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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Conto poético:: A SEREIA MION



Caminho por esta praia, quase deserta.
A água morna  lava os meus pés, e me 
transporta para  momentos felizes que vivi !
Só não estão presentes as pétalas 
de rosas amarelas, e  um 
certo rosto que conheci...
Aguardo, nas escarpas perigosas do costão,
a chegada da mais linda mulher  da minha 
vida,  a sereia Mion !
Morena, quase selvagem, que pelos meus 
versos se apaixonou.
Senta-se ao meu lado, conta histórias do
fundo do mar, enquanto acaricio os seus lindos
 cabelos negros, e beijo as belas sobrancelhas.
Sua beleza só é comparável à leveza do seu
 corpo, flutuando nas  ondas azuis do mar.
Perguntou-me por  que  as pessoas que vivem 
na terra, não acreditam na existência  de 
sereias ?
Não são peixes, são mulheres !
Respondi-lhe que por egoísmo,  falta 
de  amor 
ou  por inveja da sua  beleza !
Mas que os poetas creem, sim.
Falou-me de um pescador que não merece o 
seu amor.
Copiosamente, chorou...
Hoje, ela  habita  as profundezas 
do meu coração,  cuidando dos 
meus poemas e 
desta  doce  imaginação !
 
Sinval Santos da Silveira










quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poema: INOCÊNCIA POÉTICA


Deixa-me sonhar !
Não quero mais  estar  abraçado à  realidade.
Viverei o  inefável, tão simples e amável, que 
me levará nos  braços  do vento, às profundezas 
do pensamento,  com destino à imaginação.
Não sufoca os meus gritos, são gemidos da 
alma,  dores partindo, indo embora !
Busco, na  beleza da fantasia,  a voz do infinito, 
o silêncio  do trovão.
Ouço  passos caminhando nas nuvens.
São as minhas pandorgas que, na  infância, deixei 
empinadas no céu, pedindo  socorro à criança que
 ainda existe em mim.
São estrelas, barrelotes e papagaios, construídos
 com  o amor da  inocência.
Não me abandonaram, ainda estão no ar
alimentando  os meus sonhos.
Verdadeiros anjos da guarda !
Em noites prateadas,  bailam por toda a
madrugada,  chorando de saudade, chamando por mim.
Meus sonhos alados, testemunhas do pecado,
de quem  esqueceu  as inocentes fantasias , lá 
no céu !
Vou resgata-las, uma a uma, ainda que
 desbotadas e rasgadas pelo vento.
Em cada qual, uma linda história  que nem 
mesmo o tempo conseguiu  apagar.



Sinval Santos da Silveira




quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Poema: OS PRIMATAS


Densa  folhagem !
O perfume das flores se confunde com 
o  aroma doce  das frutas.
São  silvestres e cultivadas, vivendo em 
perfeita harmonia.
Os pássaros  servem-se do farto banquete, 
em alegre cantoria !
Repentinamente, sons diferentes...
Assobios  e gargalhadas,  no meio da  
mata, completam  o  lindo espetáculo.
São  primatas, exibidos e inteligentes,
querendo comigo se comunicar.
Não entendo o seu linguajar, mas tento
compreender a sua mímica, graciosa e 
comovente.
Um olhar inocente, repleto de ternura, 
parecendo pedir licença para  compartilhar
daquela fartura.
Peço perdão, mas não  entendo tanta
educação, e minha consciência fala por
mim:
" És tão puro,  alegre e não fazes mal a   ninguém !
E eu, o que sou ?
Sinto vergonha de olhar nos teus olhos 
inocentes. Posso te machucar.
Não imaginas o que fiz com o teu meio
ambiente...
Sirva-te à vontade, prezado ser do meu 
reino !
Tudo, aqui,  sempre foi teu !
O intruso, sou eu.  "
 
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Poema: Panapaná


A chuva fina, quase em vapor, cobre  com
um manto fresco, as fartas flores do meu  
torrão natal.
Um tímido sol,  debruça  seus raios sobre as
pétalas cheirosas e coloridas, parecendo 
filhas do arco-íris, pinceladas do  apaixonado artista.
O perfume, doce e agradável,  se espalha
 na colina, atraindo seres encantadores  !
Borboletas, frágeis e delicadas, coloridas e 
graciosas,  parecendo pétalas soltas ao 
 vento, aplaudem o mágico momento.
Esvoaçam os beija-flores, num frenesi  de 
bebedeira do  néctar. 
Em êxtase, Flora  beija Zéfiro, recebendo
calorosos  aplausos  de uma incontável  
plateia de panapaná ! 
Pássaros gorjeiam, como nunca, querendo
sua amada conquistar.
Novos ninhos parecem brotar em todo lugar.
Logo, os ovos criarão  asas e cobrirão o céu
da minha Terra !
É hora de cantar e amar !
Nascer,  viver  e voar em direção ao infinito,
sem pressa de voltar.
É hora da primavera chegar !

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Poema: UMA DOCE ILUSÃO



  
Encantou-me  aquele olhar sereno, e nem 
percebi que era veneno.
Ensinou-me a sonhar e  meus pesadelos suportar.
São gemidos  persistentes, olhos marcados
pela dor.
Promessas  esquecidas, ferindo de morte
um lindo  amor.
Foi embora a ternura,  deixando   uma
farpeada  de amargura, um  pranto  triste
sem fim e sem cura.
Forças exauridas, consumindo a vida que
ao amor,  com tanto carinho dediquei.
Hoje, revi aqueles  doces poemas que a 
mim dedicou.
Falavam de flores e felicidade, mas só
a  maldade restou.
Achei prudente tentar  a tudo esquecer.
Virei a página da vida,  juntei as pétalas 
coloridas, e construí uma nova flor. 
Misturei os doces e suaves perfumes,
expulsei os espinhos e o cheiro acre  
da decepção.
Restou o caminho de volta,  sem
revolta,  saboreando a ilusão de uma 
nova  paixão !
 
Sinval  Santos da Silveira




quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conto poético: SILÊNCIO


Presto atenção na ausência do ruído...
Somente o silêncio  está presente,  me
fazendo ouvir a tua voz.
Então, respondo  alto, procurando o teu 
rosto na densa neblina, que invade a 
minha vida.
À beira  mar, vejo as gaivotas pousadas
na areia. 
Estão tristes, sem gorjear... perderam a 
vontade de voar.
As ondas emudeceram e o  vento está
ausente, calando a voz grave do costão.
O teatro da imaginação fechou as 
cortinas, e as  sereias desapareceram.
Até a minha amiga, Mion, tão bonita, não
mais me visita.
Está presa no calabouço  do palácio, por
ordem de um louco e ciumento  amor.
É  preciso  liberta-la !
Há que  barulhar o mar, a gaivota gorjear 
e  voar...
Quero outro rosto  enxergar,  cantar e ser
feliz !
A tristeza está chegando ao fim !
O silêncio, finalmente, tudo isto me diz !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Poema: CORREDORES DA VIDA


Conheci os meandros e segredos do 
amor.
Circulei nos corações,  encontrei  a 
beleza exuberante, capaz de 
enlouquecer  os amantes.
Da escravidão da paixão, meus passos 
desviei.
Arrojadas e sensatas, também encontrei.
Somente uma delas  me viu  com os olhos 
da alma. 
Nenhuma palavra falou, e o pranto a tudo presenciou.
Suas lágrimas, escorrendo  em cascata, 
nasceram na fonte  do amor.
Daquele caminho, meu coração não desviou.
Hoje é escravo da saudade, apenado
 pela maldade que não causou.
Reconheço, em cada esquina, aquele doce 
olhar que deixei  partir, sem ao menos  insistir para ficar.
Quanto mais o tempo passa, mais aumenta 
a minha dor, nas loucas gargalhadas do lamento.
As esquinas, que imaginava tão bem conhecer, são
 fronteiras do destino,  abismos do meu ser.
São corredores da vida, encruzilhadas  a cada amanhecer...
Sinval Santos da Silveira



         

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poema: A ARTISTA DOS CÉUS




Era um pequeno quarto.
Minúsculo,  pode  ser chamado.
Gigante, somente a alma de mulher que
lá habitou.
Uma Artista ?
Não. 
Uma grande Artista !
Pintora, poetisa e  amante.
Pintou o Céu  e  de nada esqueceu, nem
mesmo da minha saudade...
Da lua, trouxe o brilho  prateado, pintou a 
parede da cor do pecado, e me  presenteou
com  uma estrela. 
Está lá,  ao lado esquerdo do luar.
Virou segredo de amor a dois e, ainda, molha
os meus olhos de  lágrimas ! 
Emocionada, recitava poemas antes e depois 
do silêncio  da madrugada.
O mundo  era  aquele  ninho  de amor !
Hoje,  é uma  fonte de recordações. 
Procuro uma palavra mais forte do que 
saudade, mas só  encontro  maldade, pois a 
pintura se apagou.
E os  versos que  para mim  eram  declamados,
são, agora,  perfumes do passado que o vento,
sem piedade, para outros braços levou.
As letras foram embora,  mas  ficou na memória
a linda rosa amarela,  que  aquela  Artista no Céu pintou ! 







quarta-feira, 27 de julho de 2016

Poema: GORJETAS DA VIDA



Aquele  corpo  maltratado,  é prova do 
sofrimento que a vida, em alto preço, 
lhe  cobrou.
Seu rosto desfigurado, salienta a linha 
do pecado, de quem nada fez por amor.
O brilho dos olhos se apagou, e  nada 
restou daquela beleza deslumbrante, que 
me  apaixonou.
Os cabarés foram a sua morada, e os 
homens, seus  senhores.
Também, é grande a minha amargura, ao 
ver morrer a ternura, que em minha face  
habitou.
Minha vida, transformada em gorjeta, rolou 
pela sarjeta... 
Procuro  consolar  meu coração, mas encontro 
a  barreira da traição, sufocando o  perdão.
No espelho, falo com os meus olhos, mas 
nada  me respondem.
Acabaram os meus lindos sonhos, dando
vazão  aos pesadelos...
Ouço vozes na madrugada, trazendo 
recados de quem não conheço.
Gargalhadas, por  vingança, matando a
esperança de voltar a sonhar.
As noites são longas, frias,  e indiferentes 
os meus dias.
Sobrevivo das gorjetas afetivas, atiradas na 
calçada desta  vida, teimosa e atrevida !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Conto poético: TEATRO DA IMAGINAÇÃO



Daqui, fico olhando  o mar...
Quantos mistérios submersos, escondem 
estas águas.
A cachoeira bravia, leva para os córregos 
da vida,  os meus confusos pensamentos.
Para onde eu olhe, lá estás, abraçada aos 
florais, que tanto aspirei... e àquela  música 
que  me levou ao pranto.
Sobre a gigantesca onda azul, novamente,
assisto a dança das sereias.
Somente eu,  estou presente.
Ninguém mais, além dos poetas, tem acesso
ao teatro da imaginação.
São deslumbrantes seres,  a  fonte nascedora
da  beleza !
Reverenciam  a vida marinha e  declamam,
em forma de poesia,  as curiosidades das
 profundezas do mar !
Contam histórias da sua Rainha, a Sereia
MION,  prisioneira em  seu  castelo, por 
ciúme do seu amor.
Como é lindo este  bailado !
Ao final, aplaudo, entusiasticamente, e 
converso com elas, conto histórias 
da terra, e ouço as do mar. 
São graciosas e felizes !
Pensei estar em alucinação, mas não !
Para o poeta, tudo é possível, até mesmo um
baile de sereias, sob o som de  uma 
música, intitulada " imaginação ".
 
Sinval Santos da Silveira


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Poema: FLOR DA NOITE


Habitas  as sombras da noite. 
Sorris, não sei se de felicidade, ou por 
desprezo à quem te olha admirado.
Teu semblante me assusta...
Sinto medo do teu jeito de ser.
Lembra-me um predador  que  haje igual 
a ti,  na solidão de um mundo  silencioso,
difícil de entender.
Usas a beleza  irrecusável, como  isca
do  pecado,  atingindo o coração.
Tua formosura, travestida de ternura, 
ilumina as trevas  na esperança de vender 
amor.
A  forte maquiagem e as roupas  atrevidas,  
vestem a fantasia dos desejos  reprimidos.
Nem precisas falar,  és  escolhida pelo 
olhar...
Flor da noite, fugitiva dos jardins
  e  dos jardineiros,  chegaste
 para alimentar os
sentimentos,  perfumando o mundo inteiro !
Como zumbis, desfilam os homens a tua 
frente, querendo amor comprar.
São  súditos teus que, obedientes,  beijam,
incontinentes, os teus pés.
E, agora, também te reverencio, minha
 linda rainha,  quase de verdade !
 
Sinval Santos da Silveira


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Conto poético: BENDITO NEVOEIRO


Estou envolvido por um denso nevoeiro,
turvando a luz do meu  caminho, e mudando 
a vida da minha Cidade.
A noite fica fria,  parecendo  congelar as 
minhas entranhas.
Ate os cães vadios sumiram das ruas !
As moças, tão bonitas de saias curtas, como
que por encanto, se mudaram dos pontos
  de encontros, onde conquistavam seus brotos.
Mas,  hoje é sábado e o baile, tão esperado,  
já começou  lá no outro lado da praça. 
A viola de doze cordas, tagarela e afinada,
não  para de tanger.
O violeiro desliza os  dedos  sobre os 
trastes e, como se não bastasse,  desafia
o som do pandeiro,  chamando  para a roda  
o valente sanfoneiro !
Só  não consegue dissipar o nevoeiro. 
O " arrasta pé"  não tem hora para acabar, 
atravessa a  madrugada, indo até o dia 
raiar !
As mães, desconfiadas, ficam sentadas nos
bancos, a noite inteira, cuidando das filhas namoradeiras.
Os rapazes, safados e faceiros, oferecem
 bebidas às  olheiras, querendo sua confiança
conquistar.
E lá fora, o  bendito  nevoeiro tudo encobrirá,
assim que  o próximo baile começar !
 
Sinval Santos da Silveira










sexta-feira, 1 de julho de 2016

Poema: AS VIELAS DA MINHA TERRA



Não sei porque, são tão estreitas as vielas
da minha Terra.
Talvez, por terem o nome de " viela"...
São românticas, dando passagem somente  
às pessoas, e repletas de  tulipas e margaridas.
Os beija-flores, verdes e azuis, dão rasantes
para brincar com os amantes, sentados nas escadarias.
Mal iluminadas,  mas bem sonorizadas pelo
fado  na vitrola,  não permitem  pressa  no caminhar...
Janelas abertas, mostram  a beleza das 
toalhas de rendas branquinhas, estendidas 
sobre as mesas, parecendo  o  altar da  
felicidade !
Em cima do Itajer, durante à noite,  reina
 a pomboca, iluminando a pequenina sala, 
reservada às visitas que são,  sempre, bem vindas.
A  janela baixinha,  permite o flerte da 
rapariga vizinha, observando os gajos, 
loucos para namorar !
Ah, Deus, Já se passaram tantos séculos
mas, ainda,  sinto  na alma o perfume  das 
flores e da gente, das vielas da minha Terra !

Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conto poético: A LENDA DAS GAIVOTAS



Nas costas desta Ilha,  milhares, talvez milhões
de gaivotas, singram os mares, a terra e os
ares.
São cantoras, dançarinas e alegres pescadoras !
Seguem os barcos pesqueiros, pousam nos mastros e nos 
convés,  banqueteando as vísceras dos pescados.
Em  troca,  oferecem aos pescadores a alegria
dos grunhidos,  e a beleza da dança selvagem.
Muitas histórias e  lendas são contadas, acerca
das gaivotas.
Uma delas, é o  mistério da morte.
Os velhos  pescadores dizem que elas tem 
um cemitério secreto e que, para lá, se dirigem 
quando sentem a morte se aproximar.
Isto porque,  não são encontradas  mortas, nas 
cercanas conhecidas.
Fruto da imaginação ou da fantasia, contam histórias
 de um ritual de " canibalismo ",
presidido por uma  bruxa,  vestida de gaivota.
Falam de sereias que, nas noites de lua cheia, 
sobem os costões e  recolhem as gaivotas  sem
vida, sepultando-as no fundo do mar.
Feiticeiras  que, nas  escuras madrugadas, acendem
  fogueiras na crispa das  ondas, cremando
 os corpos  das gaivotas, que flutuam
ao sabor do vento.
Juram, de mãos postas, como  verdadeiras 
estas  lendas  e histórias !
Sinval Santos da Silveira