pulsando

Seguidores

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Conto poético: Confidencias Restritas




"Não me importo com os nomes, endereços 
ou o que fazem, embora insistam em  tudo  
me  contar.
Minha conversa é restrita, pois tento ser
artista  na arte de representar.
Mas não vivo de aplausos e sorrisos...
Conto os minutos  para o espetáculo 
terminar. 
Tenho contas a prestar.
Há dias  em que  enfrento  filas. 
outros, nem tanto.
Meu céu não tem cor, deuses ou santos.
Os castigos e milagres, sou eu mesma 
quem dou.
Não há sonhos. Foram desfeitos...
Os sorrisos, também, são encomendados.
Sou uma vendedora  de fantasias, com a 
decoração que o cliente  desejar.
Achas que tenho duas caras ?
Não !
Tenho  muitas, uma para cada  lugar.
Faço o amor acontecer, sem  amar, do 
anoitecer ao amanhecer.
Não conheces o meu  mundo, moço ! 
O teu, sei como é. "
Dito isto, atendeu a um novo chamado e, 
num caminhar  elegante e apressado,  
sumiu na multidão.
Esqueci de perguntar o seu nome, mas já
a vi em alguma  esquina da vida...
São todas  parecidas, mas  diferentes criaturas,  vendendo
 amor com ternura, fazendo  a vida  acontecer
 e da amargura esquecer !
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Conto poético: SALVE-SE QUEM PUDER


Bandido aprendeu: matar e roubar,  não 
 são crimes nem pecados.
Tudo isto foi, pelo homem,  inventado.
Pode estar equivocado, ou é coisa do passado.
Agora, a moda é outra...
Quem condenou, está sendo condenado.
Roubou demasiado.
Uma vergonha sem precedente, pois  
ex presidente de ladrão está rotulado.
É roubo para todo lado.
Até  "Ali Babá"   foi humilhado.
Seus  40 ladrões  traíram o chefe e entregaram 
a senha:  " abre-te Sésamo " .   
A caverna se abriu, a polícia invadiu e 
 o mistério foi desvendado.
A culpa é de uma mulher que já morreu...
Ufa ! 
Que alívio, pois o povo imaginava que o  grande
culpado fosse um homem
 malvado, um " cara de pau",  safado
 e outros predicados.
Que  injúria, coitado !
Salve-se, quem puder !
 
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conto Poético: OS PORÕES DO INFERNO


Quartos escuros, abafados.
Portas e janelas trancadas.
Desconforto. Sair, só morto.
Gente, muita gente. 
Higiene, nem pensar. 
Odor,  insuportável...
Vidas humanas em risco.
Gritos na madrugada, pesadelos sem fim.
Consciências culpadas, arrependimento
tardio.
Olhos  atentos que vigiam dia e noite.
Ameaças sem limites.
É o império do medo.
Gargalhadas  mascaram  a  tristeza.
Sonhar não é permitido,  nem dormir para descansar.
Os porões do inferno residem  naquele 
lugar.
O olheiro, um carcereiro, que não é Deus 
mas é dono da  vida e da  morte, que terá 
muita sorte se vivo sair de lá.
Nenhum amigo fará.
Viverá o restante dos seus dias, contando 
histórias  sem alegria,  esquecido do amor
que reside no lado de  fora...
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 4 de maio de 2017

POEMA: O CHORO DE CHICO





Rotulada de bandoleira, permanece
 na trincheira, sem 
cumprir sua missão.
Uma judiação !
É de cortar o coração.
Ruas com entulhos... 
A polícia não  é  bem vinda.
O silêncio é tumular e o medo espectador.
O perigo está lá fora.
As paredes tem ouvidos  e não podem falar.
Gente assustada, sombreada pelo  horror,
condenada sem julgamento  e  executada
 por preconceito.
Olhos descrentes, lágrimas não há.
Quero  ajudar, mas sinto medo de voltar.
E  a  "Rosa dos Ventos" continua lá, confinada e calada.
Virou símbolo de tempestade,  testemunha da maldade !
Desconfiança jorra em abundância, sufocando
uma infância que de culpa não tem nada.
Crianças, somente crianças, lembram a vida.
Num momento de trégua, conto  histórias e
colho sorrisos.
No Monte,  Cristo reza e Chico Mendes, chora...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Conto poético: O ENCANTADOR DE SEREIAS




Em noites de lua cheia, venho a estas  rochas
para a natureza apreciar.
Aqui de cima  olho o mar,  o seu bailar,  suas 
canções  letradas em histórias de amor e saudade !
Compreendo a ansiedade das ondas e sei onde querem chegar.
Canto , choro  e declamo !
Sem inibição, liberto  as emoções  aprisionadas 
em meu coração.
Ouço aplausos  bem próximos a mim...
Soluços, vindos de todos os lados,  embargam a 
minha  voz.
Cheirosas, lindas e amorosas, prestam atenção no
que  falo.
Deitam-se nas pedras,  brincam de roda na areia
da praia e chamam por mim.
São sereias  !
Seduzem o pescador, mas ficam encantadas 
com meus versos de amor !
Só não podem  abandonar o mar. 
É o seu lar !
Meu mundo é diferente, e não me permite 
ir  embora com aquela gente, tão pura e 
inocente.
Fico angustiado,  pois sou um homem 
apaixonado por aquela  beleza,  esculpida no 
reino  da  minha imaginação !

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Poema: TRINCHEIRA DA SAUDADE



O que fazer com esta alma  dolorida,
que reflete a ferida  exposta  em  mim ?
São chagas  invisíveis, sentimentos 
rompidos por um amor  mal resolvido,
e que chegou ao fim.
Apagou  o  brilho das estrelas, foram embora 
o perfume da açucena e o encantamento 
dos passarinhos.
Procuro  a compreensão para acalmar o
meu coração.
Entendo  a maldade,  afasto a saudade
que tenta, de mim,  se apoderar.
Sinto-me fraco e chamo por Deus.
Não me ouve...
Estou  só neste mundo e fujo para  bem
longe.
Mas, para onde quer que eu vá, o vento parece  me 
torturar,  balançando as folhas  da palmeira, lembrando
 os negros cabelos dela.
Meu sofrimento se agiganta e antes que chegue a
 qualquer  lugar, já quero voltar.
Tento, então,  salvar a dignidade,  trincheira onde  
se refugia a saudade.
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Conto poético: O CASAMENTO DO ANJO DA GUARDA



Puro amor.
Mais sincero  do que  promessa de santo... 
Santificado !
Mulher linda, com todos os predicados, falou-me 
da sua  doce vida de casada !
Passou-me fatos do passado,  vividos  com seu
amado.
Um Anjo, seu namorado "Elpídeo",  que sonhava 
em ser pai.
Confessou-lhe:

"A doença, sem cura,  me condenou.
Siga teu caminho, meu  amor. 
Teu grande sonho terminou.
Nada me deves, nem és culpado..."

A  fatalidade  levou sua esperança de ter um filho, 
uma criança...
Embora liberado, não abriu mão do seu amor. 
Casou...
Sua  Mulher  não mais andou, sem  auxílio do
"andador".
Elpídeo,  seu  Anjo da Guarda, com  braços fortes, carrega
 o peso de um corpo  abençoado  e,  no  coração
 de amante, um gigantesco amor !
Sua  "Rainha",  embora decorridos  mais de vinte 
anos, não deixou de sorrir,  nem  fugir o brilho 
intenso  da felicidade !
Uma grande lição para a humanidade !
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Poema: MARCOS DA VIDA



Passei por estes  caminhos muitas vezes.
Jamais me perdi.
Conheço cada curva, como aquela que 
está logo ali.
Os campos verdes, que  avisto daqui, 
enchem o meu  coração de  alegria, 
lembrando as boas épocas  que vivi.
Parecem  tapetes verdes, estendidos para
mim !
Pouca coisa mudou por aqui.
Queria tanto saber o que havia atrás 
daqueles  montes,  lá  na linha do horizonte.
Hoje, sei.  
Nada,  além da  imaginação.
Não  há gente por lá, tampouco fantasmas,
como  diziam. 
Em noites de calmaria,  o urrar dos animais
se ouvia.
Talvez,  fruto da fantasia.
Voltei  para resgatar as  verdades que deixei.
O canto do sabiá, a gargalhada gostosa 
da aracuã,  o perfume inebriante da açucena e o
mistério  da imortalidade da acácia  negra.
Das encruzilhadas me valho das lições.
Com elas aprendi  a tomar decisões.
Os precipícios me mostram os
 perigos, parecendo meus amigos.
São marcos da vida, extremas da liberdade, 
que  me alertam para  as surpresas da cidade.
Agora, posso  caminhar do ocidente ao oriente, 
conviver com a noite e com  o dia, porque
 a acácia  me foi dada a  conhecer...

Sinval Santos da Silveira






quinta-feira, 30 de março de 2017

Conto poético: LIDERANÇA ROMÂNTICA



Cinco pombos em meu telhado...
De outras plagas chegaram, famintos e 
cansados. 
Eram lindos !
Revoavam por sobre as casas vizinhas, 
mas  foi da minha que se encantaram.
Desciam ao terreiro para  se alimentar,
brincar de roda e cantar.
Pareciam crianças a bailar !
Eram, para mim, uma  Divina terapia, a 
inocência que desceu do Céu.
Foram bem vindos em minha casa. 
Catavam migalhas na cozinha e  voavam 
felizes, como se fosse o seu pombal.
Tudo terminou, tão rapidamente quanto 
começou.
Chegaram os boatos de doenças, 
parasitos, vírus  e tudo mais.
Hora da partida, infernal degredo distante 
daqui.
As armadilhas,  impiedosas,   funcionaram...
Três deles foram  transferidos para muito 
longe deste lugar. 
Dois, se negaram a partir...
Muitos dias  após, o líder  retornou e, desconfiado, não
 mais se  aproximou de 
mim.
Veio buscar os dois pombinhos.
Fiquei envergonhado, triste e encabulado.
Agora, estão alegrando outros  telhados...

quinta-feira, 23 de março de 2017

Conto poético: O RESGATE DA SEREIA MION



É  a  minha grande paixão, a  mais linda das sereias
 que habitam a minha imaginação !
Comigo  se encontra nos selvagens costões
dos mares da minha Terra.
Fala de amor  e de  segredos de beleza.
Conta, com encanto, histórias  trazidas  das  profundezas do mar.
Sempre me presenteia com pérolas e objetos, 
que encontra por lá...
É exibida e gosta de se mostrar,  ser  aplaudida pelos 
pescadores em alto mar.
Certa madrugada,  numa noite enluarada,  
outras sereias  me contaram que a sua Rainha Mion
, havia sido aprisionada  por um
 pirata malvado, nos porões
 de um navio naufragado.
Meu coração amargurado reagiu desesperado,
me levando aquele lugar.
Enfrentei cardumes de tubarões, enguias 
gigantes e tudo mais.
Expulsei o falso pirata, que nem tinha
 perna de pau, " olho de vidro ou cara de mau".
Minha linda Rainha,  minha doce imaginação,  
nunca mais  habitará outro lugar, fora  do meu   
coração.
 
Sinval Santos da Silveira

sexta-feira, 17 de março de 2017

Poema: QUANDO A MARÉ BAIXAR



Estou partindo em direção ao sol nascente.
Quero estar longe desta gente, que me olha
diferente, como se eu não fosse do mar.
Não  vou atender aos apelos dos meus
sentimentos, que me pedem para ficar.
Quando a maré baixar, meu barco não mais
flutuará nas  águas deste lugar.
Navegará muito distante daqui.
Direi Adeus ao  costão vestido de limo verde,
palco das lindas sereias  que habitam a   
minha imaginação ! 
Quando a maré subir,  estarei longe daqui,
com os porões carregados de saudade e do
perfume do mar.
Já  bem  distante,  e  nas noites de luar,  escutarei 
 a gaivota me chamar.
Saciarei  sua fome, em troca dos recados 
que  levará.
As ondas embalarão os meus sonhos... 
O vento indicará o destino que devo tomar, assobiando
  as canções que eu desejar.
A maré  começou  baixar...
Estou partindo, para nunca mais voltar !
Sinval Santos da Silveira

sábado, 11 de março de 2017

Poema: DESCULPA, FOI ENGANO



À beira do riacho, o velho poeta conversa 
com sua alma e, em voz alta,  desabafa:
" Por que, vida minha, tudo tem que ser 
assim ?
Estas águas, tão agitadas, ainda que por 
um só instante, não acalmam  as 
tormentosas  corredeiras.  ?
Esbarram nas pedras, saciam a sede
 dos passarinhos,  parecendo 
conhecer o  
caminho !
Na superfície, carregam flores vivas e 
mortas, trazem e levam mensagens de amor.
São apaixonantes, atraentes e,  por vezes, traiçoeiras.
Não  são tão diferentes do meu jeito de 
amar. 
Fico revoltado,  quando contrariado, 
esbarrando  em tudo  por onde passo,
parecendo  este riacho...
Quero agredir minha amada com palavras,
mas  só consigo escrever  versos de amor.
Falo do passado, lembro casos e pensamentos ruins
  tomam conta de mim.
Encorajado,  peço que me olhe de frente... vejo aqueles 
lindos olhos, misteriosos como a noite escura e, já
 rendido,  beijo os seus lindos lábios de mulher !
Questionado, peço para ser desculpado.
Foi engano".
Pensativo, foi embora sem  nada mais resmungar...
 
Sinval Santos da Silveira

terça-feira, 7 de março de 2017

POEMA: HOMENAGEM A MULHER!

 
 
Procurei, no dicionário,  uma palavra apropriada
que pudesse definir a mulher.
Não encontrei.
Fui ao fundo dos meus  sentimentos, mas só
encontrei sinônimos de amor, carinho, compreensão,
etc.etc.
Tudo isto é muito pouco, para um ser divino.
Recorri, então, ao universo.
Procurei  nos astros.
De  todos,  ouvi  a mesma resposta, muito
vaga... "fala com um poeta ".
Falei com todos os poetas da face da terra.
Rebuscaram, em seus alfarrábios, uma
doce definição de  MULHER.
Aguardei por toda a minha existência, uma
palavra, pelo menos.
Nada  ouvi...
Certa noite, sonhei o mais lindo dos sonhos.
As flores falavam, conversavam entre si, muito
animadas.
Estava ali a minha grande chance.
Com toda a delicadeza, dirigi-lhes a palavra,
perguntando-lhes como definiriam a MULHER,
este ser tão maravilhoso !
Entreolharam-se, e sem exitar, responderam
como num canto de coral :
"A  MULHER é a nossa essência, o nosso
mágico perfume..., a  alma dos nossos
jardins..."
Finalmente, fiquei satisfeito e muito feliz !
 
Sinval Santos da Silveira 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Poema: TAÇA VAZIA




A fuga do afeto vestiu  aquele louco amor  de saudade.

Em  cada gesto, um sopro de  felicidade ! 

Imaginei  estar a dignidade  acima da maldade.

Amargo  engano.

Pago caro, hoje em dia, cada momento de alegria que  vivi.

São  pesadelos  me afogando no 
pranto, implorando por  acordar.

Responda,  olhando nos meus olhos como

antigamente, mesmo que seja nos sonhos:

Ainda me amas ?

Tua alma de mulher, que tantas vezes enalteci, falará
 por ti,  sem o risco de mentir. 

E eu  direi, jurando aos pés do Criador, que amo somente as 
 flores, que me oferecem  perfumes e cores, sem 
esconder  os espinhos !

E, também,  os passarinhos,  que gorjeiam  
com carinho, me fazendo  feliz !

Na taça cruel da infelicidade, nenhuma gota da saudade restou. 

Está vazia ...

Transborda, hoje, de esperança e de alegria, nos
 sonhos que me farão viver.

Não escondas o perfume  nem os espinhos, fazem parte 
da  flor, como o cantar dos passarinhos !