-no sonhar...
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sombras de um passado!


As lembranças de um passado,
sem piedade, invadem minhas entranhas.
Teu sorriso, ainda habita meu coração,
trazendo, à tona, as mais belas recordações
de momentos tão felizes, contigo vividos.
Nossos sentimentos, voaram em direção
aos ventos, subiram às alturas, visitando
o belo azul do céu.
Passeamos nas estrelas, conhecemos
os astros...
Amamos os campos, as flores e as
cachoeiras.
Sorrimos com as alegrias, e choramos
as tristezas.
Plantamos flores e colhemos perfumes,
no colorido jardim  da vida.
Vivemos a felicidade dos amantes,  
destilando e bebendo a cheirosa seiva do
mais puro amor...
Hoje, nos alimentamos da saudade, que
se nega ao tempo morrer, dando vida à
esperança, de um dia voltar a te ver !

Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Poema: SONHO DE NAVEGADOR




Comandante   deste barco, resolvi   parar  de  remar.
Recolhi  os remos, o leme,  e   das velas  libertei o vento, 
aprisionado há  muito tempo, para ver aonde o  mar 
quer me levar. 
Observo  o céu azul  mudando de cor, a  todo momento.
Ao longe, avisto  uma família de gaivotas.
Grunhem alto, para me  assustar, como a 
me mandar para bem longe deste lugar.
Por teimosia, me embriago com o  sutil  aroma 
da maresia.
A brisa fresca  me faz  repensar a  vida.
Falo com os meus pensamentos, respondo perguntas, 
canto versos do passado e o barco vai me levando,
para onde,  não sei.
A  terra firme, já nem avisto mais.
Como é linda esta viagem, quando não se domina o 
destino !
As águas e o barco  são velhos amigos.
Ilhas  e  rochedos gigantescos  estão na rota 
escolhida pelo mar e pelo vento.
Na selvagem  paisagem marinha, vejo  lindas
sereias, cantando e acenando para  aportar...
É comum, em alto mar.
Repentinamente, parou o vento, não há mais corrente,
não é noite, nem é dia...
 Acordei  com meu barco atracado neste trapiche.
 Apenas,  um sonho de  navegador.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Poema: ESPELHO DA PIEDADE


Eu a vi passar.
Caminhava cabisbaixo,  triste e diferente.
Preocupada,  nem me notou.
Não lhe negaria resposta a um olhar.
Seu andar estava trôpego e a felicidade, ausente...
Do que o tempo e a vida  são capazes
de fazer,  destruindo a ternura, amargando 
a  doçura, de quem tão soberba  parecia ser .
Na multidão, também eu, estava só.
Ninguém  mais a percebeu passar.
Seu encanto terminou,  deixando  um
pranto  a derramar.
A fonte da felicidade,  que saciava a sede
dos seus  amores, hoje é um riacho de 
saudade,  nas corredeiras  do tempo que,
sem  piedade,  passou...
Talvez, os passos trôpegos sejam os meus,
nos  caminhos  longos da  imaginação.
Quem sabe, apenas, o espelho  imaginário 
da piedade.  
Quem sabe...
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Poema: A Caverna

 
 
Estou só, nesta caverna, com os meus
pensamentos. 
Abriga-me das hostilidades do mundo.
Mesmo de olhos fechados, enxergo tudo 
o que há por aqui.
E somente há o que quero enxergar.
Não há portas, ou janelas,  e nela  dou
entrada a quem  não me molestar.
Pássaros marinhos e o barulho do mar,
podem entrar  sem  me avisar.
São moradores  permanentes !
Há noites em que o ronco do costão não
me deixa dormir.
Mas, aqui, sempre é noite. Não me importo.
Converso com pessoas amáveis e releio, 
nas paredes de pedras, todos os poemas
que  já escrevi.
Até os personagens moram aqui...
Cada qual, me traz profundas recordações
da vida, fora deste lugar.
Somente  os  marsupiais me tiram  a concentração.
São dóceis e gentis !
A revoada dos morcegos, também, é um
espetáculo à parte.
Lembram-me pertencer ao mesmo reino.
Vejo marcas estranhas, deixadas por seres
 inteligentes, artistas, querendo
avisar-me de coisas que não entendo.
Apenas, imagino o que desejo...
Quem sabe, nos próximos milênios, alguém
leia  meus versos nestas paredes,  pelo
menos um  que fale de amor e saudade
desta caverna...



Sinval Santos da Sikveira

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Poema: Não mereço seu Perdão!





Meu céu estava repleto de belas estrelas.
Nada faltava no firmamento. A lua linda, prateada
como nunca, sorria e se debruçava sobre as
montanhas da minha vida, como a me cumprimentar.
Nas lagoas da minha terra, vinha se espelhar, parecendo
por mim procurar.
Ao amanhecer, o sol me aquecia, querendo me cuidar.
Os passarinhos cantavam, sem cessar, as melodias
lindas do meu lugar.
As flores das minhas preferências, como as orquídeas e
as Hortências, exalavam perfumes, lembrando as
querências.
Aquela mulher me amava tanto, que só Deus para
avaliar...
Mesmo assim, outra constelação fui visitar, não por amor,
ou curiosidade, mas por crueldade... talvez leviandade.
Seu perdão já recebi, pois não é uma mulher qualquer,
mas, sim, um ser especial, certamente, celestial...

 Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poema: O SALVADOR DE CARANGUEJOS

    


Estou lambuzado.
Meu corpo está coberto de lama e molhado.
Este mangue é sagrado mas, eu,  um pobre
diabo,  preciso deste lugar.  
Ele tenta se esconder.
Esta criatura, me olhando com ternura,  quer
me comover.
Seus braços  fortes, não são tão fortes quanto  
a minha fome.
Sou um bicho maior e comer o menor, é direito meu !
Seus olhos estranhos,  sua vida no 
submundo, imundo, desperta  em mim 
 um sentimento de piedade...
Na panela, a água fervente trocará
  a sua  cor,  sem direito a gritar de dor.   
Os dentes do cliente, afiados como
 faca, cravarão em sua  carne, dando
 Adeus  aquele buraco !
Poucos sabem o que representa, para a 
 vida, este amigo meu.
É  melhor  nem saber.
A ignorância  diminui o sofrimento...
Ainda há tempo !
Estão vivos, os condenados caranguejos.
Todos voltaram aos seus buracos.
Não mudarão de cor.
Foram salvos por amor !

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Poema: UM POEMA AO POETA

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Poema: PARADIGMAS QUEBRADOS


Ouvi, como verdade, que a honestidade 
faz parte da felicidade.
Que as  ações criminosas  devem ser punidas.
Que  o certo e o errado, por abismos,  são separados.
O mau exemplo, que vinha de baixo,  de
 castigo era  punido e  por todos era apontado.
O paradigma foi quebrado...
Não se encontra  mais  pequenos  bandidos,
pois todos foram promovidos pela facilidade 
da corrupção.
As grades da prisão foram serradas, pelas leis
 desajustadas, para não mais prender ladrão, 
que  virou autoridade.
Nobreza,  era  a riqueza  nascer do trabalho, não da  
criminosa esperteza.
Que se cuidem os honestos... estão na mira da punição.
O uniforme listrado e numerado, pelo terno e 
colarinho foi trocado...
Falta  prisão, sobra ladrão, nos paradigmas quebrados 
 pelas autoridades da minha  Nação.
Sinto até vergonha de haver nascido nestas 
cercanias, onde o povo foi enganado, perdeu
 a felicidade e, também,  a dignidade.  
 
Sinval Santos Silveira

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POEMA: Homenagem aos Pais





Amanhece  a vida.
Chega  a minha consciência.
Torceste para ser longo, o meu dia de existência.
Tudo era novidade.
Não sabia, claramente, se estava diante de um homem,
ou na presença de Deus.
As horas vão passando, e aprendo a reconhecer.
Fico surpreso !
Não és, apenas, um homem.

Também,  não és Deus.
És o meu pai. O meu sagrado pai !
Aquele que mostrou os meus caminhos, desviou-me
dos espinhos, procurou fazer-me feliz.
Ensinou-me tudo, acerca da vida, e a todos amar.

Hoje sei  distinguir o bem do mal, o certo do errado...
e continuo sendo amado, ainda que não estejas mais
aqui.
Tuas profundas pegadas, teu sorriso e o teu afago,
fazem parte do meu ser.

Todo o teu amor, transferiste para mim.
As lembranças que carrego, desde os tempos de
criança, são frutos do teu viver._ 

O suor da tua face, mistura-se  às lágrimas  que dos meus
olhos rolam, com a cor da felicidade, e o sabor da saudade.
Desculpa-me por minha existência  haver exigido tanto de ti...
Agora, aceita meu beijo, no rosto ou  na alma, neste teu dia,

tão merecidamente festivo.
Bendito seja Deus, que me permitiu ser o teu filho, querido pai !
 Sinval Silveira