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quinta-feira, 23 de março de 2017

Conto poético: O RESGATE DA SEREIA MION



É  a  minha grande paixão, a  mais linda das sereias
 que habitam a minha imaginação !
Comigo  se encontra nos selvagens costões
dos mares da minha Terra.
Fala de amor  e de  segredos de beleza.
Conta, com encanto, histórias  trazidas  das  profundezas do mar.
Sempre me presenteia com pérolas e objetos, 
que encontra por lá...
É exibida e gosta de se mostrar,  ser  aplaudida pelos 
pescadores em alto mar.
Certa madrugada,  numa noite enluarada,  
outras sereias  me contaram que a sua Rainha Mion
, havia sido aprisionada  por um
 pirata malvado, nos porões
 de um navio naufragado.
Meu coração amargurado reagiu desesperado,
me levando aquele lugar.
Enfrentei cardumes de tubarões, enguias 
gigantes e tudo mais.
Expulsei o falso pirata, que nem tinha
 perna de pau, " olho de vidro ou cara de mau".
Minha linda Rainha,  minha doce imaginação,  
nunca mais  habitará outro lugar, fora  do meu   
coração.
 
Sinval Santos da Silveira

sexta-feira, 17 de março de 2017

Poema: QUANDO A MARÉ BAIXAR



Estou partindo em direção ao sol nascente.
Quero estar longe desta gente, que me olha
diferente, como se eu não fosse do mar.
Não  vou atender aos apelos dos meus
sentimentos, que me pedem para ficar.
Quando a maré baixar, meu barco não mais
flutuará nas  águas deste lugar.
Navegará muito distante daqui.
Direi Adeus ao  costão vestido de limo verde,
palco das lindas sereias  que habitam a   
minha imaginação ! 
Quando a maré subir,  estarei longe daqui,
com os porões carregados de saudade e do
perfume do mar.
Já  bem  distante,  e  nas noites de luar,  escutarei 
 a gaivota me chamar.
Saciarei  sua fome, em troca dos recados 
que  levará.
As ondas embalarão os meus sonhos... 
O vento indicará o destino que devo tomar, assobiando
  as canções que eu desejar.
A maré  começou  baixar...
Estou partindo, para nunca mais voltar !
Sinval Santos da Silveira

sábado, 11 de março de 2017

Poema: DESCULPA, FOI ENGANO



À beira do riacho, o velho poeta conversa 
com sua alma e, em voz alta,  desabafa:
" Por que, vida minha, tudo tem que ser 
assim ?
Estas águas, tão agitadas, ainda que por 
um só instante, não acalmam  as 
tormentosas  corredeiras.  ?
Esbarram nas pedras, saciam a sede
 dos passarinhos,  parecendo 
conhecer o  
caminho !
Na superfície, carregam flores vivas e 
mortas, trazem e levam mensagens de amor.
São apaixonantes, atraentes e,  por vezes, traiçoeiras.
Não  são tão diferentes do meu jeito de 
amar. 
Fico revoltado,  quando contrariado, 
esbarrando  em tudo  por onde passo,
parecendo  este riacho...
Quero agredir minha amada com palavras,
mas  só consigo escrever  versos de amor.
Falo do passado, lembro casos e pensamentos ruins
  tomam conta de mim.
Encorajado,  peço que me olhe de frente... vejo aqueles 
lindos olhos, misteriosos como a noite escura e, já
 rendido,  beijo os seus lindos lábios de mulher !
Questionado, peço para ser desculpado.
Foi engano".
Pensativo, foi embora sem  nada mais resmungar...
 
Sinval Santos da Silveira

terça-feira, 7 de março de 2017

POEMA: HOMENAGEM A MULHER!

 
 
Procurei, no dicionário,  uma palavra apropriada
que pudesse definir a mulher.
Não encontrei.
Fui ao fundo dos meus  sentimentos, mas só
encontrei sinônimos de amor, carinho, compreensão,
etc.etc.
Tudo isto é muito pouco, para um ser divino.
Recorri, então, ao universo.
Procurei  nos astros.
De  todos,  ouvi  a mesma resposta, muito
vaga... "fala com um poeta ".
Falei com todos os poetas da face da terra.
Rebuscaram, em seus alfarrábios, uma
doce definição de  MULHER.
Aguardei por toda a minha existência, uma
palavra, pelo menos.
Nada  ouvi...
Certa noite, sonhei o mais lindo dos sonhos.
As flores falavam, conversavam entre si, muito
animadas.
Estava ali a minha grande chance.
Com toda a delicadeza, dirigi-lhes a palavra,
perguntando-lhes como definiriam a MULHER,
este ser tão maravilhoso !
Entreolharam-se, e sem exitar, responderam
como num canto de coral :
"A  MULHER é a nossa essência, o nosso
mágico perfume..., a  alma dos nossos
jardins..."
Finalmente, fiquei satisfeito e muito feliz !
 
Sinval Santos da Silveira 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Poema: TAÇA VAZIA




A fuga do afeto vestiu  aquele louco amor  de saudade.

Em  cada gesto, um sopro de  felicidade ! 

Imaginei  estar a dignidade  acima da maldade.

Amargo  engano.

Pago caro, hoje em dia, cada momento de alegria que  vivi.

São  pesadelos  me afogando no 
pranto, implorando por  acordar.

Responda,  olhando nos meus olhos como

antigamente, mesmo que seja nos sonhos:

Ainda me amas ?

Tua alma de mulher, que tantas vezes enalteci, falará
 por ti,  sem o risco de mentir. 

E eu  direi, jurando aos pés do Criador, que amo somente as 
 flores, que me oferecem  perfumes e cores, sem 
esconder  os espinhos !

E, também,  os passarinhos,  que gorjeiam  
com carinho, me fazendo  feliz !

Na taça cruel da infelicidade, nenhuma gota da saudade restou. 

Está vazia ...

Transborda, hoje, de esperança e de alegria, nos
 sonhos que me farão viver.

Não escondas o perfume  nem os espinhos, fazem parte 
da  flor, como o cantar dos passarinhos !
















quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Poema: RECOMEÇAR


Meu amor não  representou nenhum valor.
Foi  gerado nas entranhas  de uma paixão, não
 surtindo a  emoção que tanto esperei.
Com as chagas  abertas, caminhei pelas
 cercanias do destino,  à procura de um abrigo.
Por onde passei, ouvi gritos, gemidos e 
desabafos, também.
Recebi abraços e sorrisos inocentes.
Comparei com os que  deixei por lá. 
Refleti...
Somente eu amei.
Então, parti para sempre. 
Livrei-me das correntes farpeadas  e voltei a cantar !
Escancarei as portas da minha vida e, agora, respiro o
  perfume da açucena,  beijo a brisa fresca da
 madrugada,  e passeio na estrada prateada do luar !
À margem, uma sombra me espreita e aplaude.
É  minha  amiga, de nome  " recomeçar "  !
 
 
Sinval  Santos da Silveira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poema: ORAÇÃO A QUEM PARTIU



Queria tanto que ouvisses  estes versos 

meus !

Quantas vezes te pedi para prestar mais 

atenção nos poemas que escrevi.

Sempre foram  dedicados a ti !

Leia, em minhas lágrimas, a paixão que senti

por ti.

Hoje, trago nas lembranças  o teu doce sorriso, a ternura 
do  olhar e  o carinhoso jeito de me amar...

Não abandonas os meus sonhos, nem minhas letras
  te  esquecem.

São  versos recadeiros, que escrevo  o  dia 

inteiro, querendo sempre te falar !

Teus olhos, negros como a noite sem luar, são 

o endereço do meu pranto,  atraído por teu encanto, querendo 
 às lágrimas misturar.

Nas madrugadas geladas, e  nas noites de trovoadas, apareces
 sorrindo,  comigo a 

conversar.

Sinto  falta de ti !

Peço perdão ao Criador e  transformo estas

letras em oração, para 
 eternizar esta sublime paixão !


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Poema: O POETA E O MENINO




Afinal, quem és,  criatura inocente, que mexes 
com  minha mente,  me fazendo  te imitar ?
Há quanto tempo não te via, nem ao menos te 
sentia, embora vivendo no mesmo lugar !
Vejo em  teu olhar  tanta coisa  diferente,
a felicidade  sem maldade,  trazendo  esta
saudade  tão difícil de lidar.
Não percebi tua partida, ou quem  deixaste
em teu lugar.
Aprendi  tanto contigo...  
Foste a estação  de  embarque  da minha vida, 
a escola bem sucedida, o sabor do fruto doce, que as
 tuas mãos de criança, plantaram  para 
me agradar.
Não eras noite, nem dia.
Foste a aurora da minha vida, a luz que ainda
ilumina os passos do meu  caminhar..
Hoje, posso te falar de  muitas coisas, 
mostrar caminhos e atalhos, te livrar dos
 abismos, das armadilhas
 e desvendar os mistérios das  perigosas encruzilhadas.
Em troca, ensina-me voltar a ser feliz ! 
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Conto poético: PURUS





A quilha que singrava  o  Purus, rasgava 
as  misteriosas águas  do meu Amazonas.
Gemidos surgiram das  profundezas do leito, como
 a  pedir por socorro.
Debruçado no  convés,  pus-me a conversar
 com o menino
 que, há muito tempo, havia me abandonado
 ou, quem sabe, ignorado.
Caminhava sobre  as águas, sorridente e
travesso.
Fui  dominado pela saudade...
Acompanhou o trajeto, fez barquinho
 de papel, navegando
 nas corredeiras, como nas antigas 
brincadeiras, e pos-se a 
viajar no tempo.
Olhou-me com  ternura e cumprimentou
  os ribeirinhos, na 
barranca do rio.
Assistiu  a  revoada  das araras azuis e apreciou
 o espetáculo  da piracema.
Alegres indígenas,  também,  chamaram a 
sua atenção.
O mundo fantástico da Amazônia  Brasileira,
precisou ser visto pelos olhos de um menino
que,  arteiro, misturou as águas do Purus, às 
lágrimas dos 
meus olhos, numa  amorosa
 brincadeira !

Sinval Santos da Silveira


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Conto poético: TAPETE MÁGICO


Conversando com um velho amigo, ouvi
este desabafo:
" Nenhuma dor é  comparável à perda de um
grande amor.
Passei por isto, amigo.
É preciso ser forte  para continuar  vivendo.
Mas,  tive uma brilhante ideia,  para 
amenizar o meu sofrimento.
Escrevi uma carta a quem  arrebatou  a mulher que tanto amei.
Disse-lhe:
Permita-me, moço, apresentar-me.
Sou um homem  sem nome.
Chama-me da forma que melhor lhe parecer.
Não me ofenderei.
Sou aquele que  amou a mulher que, hoje, está em teus braços.
Fez-me sentir o ser mais feliz do mundo,  o
homem mais amado, mais amante...
Eu  a amei fervorosamente !
Certamente, nada disto  foi suficiente.
Não sei onde errei, ou o que lhe deixei faltar.
Toma coragem e siga este conselho que, agora, te dou
 e que aprendi  com os meus erros.
Faça-a sentir-se segura. 
Creio  não haver conseguido.
Procure entender  a sua alma de mulher, lendo no brilho
 intenso do seu olhar,  as respostas  que procuras.
Eu só me interessei pela intimidade, pensando ser a 
essência da  felicidade, o núcleo principal do amor.
Aprenda a ler estes sinais, para não ser, como eu, tomado
de surpresa.
Ela te levará aos céus, como num tapete mágico, nas mil
 e uma noites de fantasias.
Cuidado, para não enlouquecer, como eu. "
Dito isto, nem mais uma palavra conseguiu
pronunciar.
Soube que está perambulando pelas cercanias 
 deste lugar, sobrevivendo das
 doces e loucas lembranças...
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Poema: BANDOLEIRA



Não consegues  dominar essa
 alma bandoleira,
transformando os homens  numa  simples 
brincadeira.  
Que pena !
Deve  ser  praga de madrinha, ou 
trabalho  de feiticeira.
Vou  falar com a benzedeira,   lá  do alto da 
 montanha,  para  te benzer, mulher, com 
 folhinhas  de " bem  me  quer ".
Vou  procurar a gaivota dourada, a mais 
 bela e encantada 
 ave marinha,   para falar com 
 Soberana Rainha.
Levará recado meu  e quebrará  o feitiço teu.
Quero te ver solta na vida, como os 
pássaros  no céu, voando 
 conquistando  amores, fazendo felizes 
os  homens teus.
Não farás mais brincadeira, te vestindo
 de bandoleira.
Amarás de verdade, encantarás de 
 felicidade,  todas
as conquistas da tua vida.
És mulher,  e das mais  bonitas !
 
Sinval Santos da Silveira


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Poema: FOI MARAVILHOSO TE AMAR !





Feliz de quem esteve  em teus braços, 
desfrutando  de um  admirável amor !
Na  troca das emoções, nenhum momento
foi perdido !
Foi  a semeadura da felicidade,  a ressonância 
da saudade,  cheirosa flor que não secou !
As  marcas  deixadas em minha essência, são
 testemunhas  de uma feliz existência, que 
os anos, mesmo apressados e distraídos,  não
 conseguiram apagar.
Duradouros momentos e  olhares profundos de
 ternura,  levaram  ao pranto o  apaixonado 
poeta, que escreveu  lindas histórias  de amor  !
Como uma  "obra de arte", mareou os meus
 olhos  e, de encantamento, o incauto coração  !
Hoje, vejo passos paralelos aos teus passos, e 
que não são os meus...
Nada  restou, além das verdades.
E o tempo, arrependido por  apressado haver 
sido, pede silêncio  para dizer que, mesmo
assim,  foi maravilhoso te amar !
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poema: MUITO DISTANTE DAQUI


A distância induziu,  e a precipitação concluiu.
Li,  naqueles lindos olhos de mulher,  a tristeza 
por haver decidido o destino  de um grande amor.
Feriu de morte a quem  não  pretendia magoar.
Sentenciou , por  orgulho, ou impaciência, um
 maldito "ponto final".
Sua alma,  não aprovou.
Conselho do coração, não lhe faltou.
Sofre, agora, a angústia do arrependimento, e 
recorre ao  seu santo protetor.
No vento, que vem do norte, sente o cheiro 
do homem da sua vida...
Esquecer,  impossível !
A saudade  devora as suas entranhas, e o orgulho
 cederá lugar ao  direito de amar !
Reza e chora baixinho...
Grita  o seu nome na  madrugada  e, desesperada, só
 lhe resta pedir perdão. 
Distante, muito distante daqui, um coração de homem
apaixonado, ouve  o seu clamor, reatando tão belo amor !
Sinval  Santos da Silveira

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Poema: A POETISA E O PESCADOR



Sensível e  inteligente, habitava 

aquela  mente,  uma linda poetisa !

Construía os seus versos com beleza

e  harmonia, conquistando todo aquele 

que o seu poema lia.

Sua graciosidade a todos encantava,

e despertou a paixão de  um rude 

pescador.

Parecia pretensão demasiada,  

namorar uma mulher tão refinada !

Nem  compreendia os seus escritos, 

o  humilde  trabalhador.

Sua paixão era comovente,  e até 

humilhação vivenciou.

Mas seu barco e suas calejadas mãos,

sensibilizaram  a  criatura !

As gaivotas,  como cupidos em  ação,   

levavam  e traziam recados, tocando 

aquele  nobre coração.

O  que parecia impossível, em realidade 

se tornou !

Um  casal apaixonado, cheio de amor !

Ela, em terra firme,  belas  poesias foi

construindo.

Ele, em alto mar, sob os aplausos dos

biguás, pescando os peixes para a sua 

amada alimentar !

Junto-me, agora, aos pássaros marinhos 

e, também, aos passarinhos, para desejar 

ao feliz casal, muito amor,  na terra e no 

mar !
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Poema: A ADOLESCENTE



Lembro-me bem daquele dia.
Torrencialmente, chovia.
Teu vestido  de chita, cobria um 
lindo corpo de menina,  querendo ser 
mulher.
Cabelos molhados e escorridos, pés 
descalços, brincando nas corredeiras das sarjetas, sem
 notar
 meus olhos voltados 
para  ti.
A chuva, impiedosa,  não dava trégua.
Eu,  quase  um homem, ensaiando o 
pecado,  te olhava com um olhar diferente.
Teus olhos,  nem perceberam os meus
olhos...
O tempo passou, e a adolescência foi 
embora.
A vida me levou para outros lugares, longe
de ti.
Mas  não te esqueci !
Voltei, te procurei, mas o mesmo tempo 
apagou  as tuas pegadas.
Não mais te encontrei.
Restou, em minha mente, aquele olhar
tão inocente !
Um  vestido de chita, brincadeiras nas
corredeiras,  me  trazem de volta a este 
lugar.
Aquele  jeito  lindo da  adolescente, que 
pena, deu  lugar, tão  somente,  à  
imaginação e à uma brutal saudade !